Tanques de flutuação ajudam a relaxar a mente e no autoconhecimento
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Foto: Divulgação
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Tanques de flutuação para relaxar a mente e buscar autoconhecimento

Camila Luz em 16 de novembro de 2016

Em tempos de rotina corrida, ansiedade e estresse, é preciso encontrar meios de relaxar a mente e deixá-la trabalhar de forma saudável e criativa. Há uma técnica que permite atingir esse estado e até potencializar efeitos similares aos da meditação: a flutuação em tanques de água morna e sulfato de magnésio.

Foto: Divulgção

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O tanque de flutuação foi desenvolvido no final da década de 1950 pelo neurocientista americano John Lilly. Ele apostava na hipótese de que ao neutralizar estímulos externos, como luz, som, temperatura e gravidade, seria possível atingir outros estados de consciência.

Em São Paulo, o instituto Vector Equilibrium construiu um tanque de flutuação em 2014 para testar a experiência e entender quais são seus benefícios. Diego Sangiorgi, um dos fundadores, conta que o público é diverso e procura a técnica por inúmeros motivos.

“Recebemos jovens que estão prestando vestibular e acham que o tanque pode ajudar a encontrar seu caminho; engravatados da Berrini que chegam ofegantes entre uma reunião e outra e precisam fazer relaxamento profundo no horário do almoço; senhorinhas que mesmo com receio de ter a experiência se permitem, pois ouviram falar que reduz dor nas costas; publicitários de meia idade que estão cansados do mercado e ouviram dizer que o tanque aumenta a criatividade”, conta. “Nosso público é muito diverso e específico em sua peculiaridade”.

A consciência

Nos anos 50, a medicina acreditava que o cérebro era um órgão de arco reflexo, ou seja, funcionava como um espelho do meio, refletindo respostas a estímulos externos. “Cada classe médica tinha sua visão. Alguns acreditavam que se a pessoa neutralizasse esses estímulos, ela poderia morrer, ter um ataque epilético ou algum tipo de surto”, conta Diego.

Mas John Lilly pensava diferente. Em sua opinião, se os estímulos sensoriais fossem neutralizados, o cérebro não iria sofrer prejuízos, e sim encontrar sua real fonte de estímulo, que é a consciência. E essa consciência estaria presente no corpo todo, nos músculos e células.

Decidiu então criar um experimento para testar sua hipótese. Neutralizar os dois primeiros estímulos, audição e visão, seria fácil. Bastava estar em uma sala escura e isolada acusticamente. Para neutralizar a temperatura, a saída foi simples: mergulhar o corpo em água morna, com temperatura similar a do corpo.

A cobaia usava uma espécie de escafandro na cabeça com três flutuadores. “Mas havia um pequeno detalhe. Esse escafandro fazia o efeito parecido com o da máscara do Darth Vader, com aquela respiração pesada”, brinca. “Causava um estímulo sonoro e uma sensação de prisão, de sufocamento. Portanto, as pessoas não tinham a experiência de bem-estar e conforto absoluto”.

Mesmo assim, Lilly e sua equipe continuaram testando experimentos, até descobrir que o ideal seria neutralizar a gravidade por meio da flutuação em água mais densa do que a densidade do corpo. A pessoa ficaria deitada de barriga para cima em um tanque com proporções semelhantes a de uma banheira.

A flutuação

“Para possibilitar a flutuação, Lilly se lembrou do Mar Morto, onde pessoas flutuam com mais facilidade, pois a concentração de cloreto de sódio é bem maior do que a do mar comum”, conta Diego.

“Ele descobriu que teria de fazer algo cerca de três vezes mais concentrado do que a concentração do Mar Morto. Comprou uma tonelada de sal para por na piscininha e funcionou muito bem”, explica Diego.

No entanto, o cloreto de sódio ressecava a pele e causava certa irritabilidade em quem testava o tanque. Começou a pesquisar outras substâncias e chegou no sulfato de magnésio, o sal amargo. O sulfato e o magnésio atuam na permeabilidade das células e facilitam processos celulares. Além disso, ajudam na formação de queratina da pele, cabelo e unhas, deixando-os macios e sedosos.

Benefícios da flutuação

Para Diego, a flutuação voltou a ganhar popularidade a partir de 2010 principalmente por cuidados com envelhecimento precoce e pela busca por bem-estar e também pelo subjetivo, estados alterados de consciência, melhora no foco, disciplina, desempenho cognitivo e paz interior.

O Vector Equilibrium trabalha com “tecnologias de inovação social”. Em outras palavras, busca trazer evolução para o ser humano em uma época onde a sobrevivência é valorizada. Pense na sua rotina: há grandes chances de que você trabalhe ou estude muitas horas por dia e tenha pouco – ou nenhum tempo – para fechar os olhos e alcançar um estado de contemplação. Seus pensamentos e ideias provavelmente estão tomados por metas a serem cumpridas e problemas a serem resolvidos.

“São poucos os casos em que há sincronia entre evolução e sobrevivência —  esse seria o mundo ideal”, diz Diego. “Quando as condições do meio são muito intensas vamos priorizar a sobrevivência. É como uma plantinha. Quando ela sente a diminuição da pressão desse ambiente, consegue dar frutos, flores e novas sementes”, comenta.

Nós funcionamos da mesma forma na opinião de Diego:

Temos nossos dons e talentos, que estão no nosso cérebro, mas as condições do meio muitas vezes impedem que a gente os manifeste e desenvolva. Ficamos atrás da sobrevivência quase na totalidade do tempo.

Para quem já medita, experimentar a flutuação pode potencializar esse estado e auxiliar na prática. Para quem nunca meditou, é um bom jeito de buscar autoconhecimento e relaxar da pressão cotidiana.

Foto: Divulgação

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Para usar o tanque de flutuação, é preciso contribuir com cerca de R$120 para manutenção da sala e também das pesquisas desenvolvidas pelo instituto, que pretendem saber mais sobre a prática. O preço pode variar de acordo com a procura: quanto mais gente usar, mais barato fica.

O Vector Equilibrium fica na rua Manuel Jacinto, 823, Vila Sônia.

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