Estudo mostra como o cérebro percebe música
música e cérebro
Foto: iStock/Getty Images
Unplug > Corpo e Mente

Estudo mostra como o cérebro percebe a música

Kaluan Bernardo em 20 de abril de 2016

Na universidade do MIT, em Massachussets, nos EUA, o neurocientista Josh McDermott e sua equipe estudam a forma como entendemos o som. Dermott, que antes de ser cientista era DJ, descobriu que o cérebro humano tem uma série de circuitos específicos que não são ativados quando ouvimos qualquer áudio, mas que entram em ação quando ouvimos música.

Em 2015, Dermott e seus colegas do MIT conduziram um estudo apresentando 165 sons para algumas pessoas. Eles incluíam cachorros latindo, pessoas falando e até o barulho da descarga. Enquanto a pessoa ouvia o áudio, os pesquisadores escaneavam o seu cérebro por ressonância magnética, o que permite fazer uma espécie de “mapa da mente”.

Após analisar as imagens dos cérebros, os pesquisadores perceberam que as áreas que reagem quando ouvimos música não reagiram da mesma forma quando ouviram os outros 165 sons. Concluíram, então, que o cérebro tem “seletividade musical”. McDermott disse à revista Nautilus:

 

Nós presumimos que os neurônios estão fazendo algo em relação a análise da música que permite extrair estruturas, seguir melodias ou ritmos, ou ainda emoções.

 

Os cientistas não sabem responder ainda por que isso acontece, mas já sabem que a música tem um efeito biológico, e não só social em nós. Por isso, ela é um fenômeno universal. “Em qualquer cultura que conhecemos, não importa seu estágio de desenvolvimento ou avanços tecnológicos, há alguma coisa que você ouve e reconhece como música”, diz McDermott. “Isso sugere que há algo no cérebro humano que faz as pessoas se engajarem no comportamento musical”, conclui.

 

Música também é uma atividade social

Apesar de reconhecer o efeito biológico da música em nós, o social também é inegável. Istvan Molnar-Szakacs, Ph.D e neurocientista no Semel Institute for Neuroscience, na California, EUA, defende que a música cria a sensação de pertencimento social.

“Quando você está sozinho em casa, sente um vazio. Mas então você coloca música e, de repente, se sente melhor porque não está mais sozinho”, diz Szakacs à Nautilus. “Não é que você literalmente não está mais só. Mas se sente acompanhado, de uma certa forma”, comenta.

É também por isso que o cérebro identifica a música como algo diferente de um som aleatório. Ele percebe que há emoção naquilo, o que dá um sentido humano. “O cérebro interpreta a estrutura da música como algo intencionalmente vindo de uma pessoa. E, isso, combinado com todas as associações evocadas pela música, é o que nos faz experimentá-la de forma social”, defende Szakacs.

 

O laboratório do som

 

É por essas características sociais e biológicas, que percebemos a música de forma diferente do que uma máquina poderia perceber. E é isso o que a equipe de McDermott estuda no “Laboratório para Audição computacional”, no MIT.

“O som produzido por eventos no mundo viaja pelo ar como ondas e são captados por dois sensores (as orelhas). O cérebro usa sinais desses sensores para inferir um grande número de coisas importantes, como o que alguém disse e seu estado emocional”, diz a página.

O objetivo é entender como essas ondas de som, transformadas em sinal em nossos ouvidos, e decodificadas pelo nosso cérebro, nos afetam de forma diferente das máquinas. “Nosso objetivo é conduzir experimentos sobre como temos sucesso onde os algoritmos das máquinas falham”. Dessa forma, eles dão mais um passo para descobrir o que nos faz humanos.

E você? Gosta de ouvir música sozinho ou acompanhado? Se sente menos solitário quando está no silêncio ou ouvindo sua banda favorita? Comente.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 25 [12] => 157 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence