Como enganar o ego e viver experiências de êxtase, segundo a ciência
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Como viver experiências de êxtase, segundo a ciência

Aretha Yarak em 24 de agosto de 2017

Atingir o êxtase, transcender o ego e se conectar com algo maior. Há séculos, a humanidade busca caminhos para viver experiências místicas, espirituais ou anômalas. Essa conexão com algo maior e externo ao próprio eu pode se transformar em um momento de euforia e de revelações. Ou ser aterrorizador, é claro. Embora algumas pessoas ainda relacionem esse estado ao uso de drogas, como o ecstasy ou o chá do Santo Daime, a ciência vem encontrando novas maneiras de estimular essa experiência. E de cara limpa.

Normalmente, o estado de êxtase é descrito como uma conexão: saímos brevemente do nosso ego (onde estamos completamente absorto em nós mesmos) para nos conectarmos profundamente com outros seres ou até mesmo com as coisas ao nosso redor. Há quem compare essa sensação a um encontro com Deus, por ser uma experiência pura e intensa. Mas nem todo mundo vincula isso à religião, acreditando ser apenas um momento místico.

A procura pelo êxtase, segundo Jules Evans, filósofo e importante pesquisador do assunto, data de tempos históricos, mas acabou marginalizada pela cultura ocidental nos últimos séculos. Sua exclusão foi tamanha que a experiência acabou vinculada a diagnósticos de transtornos mentais, como histeria e psicose. O homem deveria, então, ficar restrito a uma vida regrada, controlada e centrada – e se esquecer desses intensos momentos transcendentais. O que é uma pena.

O êxtase nasceu da queda

Para Evans, a primeira experiência transcendental aconteceu após um acidente. Ele esquiava em uma montanha, quando caiu de uma altura de nove metros e quebrou uma perna e a coluna. Enquanto estava estirado no chão, sentiu uma forte imersão em amor e luz. Ele, que estava convivendo com problemas emocionais há seis anos, teve a certeza, ali naquele momento, de que estava bem. “A experiência foi imensamente curativa”, comentou em artigo publicado no site Aeon.

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A experiência rendeu um dos mais conhecidos livros sobre o êxtase: “The Art of Losing Control: A Philosopher’s Search for Ecstatic Experience” (A Arte de Perder o Controle: A Busca de um Filósofo pela Experiência do Êxtase, sem edição para o português). Há milênios, conta, o ser humano busca ter experiências místicas por meio de técnicas variadas — danças extenuantes, canto, jejum, dor autoinflingida, privação sensorial e uso de drogas.

Atualmente, os métodos mais comuns são veneração religiosa, contemplação (meditação e yoga) e o uso das drogas psicodélicas. Com a evolução de estudos nessa área, psicólogos e psiquiatras estão começando a encarar a vivência do êxtase como algo potencialmente benéfico para a saúde mental. Grande parte das nossas reações e decisões perante a vida é motivada pelo inconsciente, que guarda nossos traumas e sentimentos de culpa e de baixa autoestima. Essas emoções, difíceis de serem acessadas no dia a dia, poderiam ser melhor compreendidas durante a experiência do êxtase.

A ciência a favor da experiência mística

Uma área moderna da ciência, chamada de neuroteologia, estuda os processos cognitivos de experiências religiosas ou espirituais que produzem alguns padrões distintos de atividade no cérebro. Seu objetivo é entender como elas funcionam, por que esses sentimentos existem e como eles interferem na nossa vida. A expectativa é que as pesquisas nessa área sejam usadas para desenvolver mecanismos mais eficazes de induzir o místico.

Algumas tecnologias, no entanto, já estão em estudo e apresentam resultados mais avançados, como a estimulação cerebral com eletrodos. A técnica foi desenvolvida para o tratamento da epilepsia, mas há relatos de pacientes que ouviram música (quando nenhum som estava tocando), viram aparições e tiveram até experiências extracorpóreas com esse estímulo. O implante de eletrodos poderia ainda levar à euforia e ao êxtase religioso. A prática, no entanto, ainda é considerada muito arriscada para ser colocada em uso.

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Uma saída menos invasiva e mais segura seria a estimulação magnética transcraneal. Hoje, essa técnica já é indicada para o tratamento de casos de depressão. Acredita-se, entretanto, que se usada adequadamente, ela pode induzir experiências místicas intensas. Esse uso específico foi proposto — e testado — pelo neurocientista Michael Persinger. Embora outros grupos de cientistas já tenham tentando replicar os testes, nenhum deles conseguiu obter sucesso.

Uma das pesquisas mais interessantes na área, entretanto, propõe turbinar nosso DNA. O geneticista Dean Hamer, do Instituto Nacional do Câncer, nos EUA, acredita que é possível modificar o que ele chamou de “gene de Deus” ou de “o alelo espiritual”. Esse gene estaria associado à produção de dimetiltriptamina, única substância psicodélica produzida pelo corpo humano. Hamer acredita que é possível induzir uma produção alta da dimetiltriptamina, o que nos levaria ao êxtase.

Por enquanto, a ciência ainda está em fase de testes, mas já reascendeu todo um debate em torna da necessidade do êxtase para o ser humano.

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