2016: será que foi um ano tão ruim assim?

2016: será que foi um ano tão ruim assim?

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Redação em 20 de dezembro de 2016

Bioengenharia

O ano de 2016 pode ficar marcado como o primeiro em que a técnica CRISPR-CAS 9 foi testada em humanos. A inovação de edição de genes permite que médicos modifiquem partes específicas do DNA: são feitas microcirurgias nos cromossomos, o que torna o tratamento de problemas genéticos algo mais abrangente, factível e viável.

A inovação é recente: surgiu em 2012 e, desde então, tem animado investidores. A Editas, por exemplo, é uma das empresas que trabalha especificamente com a técnica — a companhia já tem mais de US$ 200 milhões em caixa.

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Energia limpa

Portugal, Costa Rica, Alemanha… São vários os países que conseguiram bater recorde de energia limpa. Seja com hidrelétricas, energia eólica ou solar, algumas nações estão dedicadas à diminuir emissões de gases e, consequentemente, diminuir os efeitos do aquecimento global.

Um dos principais motivos para tanta animação com a energia limpa é o preço da energia solar: nunca foi tão baixo investir nos painéis fotovoltaicos, que tem constantes quedas no preço. E como está o Brasil nisso tudo, você pode perguntar? Ainda longe de seu potencial máximo: apesar de usarmos muito as hidrelétricas, não há tantos campos de energia solar no Brasil.

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Alimentos orgânicos

Não, os orgânicos não dominaram o mercado em 2016. Mas a discussão sobre esse tipo de alimento esteve em alta neste ano. O Brasil é o líder em consumo de agrotóxicos. Um bom exemplo a ser seguido é o da Dinamarca: o país aumentou em 200% a produção de comida sem produtos químicos, desde 2007. A intenção agora é dobrar a área dedicada à agricultura orgânica até 2020.

Além de serem mais saudáveis, os orgânicos também ajudam a impulsionar os pequenos produtores. O conceito de Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA) também ganhou espaço no Brasil. Ele incentiva o desenvolvimento agrário sustentável, que funciona a partir do suporte de consumidores comprometidos com o escoamento da comida saudável.

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Moda sem gênero

Você já ouviu falar em moda sem gênero? A partir de 2016, é provável que sim. O ano foi importante para debates de diversidade e representatividade. As designações de “para homens” ou “para mulheres” foram, aos poucos, sendo questionadas, abrindo um leque de opções de roupas com uma tendência estética que favorece à expressão de gêneros diferentes em uma mesma pessoa, sem rótulos.

Cemfreio, YouCom, Trendt, Pair e Another Place são alguns exemplos de marcas brasileiras que vendem roupa sem gênero. O movimento também teve apoio de celebridades como Jaden Smith, filho de Will Smith, que lançou uma marca de roupas sem gênero em setembro.

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Arquitetura sustentável

O ano de 2016 também foi marcado pela arquitetura sustentável: construções que usam o verde para dar vida aos espaços e pensam em maneiras de diminuir os impactos negativos ao meio ambiente.

O Brasil teve bons exemplos de arquitetura sustentável no ano: a Favelar, por exemplo, é uma empresa que faz reformas em favelas no Rio de Janeiro utilizando preceitos da arquitetura sustentável. Além disso, houve exemplos como a Aqua, a casa sustentável que pode ser desmontada em poucas semanas, e do Estúdio Flume, que ganhou prêmio internacional com um abrigo sustentável.

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Empoderamento feminino

Games, esportes, tecnologia, cinema…A voz feminina atinge todas as camadas da sociedade. As discussões mostram como mulheres têm ocupado espaços considerados masculinos, transformando-os em aliados na causa da equidade de gênero.

Enquanto o Plano de Menina pretende mudar a realidade econômica, a Women Up Games é uma ferramenta que usa os jogos para dar voz às mulheres. Já a Think Olga usa também o esporte como ferramenta feminista. Para elas, 2016 foi um ano de luta — e 2017 continuará sendo.

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Renda básica universal

A renda básica universal, ou renda mínima universal, é uma discussão antiga em torno de darmos ou não dinheiro para todos os cidadãos com o intuito de garantir a sobrevivência. No entanto, o que outrora parecia conversa utópica hoje começa a ser discutido com tom de urgência ao passo em que governos, cidadãos e empresas percebem que, frente à tecnologia, talvez não existam empregos para todos no futuro.

A renda básica universal pode angariar simpatizantes de esquerda interessados no bem estar social, ou mesmo de direita que veem no modelo a possibilidade de reduzir a máquina pública. No entanto, alguns acreditam que, com o dinheiro, pessoas podem desistir de trabalhar. Por isso serão necessários testes. Países com as mais distantes realidades, como Quênia e Finlândia, irão testar a política.

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Mobilidade urbana

Um dos assuntos que mais levanta discussões em grandes cidades é a mobilidade urbana. Como dar mais atenção aos pedestres? Como fazer as pessoas viverem menos sedentárias e com menos poluição? Como incentivar mais bikes? Quais os benefícios desse tipo de benefícios? O que são superblocos e como eles mudam a cara de Barcelona?

Mas essas são discussões do presente. Há diversas de um futuro nada distante que devem ser debatidas desde já. O que acontecerá quando os carros elétricos dominarem o mundo? E os carros autônomos serão realmente compartilháveis? Como ficarão as vagas de estacionamento nessa brincadeira? Em meio a tantas discussões, ficam duas certezas: as cidades não são apenas dos carros. São das pessoas, que precisam cada vez mais do espaço público.

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Inteligência artificial

A inteligência artificial poderá mudar muito nossas vidas nos próximos anos. Ainda não sabemos com certeza se será de forma positiva ou negativa. Criaremos robôs capazes de nos assassinar? Eles acabarão com os empregos e ficaremos dependentes da renda mínima universal? Ou vão melhorar tudo? Ainda não sabemos.

Mas os avanços alcançados em 2014 são um tanto promissores.A inteligência artificial chegou ao comércio com os chatbots. Ela também promete salvar vidas e ajudar a salvar a visão de paciente, por exemplo. E, sem precisar recorrer à ficção científica, já vemos as máquinas sendo criativas e dando vida a mundos virtuais, músicas e filmes. Resta saber onde isso tudo acaba.

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Representatividade negra

Não adianta falarmos muito de futuro se não acertarmos as dívidas com o passado e garantirmos uma sociedade igualitária a todos. E para isso é essencial combatermos o racismo — afinal, no Brasil há muitos números que mostram que estamos longe da igualdade.

Mas algumas iniciativas interessantes surgiram nesse sentido. Uma delas é a EmpregueAfro, que pretende dar aos negros mais vagas de emprego. Influenciadoras negras também ganharam bastante espaço na internet — muitas dividindo seu aprendizado em eventos como TEDx. Mas ainda há muita luta, como o movimento Black Lives Matter, nos Estados Unidos, ressaltou para o mundo.

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Futuro do trabalho

Em 2016 começaram importantes discussões sobre o futuro do trabalho. Não só se olhou para os debates em torno da automação de empregos e para a questão da renda mínima universal, como também para a flexibilização profissional e suas possíveis consequências.

Importantes discussões mostraram que não é tão inteligente assim separar os millennials como uma geração tão diferente — e nem tratá-los como mimados. Também percebeu-se que a Economia Compartilhada nem sempre é o melhor dos mundos e que, sem as precauções corretas, pode fragilizar as relações de trabalho, como acontece na chamada Gig Economy. São temas que ainda precisarão ganhar ainda mais espaço no debate público.

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Acessibilidade

E de nada adianta discutirmos cidades mais sustentáveis e com melhor transporte se ignorarmos que ao menos 1 bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência. Na luta por uma sociedade acessível a todos, a tecnologia desempenha importante papel como ferramenta.

Por isso, iniciativas brasileiras como a guiaderodas, que mapeia locais acessíveis; Glassouse, que quer funcionar como mouse para pessoas com os braços debilitados; designers que criam próteses e cadeiras de rodas tridimensionais merecem a atenção ao lado de cientistas que querem acabar com a cegueira até 2020. Nesse cenário, histórias como a de Dadá Moreira e de skatistas sem pernas são essenciais para inspirarem a todos para 2017, para a vida.

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