Quais são os benefícios cognitivos de escrever à mão?
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Quais são os benefícios de escrever à mão

Kaluan Bernardo em 30 de dezembro de 2016

Recentemente você deve ter escrito recados em um post-it ou mesmo feito pequenas anotações em um caderno enquanto estava em uma reunião. Mas quando foi a última vez que parou para escrever à mão? A manuscrita é uma prática em decadência, mas especialistas dizem que, mesmo na era digital, ela é importante e precisa ser mantida.

Quando o assunto é escrita, o que importa não é apenas o conteúdo, mas como ele foi produzido. Escrever à mão e digitar são processos cognitivos diferentes. “A manuscrita é uma atividade complexa que requer diferentes habilidades”, comenta Edouard Gentaz, professor de desenvolvimento psicológico na Universidade de Geneva, em entrevista ao jornal The Guardian.

“Crianças levam vários anos para dominar com precisão esse exercício motor: você precisa controlar sua ferramenta de escrita firmemente enquanto a movimenta de forma que deixe diferentes marcas para cada letra”, conclui.

No teclado é diferente – tudo bem, você precisa apertar a tecla que corresponde à letra correta –, mas o processo é praticamente o mesmo para qualquer letra e, por isso, as crianças aprendem rapidamente.

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Além disso, as plataformas são diferentes. “Obviamente você pode mudar o layout da página e as fontes, mas não pode inventar uma forma não reconhecida pelo software. Nesse sentido, o papel dá muito mais liberdade gráfica: você pode escrever de qualquer lado, respeitar ou não as margens, sobrepor linhas ou distorcê-las. Não há nada que faça você ter que seguir um padrão”, comenta Clair Bustarret, especialista em codificação de manuscritos no centro de pesquisa Maurice Halbwachs, em Paris, ao The Guardian.

Quando você digita é fácil editar. Não ficam marcas das letras que você apaga. No papel e caneta, suas letras estão lá, sejam rasuradas ou não. Mesmo quando usamos lápis e borracha, as marcas ficam.

Quais os efeitos cognitivos de escrever à mão?

Estudo publicado no Journal of Learning Disabilities, pesquisadores perceberam como a língua oral e escrita se relaciona com habilidades que eles chamaram de “função executiva (como planejamento)” em crianças do quarto ao ano nono letivo. O estudo sugere que escrever à mão, por ser uma tarefa que exige bastante concentração, faz as pessoas prestarem mais atenção.

Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana, escanou o cérebro de crianças que ainda não haviam aprendido a escrever à mão. Ela percebeu então que seus cérebros não distinguiam as letras e respondiam a elas da mesma forma que respondiam a uma forma geométrica. Quando começaram a aprender caligrafia, os padrões mudaram e regiões do cérebro associadas à leitura passaram a funcionar mais ativamente.

Em entrevista ao jornal The New York Times, Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington, explica que, em crianças pequenas, digitar teclas não mexe com as mesmas regiões do cérebro. No entanto, ela não é radical e acredita que pode se ensinar diferentes formas de escrita:

O que estamos defendendo é ensinar as crianças serem escritoras híbridas. Letra de forma primeiro para leitura – isso promove o melhor reconhecimento das letras –, depois ensinar cursiva, ortografia e composição. Então, no final da escola primária, ensinar a digitação.

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