O que é fluidez sexual e qual a diferença da bissexualidade?
fluidez sexual
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O que é e como funciona a fluidez sexual

Kaluan Bernardo em 23 de outubro de 2016

Sexualidade não necessariamente é algo estático, pode ser fluído. Pessoas podem ser heterossexuais, homossexuais ou bissexuais hoje e não serem amanhã. As coisas mudam. É nisso que psicólogos como Lisa Diamond, professora da Utah, acreditam. E, hoje, diversos artistas ja se reconhecem como fluídos sexualmente. Entre eles, St. Vincent, Miley Cyrus e Cara Delevingne.

Fluidez sexual é diferente de bissexualidade. “Bissexualidade se refere à atração tanto para homens quanto mulheres, enquanto fluidez sexual é sobre mudar de atrações e desejos”, explica Leila Rupp, cientista social na University of Carolina, nos Estados Unidos à revista Nautilus. Autora do livro “Sexual Fluidity: Understanding Women’s Love and Desire” (“Fluidez Sexual: Entendendo o Desejo e Amor das Mulheres”, em tradução livre), ela pesquisa o assunto desde a década de 1990.

Em 1995, estava estudando a sexualidade de mulheres. Em sua sétima entrevista, entrevistou uma paciente que se considerava heterossexual durante toda a vida, mas que na última semana se apaixonou por uma amiga. Fizeram sexo e gostou, mas não sabia como se identificava em relação à sexualidade

Diamond esperava que a paciente se revelasse como bissexual nas entrevistas seguintes, mas isso nunca aconteceu. Dois anos depois, voltou às 88 entrevistas que fez com mulheres. E percebeu que 32% passou a se identificar com outra orientação sexual.

Foi quando percebeu que a sexualidade das pessoas não era fixa e rótulos como heterossexualidade e homossexualidade não davam conta das análises.

Dez anos depois, a mudança chegou a 67%. “Elas estavam indo em todas as direções”, diz Lisa à Nautilus. Mulheres que se consideravam lésbicas deixaram de se considerar, outras que não se categorizavam passaram a dizer que eram bissexuais, mulheres heterossexuais passaram a se verem como lésbicas e vice-versa.

Estudo recente, publicado na revista Biological Reviews,  propõe que a fluidez sexual seja mais comum entre mulheres, como uma resposta evolutiva para reduzir tensões e conflitos com outras esposas em relacionamentos poligâmicos. Curiosamente, a pesquisa também revelou que mulheres que eram fluídas tinham mais chances de ter filhos.

A busca pela identificação da sexualidade fluída

Lisa Diamond cita estudos anteriores que falavam sobre fluidez sexual, mas que foram ignorados porque foram publicados em tempos que mal se falava sobre bissexualidade.

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Durante muitos anos, comunidades e estudiosos relutava em aceitar a bissexualidade. “Tanto os que se identificam como heterossexuais quanto os que se identificam como gays concluíram, apesar de suas discordâncias, que os bissexuais não existiam”, escreveu Kenji Yoshino, professor de Direito na New York University School of Law, em um ensaio que falava sobre o “apagamento bissexual”, publicado na revista Stanford Law Review, em 2000.

A pesquisadora defende que, ainda hoje, muitos pesquisadores e militantes insistem em ignorar a sexualidade fluída, impedindo que o debate avance e que pessoas com orientação sexual variável possam ter seus direitos e anseios contemplados e respeitados. Mas que isso precisa mudar. E logo.

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