Cientista ensina como se tornar bom em matemática e ciências
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Cientista ensina como se tornar bom em matemática e outras ciências exatas

Kaluan Bernardo em 8 de outubro de 2016

 Se você é desses que diz “não sou de exatas” para justificar sua dificuldade com números, esqueça esse discurso. Ele é falso e você, assim como qualquer um, pode reprogramar seu cérebro para se tornar fluente em matemática, física ou no que quiser.

Quem diz isso é Barbara Oakley, professora de Engenharia na Universidade de Oakland. Ela conta que, assim como você, já foi ruim de matemática. “Eu era uma criança rebelde que cresceu no lado literário, tratando matemática e ciência como pústulas da praga”, escreveu em artigo à revista Nautilus.

Sua cabeça começou a mudar depois que ela saiu do Exército, aos 26 anos. Até então ela estudava Letras e havia aprendido russo, trabalhando inclusive com tradução. Foi quando resolveu aprender uma nova linguagem: a da em engenharia.

Como se tornar alguém bom em matemática  com prática e repetição

Barbara diz que, embora seja importante fazer com que o estudante entenda o conceito matemático, é essencial que ele o pratique de diferentes maneiras até realmente internalizar esse conhecimento.

É o caso do Japão. Enquanto as pessoas valorizam o quanto os estudantes de lá são capazes de entender matemática, poucos olham para como métodos como o Kumon funcionam: por repetição, memorização e estudo roteirizado.

Barbara diz que o problema de apostar apenas na compreensão é fazer com que o estudante tenha a falsa sensação de que ele está aprendendo, quando na verdade não sabe colocar aquilo em prática.

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“Há uma interessante conexão entre aprender matemática e ciência e aprender um esporte”, diz. Ela dá um exemplo com o golfe: você se aperfeiçoa na tacada após treinar por anos — até que chega em um momento em que tudo é automático e você não precisa ficar pensando na complexidade da técnica. “É a mesma coisa com a matemática e a ciência”, escreve. Você não precisa se explicar novamente como funciona a multiplicação depois que alguém te fez entender por que 5×5=25.

Barbara entendeu isso na faculdade de engenharia, quando percebeu que deveria aplicar seus conhecimentos em Letras para aprender matemática.

“O que eu estava fazendo enquanto aprendia russo era focar não no entendimento da linguagem, mas na fluência”, diz. A diferença entre entender e ter fluência está em ir além de saber o que cada palavra significa. Para ser fluente você precisa saber criar e conjugar frases com aquele termo que você acabou de aprender. É entender a lógica do sistema em que aquele conteúdo está inserido. E isso vale tanto para Letras quanto para matemática.

O segredo, segundo Barbara, está em um conceito conhecido como chunks. Falando de forma rasa, chunks seriam sequências frequentes de conhecimento, que se tornam quase expressões prontas.

Neurocientistas dizem que grandes mestres do xadrez têm sucesso porque conseguem memorizar diversos padrões de jogadas. Esses padrões são chunks. Quando surgem situações novas, o mestre em xadrez organiza os padrões memorizados e os adapta ao desafio que está sua frente. É como se estivesse mexendo em uma caixa de ferramentas.

Em momentos críticos, o pensamento analítico e consciente é substituído por um processamento rápido e subconsciente, fazendo com que um expert (seja ele um mestre de xadrez ou um médico) procure por conhecimentos quase rotineiros – os chunks.

Foi a partir daí que Barbara entendeu que aprender matemática é como aprender russo. Não basta entender. Você tem que praticar muito a ponto de conseguir internalizar aquele conhecimento a ponto de dominar todas suas variações.

“Eu comecei a intuir que os esparsos contornos de uma equação eram como poemas metafóricos, todos com várias belas representações simbólicas incorporadas”, diz. É um trabalho lento, feito aos poucos, no dia a dia. E mais:

Entender não cria fluência; pelo contrário, fluência cria entendimento.

Ela finaliza dizendo que, as mesmas partes dela, que a fizeram se apaixonar por russo, a fizeram se apaixonar por matemática e ciência. O importante é saber a aprender. No vídeo abaixo, sem legendas em português, ela explica mais sobre o processo.

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