Esporte como ferramenta de empoderamento feminino
Olga Esporte Clube - Diego Cagnato
Foto: Diego Cagnato
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Think Olga usa o esporte como ferramenta feminista

Diana Assennato em 30 de maio de 2016
Mulher de cabelos cacheados em foto em preto e branco

Maíra Liguori. Foto: divulgação

Maíra Liguori é uma das três sócias do Think Olga, ONG que desenvolve projetos com foco no empoderamento feminino. Ela é a idealizadora e responsável pelo Olga Esporte Clube (OEC), um projeto que usa o esporte como ferramenta de reconquista da autonomia e do prazer pelas mulheres. Em entrevista ao Free The Essence, Maíra explica como o machismo conseguiu deteriorar tão profundamente a relação entre as mulheres e o esporte, e faz um desabafo: “Somos três mulheres com poucos recursos e vontade de abraçar o mundo. Estamos literalmente abrindo a trilha no braço, com o facão na mão.”

Criar um projeto ligado ao esporte como ferramenta de empoderamento feminino já era um sonho antigo. Durante sua carreira publicitária, Maíra chegou a desenvolver planos estratégicos para três marcas esportivas, o que a fez estudar a fundo esse universo. Durante sua pesquisa, percebeu que um recorte de gênero se fazia necessário: “O ethos do esporte é masculino e, para muitas de nós, isso não faz o menor sentido”, ela diz.

O projeto de empoderamento feminino

O OEC, como é chamado o clube, foi criado com o objetivo de transformar a relação das mulheres com o movimento e ajudá-las a se libertar das pressões sociais que as afastam da prática esportiva.

Segundo Maíra, as mulheres enxergam o esporte apenas como um meio ao qual têm que recorrer, gostando ou não, para alcançar o corpo ideal, o peso ideal ou a saúde ideal. O que o OEC pretende é apresentar outros lados desse universo e ajudar na criação de vínculos mais saudáveis. Ela explica: “queremos mostrar que no centro de tudo está o prazer: prazer de conhecer o seu próprio corpo, de se movimentar, de descobrir o que o esporte pode fazer pela sua autonomia, sua vida pessoal e social.”

Manifesto do Olga Esporte Clube

Manifesto do projeto. Imagem: reprodução.

Segundo ela, ao valorizar apenas os aspectos ferramentais do esporte, as mulheres não conseguem enxergar esse prazer. Deixam de lado as delícias do jogo, do coletivo, do desafio, da diversão social e se concentram em uma característica tão pequena do todo: a busca pelo corpo perfeito que nunca chega.

Maíra escreve no site do projeto:

Mergulhamos no mundo das dietas e dos treinos repetidos de forma mecânica e sem emoção.

Mas por que as mulheres se desconectam dos esportes?

Para Maíra, o machismo é uma das principais causas da deteriorização dessa relação. É através dele que atividades físicas são transformadas em instrumento de controle de peso e culto ao corpo, exclusivamente.

Mas parte da culpa também está na publicidade e em marcas que reforçam essa relação opressora ao questionar a força de vontade das mulheres para alcançar esse lugar ideal: “É algo como ‘sua preguiçosa, saia do sofá! Você precisa ter um bumbum empinado’. É assim que as marcas falam com as mulheres na publicidade”, conta Maíra.

Mas para ela o contexto social também é fator de influência na perda de prazer pelo esporte. Em artigo publicado no site do projeto, ela levanta o ponto de que, quando criança, correr, suar, jogar são parte das brincadeiras de meninos e também de meninas. Até os 13 anos, as mulheres testam modalidades e desenvolvem coordenação motora, mas é na puberdade que a relação começa a se deteriorar. “A chegada da menstruação, as transformações do corpo, o início da vida sexual e o vestibular. Tudo isso se coloca no caminho entre as meninas e a atividade física e o esporte vai aos poucos perdendo seu caráter lúdico”, escreve Maíra.

Gráfico mostra a relação das mulheres com o esporte ao longo da vida adulta.

Gráfico mostra a relação das mulheres com o esporte ao longo da vida adulta. Imagem: reprodução

 

 

 

 

A mulher então passa a ter vergonha de expor o seu corpo, vergonha de suar, de se movimentar livremente, de mostrar os seus músculos e de ser vista como masculinizada.

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Todas estas barreiras começam a afastar as mulheres da prática já na adolescência, e se reflete nas modalidades profissionais femininas. Sem grandes ídolos ou modelos a seguir, falta inspiração para batalhar e abrir o caminho sendo minoria.

Como o projeto pretende transformar o cenário

As ações da campanha de empoderamento feminino têm três pilares:

1 – Conteúdo

O site do projeto pretende se transformar cada vez mais em uma central de conteúdo para agregar iniciativas feministas relacionadas ao esporte. Além disso o time OEC convida atletas para contar as suas histórias. Isadora Cerullo, por exemplo, é atleta de alta performance no rugby e contou ao site as dificuldades de ser uma mulher com músculos e o orgulho em ver o seu trabalho refletido no seu corpo.

2 – Eventos

No pré-lançamento da campanha, em abril deste ano, Maíra e suas sócias convidaram a medalhista olímpica Janet Arcain para dar uma aula magna de basquete no Sesc Pinheiros, em São Paulo.

A ideia é que iniciativas como estas comecem a pipocar no Brasil todo. O OEC pretende criar uma cartilha para que grupos de mulheres consigam se organizar de forma independente para praticar esportes.

3 – MoveOlga

Mulheres praticam menos atividades coletivas do que homens, talvez pela falta de parceiras para começar. Pensando nisso, o OEC irá lançar uma plataforma digital que possibilita que mulheres se encontrem por geolocalização, por afinidade esportiva e dispobilidade. Faça a sua pré-inscrição aqui.

Ainda falta inspiração? Separamos três vídeos que mostram o empoderamento feminino no esporte para te colocar em movimento.

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