Doping: por que somos obcecados por atletas limpos?
atletas limpos
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Por que somos obcecados por atletas limpos?

Pedro Katchborian em 19 de agosto de 2016

Suado e cansado após uma competição, um atleta é abordado por um funcionário da comissão organizadora de uma competição: ele foi sorteado para o antidoping. O fato ocorre em quase todos os torneios em alto nível, seja qual for a modalidade. Como mostra o Live Science, a opinião pública em relação aos atletas dopados é dividida: embora há os que ficam decepcionados e que acham que o doping é uma forma de traição, também há os que defendem o uso de substâncias para o aumento do entretenimento. De qualquer forma, qualquer droga que melhore a performance do atletas é proibida. Por que somos tão obcecados por atletas limpos?

Recentemente, um escândalo de doping envolvendo a Rússia fez os atletas do país serem punidos em diversas competições importantes. O caso russo é apenas um dos mais variados na história que envolvem grandes atletas sendo desmascarados. O mais famoso deles, talvez, seja Lance Armstrong, que passou de história de superação para uma história de traição. O ciclista era multicampeão da Volta da França, mas acabou sendo pego no antidoping e teve que devolver todos os seus prêmios.

A discussão apresentada pelo Live Science é: se a tecnologia pode auxiliar os atletas em materiais, como por exemplo com raquetes que auxiliam o competidor por serem mais leves ou uma chuteira que faça o atleta ser mais rápido, por que não usar a tecnologia bioquímica para melhorar a sua performance? Qual é a diferença? Vale lembrar que a tecnologia também auxilia o esporte em suas regras: replays ajudam juízes no tênis, vôlei e basquete, enquanto o futebol aos poucos vai se adaptando.

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O principal argumento é que as substâncias ilícitas que são consideradas doping podem afetar a saúde do atleta. Acontece que os cientistas não tem certeza disso, já que não há estudos nesse sentido. Ou seja, considera-se que as substâncias podem fazer mal à saúde, mas ninguém sabe ao certo. Talvez, se houvesse uma legalização de drogas que melhoram a performance, poderiam acontecer testes para o uso seguro dessas substâncias. Se drogas como Ritalina são utilizadas por estudantes que querem melhorar o foco, por que somos obcecados por atletas limpos? A resposta é simples: atletas precisam ser humanos.

Atletas limpos: últimos humanos?

“Em uma época que a tecnologia se tornou parte integral das vidas de bilhões de pessoas, os atletas dispõe de características essencialmente humanas”, diz Melissa Tandiew Myambo, no Live Science. Para ela, a tecnologia moderna nos ajudou a combater várias ameaças como a escassez de comida. “Mas também nos tornou mais inseguros em relação a nossa significância, além de causar algum tipo de ‘tecnofobia’ [fobia de tecnologia] em 1/3 da população”, explica.

Essa aversão em relação a como a tecnologia pode interferir na performance do atleta se deve pelo temor que até eles, os atletas, símbolos do que é ser humano, percam essa característica. Melissa afirma:

Características humanas fundamentais — intangíveis tais como o altruísmo, o amor, a empatia — tornam-se símbolos do que o que é realmente ser humano. Queremos acreditar que nenhuma máquina pode replicar a amplitude do coração humano. E é isso que esperamos que a maioria de todos os atletas, que eles mostrem coração.

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