Mulheres, patins, atitude e inclusão: conheça o roller derby
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Meninas do time Ladies of Helltown. Foto: Julia Andrade
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Mulheres, patins, atitude e inclusão: conheça o roller derby

Camila Luz em 28 de junho de 2016

Poucos esportes são predominantemente femininos como o roller derby. Praticado e gerido por mulheres de muita atitude, existe no país desde 2009, quando a primeira liga brasileira foi fundada: a Ladies of Helltown.

Os times são formados por cinco jogadoras que patinam ao redor de uma pista circular na mesma direção. Uma delas, a jammer, precisa ultrapassar membros da outra equipe para marcar pontos. As outras quatro integrantes são as blockers: precisam bloquear a jammer adversária para evitar que o outro time pontue.

Ao contrário do que muitos pensam, o roller derby não é violento, como explica a jogadora Bá Lisboa, integrante da Ladies of Helltown. “É um esporte de contato super técnico. Quando entram na liga, uma das primeiras coisas que as meninas aprendem é a cair, além de patinar”, conta. “As quedas têm que ser técnicas, assim como os hits (ombradas e outros empurrões) dados nas adversárias. Há diversas regras que evitam a violência”, explica.

meninas jogando roller derby

Foto: Julia Andrade

O roller derby e a força feminina

Há homens que jogam roller derby, mas a prática é dominada pelo sexo feminino. Bá chama a atenção para o fato de que é um esporte de contato que empodera as mulheres. Contraria a ideia de que o sexo feminino é frágil. Afinal, é preciso muita força para praticar.

Você joga toda a sua força naquilo, como mulher. Além disso, é um esporte que te deixa mais feminina se você quiser.

O visual é importante para várias praticantes. Muitas são vaidosas e usam meias arrastão, polainas coloridas, maquiagem ou pintam o rosto com desenhos de guerra. “O esporte te dá essa liberdade dentro das regras. Você não pode usar um acessório que machuque outra jogadora, por exemplo. Mas dentro dos limites, é possível usar o que quiser para se sentir bonita e empoderada”, explica Bá. O roller derby traz a ideia de que a mulher não precisa ser masculinizada para ser uma esportista, como acontece, por exemplo, no futebol.

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Outra forma de criar a própria identidade dentro do roller derby é escolher um “derby name”, uma espécie de nome de guerra. “É como se fosse a sua persona dentro do jogo. Se você é uma pessoa muito agressiva, por exemplo, pode escolher algo com ‘psycho’. É uma forma de mostrar um pouco das suas características e de impor respeito ao adversário”, conclui.

Na hora do jogo, Bá é “Barberry”. O nome faz alusão ao seu próprio nome de batismo, Bárbara, aos povos bárbaros e às frutas berrys, como o mirtilo.

No roller derby, preconceito não tem vez

Qualquer pessoa pode praticar, independente de altura, peso ou qualquer outra característica física. Transsexuais, por exemplo, também são aceitas. “Na parte psicológica, dizemos que o derby salva a alma. Conheço pessoas que entraram no esporte com depressão, ou eram isoladas do mundo. Dentro do esporte, conhecem pessoas legais e diferentes”, conta Bá.

meninas jogando roller derby

Foto: Julia Andrade

“As atletas convivem com transsexuais, por exemplo. O derby está muito ligado ao social. Se você é um menino que quer virar menina e se identifica como menina, poderá praticar na liga feminina”, completa.

Além dos benefícios psicológicos , o roller derby traz melhorias para a saúde física. Nos treinos, a parte cardiovascular é aprimorada, assim como equilíbrio e fortalecimento muscular. Melhora o condicionamento e estimula jogadoras a adotarem uma vida saudável. “Muitas eram fumantes e acabam largando o cigarro, pois isso interfere no desempenho”, revela a atleta.

Roller derby é coisa séria

O roller derby surgiu no Texas, em 1930. Na época, era encenado e não tinha regras, assim como a luta livre. Nas décadas seguintes, experimentou seu auge, mas começou a declinar a partir de 1970. No  início dos anos 2000, um grupo de mulheres dos Estados Unidos decidiu resgatar a modalidade, estabelecendo regras, técnicas e estratégias.

Para regularizar o esporte, foi fundada a organização WFTDA (Women’s Flat Track Derby Association). “Flat-track” diz respeito à  uma das modalidades existentes. É praticada em uma pista circular plana. Ligas brasileiras, como a Ladies of Helltown, seguem suas regras. A outra modalidade de roller derby é a banked-track, praticada em cima de uma pista circular inclinada, especialmente construída para essa finalidade.

meninas de vários times sentadas na quadra para foto

Times em campeonato. Foto: Julia Andrade

O roller derby não é um esporte confederado. Para Bá, isso implica em pontos positivos e negativos. Ela explica que há uma filosofia chamada “Do it yourself”, ou seja, é feito pelas jogadoras e para as jogadoras. Isso dá autonomia para as praticantes e evita que outros profissionais, que mal conhecem o esporte, interfiram na prática.

Por outro lado, o roller derby, por não ser confederado, ainda é considerado  um esporte amador. Isso dificulta que jogadoras se profissionalizem e possam fazer da prática o seu sustento. “Fora do Brasil, há atletas que podem ganhar dinheiro de forma individual, por patrocínios. Mas viver do derby ainda não é possível”, explica. “Particularmente acho que seria positivo pela visibilidade, mas negativo pela perda de autonomia”, conclui.

Confederado ou não, é um esporte de verdade e é levado a sério pelas atletas. Bá conta que treina quatro vezes por semana e frequenta a academia cinco vezes. Ela faz parte do “Piratas do Tietê”, um dos times da Ladies of Helltown. Já participou de campeonatos na América Latina e das olimpíadas de roller derby em 2014, em Dallas, no Texas (Estados Unidos). Joga nas duas posições: jammer e blocker.

O campeonato interno da Ladies of Helltown acontece durante o mês de julho, em São Paulo. A grande final rola no dia 30, na quadra da Unifesp (rua Pedro de Toledo, 844), às 18h.

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