Susan Cain e o poder da solidão para criatividade
o poder do isolamento
Foto: iStock/Getty Images
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Susan Cain e o poder da solidão para criatividade

Diana Assennato em 20 de abril de 2016

Solidão e introversão são duas poderosíssimas ferramentas para criatividade. Pelo menos é o que defende a escritora Susan Cain, autora do livro “O Poder dos Quietos”. Ela não está sozinha. Em sua auto-biografia, Steve Wozniak, co-fundador da Apple, também defende o isolamento:

A maioria dos inventores e engenheiros que eu conheço são como eu — eles são tímidos e vivem em suas próprias cabeças.  (…) Te darei um conselho que alguns acharão difícil de seguir. O conselho é: trabalhe sozinho. Não em um comitê. Não em um time.

É claro que, apesar do conselho radical de Wozniak, ele acabou se juntando a um cara extrovertido, Steve Jobs, para criar a Apple. Mas parte do processo criativo aconteceu quando Woz estava isolado em seu cubículo trabalhando na HP.

O comentário que o inventor fez sobre arte é real. Muitos artistas dizem que parte de sua criatividade vem do isolamento. Pablo Picasso, por exemplo, tem uma famosa frase em que diz: “Sem grande solidão, nenhum trabalho sério é possível”.

Em artigo no jornal The New York Times, Susan Cain lembra que a solidão também é associada à criatividade e transcendência nas religiões. Moisés, Jesus e Buda, por exemplo, chegaram a um grau de conhecimento após passarem períodos isolados.

Ela diz que o problema é que, apesar do isolamento ter sido uma virtude reconhecida pela sociedade durante muito tempo, hoje ele está em segundo plano. As escolas querem que as crianças façam tudo em grupo, as empresas são cheias de reuniões, tudo deve ser feito coletivamente o tempo todo. Dessa forma não sobra muito tempo para introspecção.

Criatividade é arte, solidão faz parte?

O trabalho da escritora sofreu críticas. Keith Sawyer, professor de Inovações na Educação na Universidade de Carolina do Norte, diz que, as pessoas realmente criativas, na verdade tendem a ser tanto extrovertidas quanto introvertidas.

Susan Cain defende o poder dos introvertidos.

Susan Cain. Foto: Divulgação

Além disso, segundo Keith, a escritora tende a subestimar demais a colaboração nos processos educacionais. De fato há várias evidências de que a resolução de problemas simples não são bem resolvidos em grupos. Mas, quando o tema é muito complexo, as coisas são melhor executadas coletivamente.

A autora relativiza e diz reconhecer a importância da discussão em grupo. O problema é o exagero. “Alguns trabalhos em grupo são bons e divertidos, estimulantes, e um jeito útil de trocar ideias, gerenciar informação e construir confiança”, reconhece Susan. O problema, segundo ela, é quando a coisa é exagerada.”Uma coisa é se associar a um grupo onde cada um coloca um pedaço no quebra-cabeça. Outra é fazer reuniões intermináveis, ou conferências conduzidas em escritórios que não dão trégua para o barulho e o olhar fixo de outros colegas”, diz a autora ao New York Times.

A solução, segundo Susan, é criar ambientes equilibrados que respeitem tanto as necessidades dos extrovertidos quanto a dos introvertidos. “Nossos escritórios devem encorajar interações casuais, no estilo de cafés, mas também permitir que pessoas desapareçam em espaços privados e personalizados quando elas quiserem ficar sozinhas. Nossas escolas devem ensinar crianças a trabalhar com outras, mas também a trabalhar sozinha por bons períodos de tempo”, defende.

Se quiser saber mais sobre o assunto, assista à apresentação de Susan Cain no TED:

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