Esquece de tudo? Veja truques e dicas para melhorar a memória
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Esquece de tudo? Veja truques e dicas para melhorar a memória

Pedro Katchborian em 15 de fevereiro de 2017

Segundo o dicionário Michaelis, a memória é a “faculdade de lembrar e conservar ideias, imagens, impressões, conhecimentos e experiências adquiridos no passado, e a habilidade de acessar essas informações na mente”. Porém, a memória biológica — essa aí que está dentro do seu cérebro — costuma ser falha e pouco confiável. Você com certeza conhece uma pessoa (ou um peixe… Dory, é você?) que diz não ter uma memória boa e que esquece de tudo.

Apesar de algumas pessoas realmente terem mais problemas de memória e concentração do que outras, em geral a memória humana não é das melhores.

No entanto, há, sim, alguns truques e exercícios para melhorar a sua memória. Não é garantia que você vai ser capaz de lembrar daquele número de telefone de cor — afinal, quem lembra nos dias atuais? –, mas o cérebro pode ser treinado para que as chances de esquecimento sejam menores.

Quais são os tipos de memória que existem?

Antes, vale entender os tipos de memória que existem. Há alguns debates na ciência e na psicologia sobre quais são os tipos de memória, mas normalmente elas são definidas em duas: memória a curto prazo e memória a longo prazo.

As duas trazem algumas ramificações: por exemplo, a memória a curto prazo costuma englobar a memória visual, que te ajuda a lembrar o que você acabou de comer, por exemplo. Como afirma a Scientific American, você pode ser capaz de lembrar o que comeu hoje, mas é improvável que se recorde de uma refeição de duas semanas atrás.

Por que você não lembra das coisas que precisa?

Onde você estava quando aconteceu o 11 de setembro? Lembra? É bem provável que sim, pois é normal recordar de eventos marcantes. Surpreendente mesmo é como grande parte das pessoas tem lembranças falsas e erradas em relação aos detalhes do que aconteceu nesse dia. Como os eventos marcantes envolvem mais emoção, eles têm mais chances de serem distorcidos pela mente. É por isso que testemunhas oculares não costumam ter informações tão precisas.

Uma das causas dessa mudança na memória ou até do esquecimento de um fato é a relação afetiva que existe com uma lembrança. Pense em uma recordação boa: o primeiro beijo com um amor, uma festa muito divertida, o seu casamento — o que for. Temos uma tendência em reforçar a positividade das memórias que encaramos como boas — e o contrário acontece com as lembranças negativas. Estamos constantemente mudando as memórias para que se encaixem melhor com o sentimento que elas trazem consigo.

Outra razão para acabar esquecendo de tudo é que acabamos confiando muito na memória. Um estudo publicado pelo The Journal of Experimental Psychology e divulgado pelo Gizmodo mostra que temos uma tendência em acreditar em nossas memórias. Por isso que às vezes as pessoas não anotam uma ideia brilhante, já que elas duvidam que esquecerão de algo que julgam tão importante.

Só de ter a noção de que a sua memória pode falhar vai fazer você ficar mais atento e não confiar tanto nela. Consequentemente, vai anotar fatos e ideias importantes.

Em um outro artigo, de 2008, a Scientific American explica por que acabamos esquecendo tanto. Um estudo mostrou que a memória costuma falhar sempre quando precisamos dela. “Se nos mostram um objeto, nós podemos dizer com precisão se já o vimos antes. Mas se estamos em uma loja de brinquedos e precisamos lembrar o que o nosso filho quer de aniversário, no entanto,  precisamos procurar voluntariamente pela memória para ter a resposta certa — sem ser ajudado por um lembrete visual. Parece que esse mecanismo de procura voluntária está ligado ao esquecimento”, diz.

Fatores que podem piorar a sua memória

Se nossa memória já não é boa, há alguns fatores que podem piorá-la. O uso de drogas — lícitas ou ilícitas — podem te fazer esquecer daquela reunião importante de trabalho. Maconha e álcool, por exemplo, afetam o sensório, uma região do cérebro, o que pode afetar a sua memória. Outros fatores que podem afetar a sua habilidade de recordar são o estresse e outras doenças mais graves, como insuficiência cardíaca, doença renal crônica, ansiedade, depressão e outras.

Exercícios e truques para melhorar a memória

De treinar o seu cérebro para conseguir lembrar de alguns fatos importante a decorar longos poemas, há vários exercícios para a memória. Antes de praticar, lembre que a memória não deve ser imaginada como um cofre que guarda informações. Para Ingrid Wickelgren, da Scientific American, a memória é mais uma teia:

É como uma costureira que tece as informações para que se tornem algo que faça sentido.

Ou seja, uma boa memória não é a que guarda uma quantidade grande de informações, mas sim aquela que pode compreender o que é útil e o que é esquecível.

Truques e exercícios para melhorar a memória

Use o “palácio da memória”

Dean Peterson, em um vídeo da Vox, logo diz: “somos ineficientes ao criar mecanismos para lembrar”. Ficar repetindo, anotar algo e outros métodos acabam não funcionando. “É porque nosso cérebro não corresponde bem a força bruta”, afirma. Lembra de que “procurar voluntariamente por uma memória não funciona”? É o mesmo princípio.

Peterson, aliás, diz no começo do vídeo que constantemente esquece de aniversários e nomes. No entanto, ele conseguiu decorar um capítulo inteiro do livro Moby Dick. Como? Contexto. Para realizar o feito, Dean usou uma técnica muito conhecida: o Palácio da Memória. Enquanto somos ruins em memorizar informações aleatórias — como o nome daquele ator famoso –, somos muito bons em lembrar de pessoas, fatos ou objetos com contextos — como lembrar de faces ou até mesmo o caminho até uma loja, sem nem pensar duas vezes.

O motivo é que a mesma parte do cérebro que está envolvida com emoção e navegação espacial também controla o processo de memória de curto e longo prazo. O palácio da memória é uma maneira de combinar os dois.

Basicamente, essa técnica consiste em associações. No caso de Dean, ele dividiu o capítulo de Moby Dick em frases e associou uma imagem para cada uma delas. Por exemplo, se o trecho fala de um cachorro, tente imaginar o animal dentro do espaço. Para ir decorando, Dean foi colocando cada uma dessas imagens no seu “palácio”, o apartamento dele, no caso, pois o palácio deve ser sempre um espaço que você conhece muito bem, e foi percorrendo o espaço mentalmente. Depois de treinar, ele recita o capítulo no final do vídeo.

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São técnicas como essa que ajudam campeões mundiais de memória — sim, existe um campeonato mundial de memória — a, por exemplo, recordar da sequência de um baralho em apenas 40 segundos. Alex Mullen, um desses campeões, utiliza a técnica do palácio e associa números a sons, que funcionam como “códigos fonéticos”.

“O sete é um som de ‘guh’, três é um som de ‘muh’. Dois é um som de ‘nuh’. Guh, muh, nuh'”, afirma para o The New Yorker, explicando que ao comprimir esses números em sons e formar “algum tipo de palavra” ele auxilia seu cérebro nessa memorização radical.

Essas técnicas parecem mirabolante e até inúteis, já que decorar capítulos ou sequências de baralho pode parecer impressionante, mas não tem lá muita utilidade — a não ser que você queira ser campeão mundial de memorização. A questão é que Dean, da Vox, mostra estudos que mostram que estudantes adeptos da técnica do palácio têm desempenho melhor e “de maneira significativa” dos que não utilizam. Portanto, a curto e longo prazo essas técnicas trabalham o cérebro para melhorar a memória de maneira útil.

Pratique exercícios físicos

Não, você não precisa utilizar o palácio para melhorar a sua memória. Entre os tantos benefícios dos exercícios físicos, melhorar a habilidade de recordar é um deles. Segundo estudos publicados no The Journal of Aging Research, a atividade física tem grande papel na memória, ajuda a melhorar as funções cognitivas, que por sua vez levam a um aumento da capacidade de armazenamento e de recuperação das lembranças.

Pratique atividades mentais

Quanto mais você exercitar o seu cérebro, mais ele será capaz de fazer associações e melhor a sua memória será. Há alguns jogos clássicos que podem auxiliar nesse processo: damas, xadrez,
caça-palavras, palavras cruzadas e quebra-cabeça são os principais exemplos.

Prefere algo mais moderno? Vários estudos já comprovaram que jogar videogame podem ter uma importante função para melhorar a memória. Além dos videogames, você pode procurar aplicativos que podem te ajudar a treinar o cérebro, como o Elevate e o Peak.

Recém-chegado no Brasil na versão em português, o Lumosity é um aplicativo de treino cerebral que identifica os pontos que o usuário precisa desenvolver e trabalha esses pontos por intermédio de treinos criados por cientistas e transformados em games por designers. Em versão app e também para navegador, o programa é freemium, isto é, você tem acesso a alguns treinos gratuitamente, mas para usar a ferramenta completa, precisa pagar.

Durma bem

As chances de você ter uma boa memória sem dormir o necessário são pequenas. A relação entre a capacidade de recordar e uma boa noite de sono é cada vez mais clara para os cientistas. Quem dorme pouco terá problemas de memórias a curto prazo, além de problemas de concentração e resolução de problemas.

Como define o The New York Times, baseado em estudos: “Durante o sono, novos caminhos da memória e do aprendizados são codificados pelo cérebro, e o sono adequado é necessário para que estes caminhos funcionem de maneira otimizada. As pessoas que estão bem descansadas têm melhores condições de aprender uma tarefa e estão mais aptas a lembrar o que aprenderam”.

Alimente-se corretamente

Talvez a inclusão de alguns ingredientes na sua dieta possam ajudar a melhorar a memória. Pesquisas mostram que peixes ricos em ômega 3 como salmão e atum podem ajudar. Vegetais com folhas escuras como espinafre e brócolis, abacate, sementes de girassol, amendoim e vinho são outros alimentos que podem ajudar a tornar a sua memória melhor.

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