O que você precisa saber para amar o que faz de uma vez por todas
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O que você precisa saber para amar o que faz de uma vez por todas

Pedro Katchborian em 5 de outubro de 2016

“Faça do seu trabalho um hobby e será feliz”: a frase clichê de livros de auto-ajuda ou textões de Facebook que tentam atingir os dilemas existenciais dos millennials não é tão simples quanto parece. Jeanette Bicknell, da Nautilus, fez um texto em que discorre um pouco sobre como cada um pode amar o que faz.

“Dominar uma habilidade, até mesmo aquela que você ama profundamente, requer muito esforço”, diz. “Qualquer atividade desafiadora — da programação a tocar um instrumento ao atletismo — requer um treino focado e concentrado“, completa. Ela lembra que o movimento perfeito no golfe ou um nado borboleta correto, por exemplo, precisam de cerca de 10 mil horas de treino e incontáveis repetições.

Qualquer um que quiser dominar uma habilidade precisa passar por um ciclo de prática, feedback, mudanças e melhoras.

Enquanto algumas pessoas conseguem se concentrar em praticar uma habilidade por anos e ter prazer na melhora gradual, outros não suportam esse foco no treino todos os dias, achando frustrante ou chato. Por que?

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A diferença entre esse cenário pode estar na entrada em um estado que ela chama de “flow” — ou fluxo, em tradução livre. Esse fluxo seria a sensação de estar completamente envolvido com o que está fazendo. Quem desenvolveu esse conceito de fluxo foi Mihaly Csikszentmihaly, um psicólogo que estudou o assunto nos anos 70. Esses estados de fluxo podem acontecer em qualquer atividade, sendo mais comuns quando há um objetivo definido e um nível de habilidade apropriado. Esse estado também acontece mais facilmente se você ajustar sua performance e obtiver feedbacks imediatos.

Esse estado de fluxo torna o esforço uma atividade autotélica — ou seja, que é aproveitada sem uma finalidade além de si mesma, a tal “arte pela arte”. Para Jeanette, essa definição levanta uma pergunta: como entramos nesse estado de fluxo de uma atividade que queremos dominar e aproveitar tanto o processo de melhorar as habilidades e os resultados que existem com essa dominância?

O que Csikszenmihalyi sugeria é que pessoas com “personalidades autotélicas” tinham mais facilidade para entrar nesses estados. Isso significa que essas pessoas tinham disposição para buscar desafios. “Enquanto as pessoas veem dificuldades, indivíduos autotélicos veem as oportunidades para melhorar as habilidades“, explica Jeanette. Quem tem essa personalidade está receptivo e aberto para novos desafios, além de ter a capacidade do que a autora chama de “interesse desinteressado”, a tal habilidade de focar nas tarefas e não nos prêmios.

Outras maneiras de conseguir amar o que faz

Felizmente, há outras maneiras de atingir esse objetivo de amar o que faz. Segundo pesquisas, fatores de ambiente podem ajudar a entrar no tal flow. Em particular, evidências mostraram que escolas que utilizam o Método Montessori (que dá ênfase na autonomia e no desenvolvimento natural da criança) têm estudantes que entram com mais facilidade no fluxo do que os de escolas tradicionais. Nesse método, a competição não é encorajada, tirando o foco dos prêmios externos. Além disso, as crianças são agrupadas de acordo com interesses em comum e não segregadas por habilidade.

Embora ainda não haja uma maneira fácil de aprender a amar o que faz, ter o mínimo de distrações e uma tarefa com um nível moderado de dificuldade pode ajudar, segundo Jeanette.

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