Alessando Matero: o empreendedor paulistano de esportes aquáticos
Alessandre Matero
Foto: Clube de Canoagem Matero/Divulgação
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Alessando Matero: o empreendedor paulistano de esportes aquáticos

Camila Luz em 27 de abril de 2016

Alessandro Matero é um paulistano bem-sucedido e seu escritório fica de frente para a Marginal Pinheiros. Até aí, sem novidades. Mas há três diferenças fundamentais entre ele e outros empresários de sucesso: o seu espaço de trabalho é uma raia olímpica com 2km de comprimento, seus instrumentos são pranchas e seu ramo são os esportes aquáticos.

Para trabalhar, nada de terno e gravata. Bermuda e chinelo são o traje do dia a dia. Nos braços, muitas tatuagens com temas marítimos. Amendoim, como é conhecido pela família e amigos, morou na Califórnia (EUA) por 12 anos e foi responsável por trazer o Stand Up Paddle (SUP) para o Brasil. Hoje, é um dos grandes nomes de SUP e canoa havaiana no país.

Matero é um empreendedor aquático. É dono do “Clube de Canoagem Matero”, onde acontecem treinos de grandes atletas e aulas. Mesmo longe do mar, é um dos maiores do Brasil, com 150 associados.

O clube fica na raia olímpica da USP, onde a água é natural e limpa. Apenas um muro separa o canal do tumulto da marginal Pinheiros. Matero conta que nunca desejou estar do outro lado. Foi nessa bolha de paz e natureza onde conseguiu manter seu estilo de vida ligado aos esportes e fazer dele seu sustento.

Esportes aquáticos na cidade de pedra

Encontrar um empreendor aquático em plena São Paulo é, no mínimo, inesperado. Matero conta que gostaria de morar em outra cidade brasileira, na beira do mar. Mas as oportunidades estão na capital.

Voltou da Califórnia para o Brasil em 2002, para ficar perto da sogra, que passava por complicações de saúde. Naquele ano, a canoa havaiana tinha acabado de chegar no Brasil e era pouco conhecida aqui. O atleta já tinha tido contato com o esporte no Havaí, onde trabalhou como mecânico de bicicletas no Ironman (prova de triathlon).

O professor Carlos Bezerra, um dos responsáveis por modalidades esportivas do CEPEUSP (Centro de Práticas Esportivas da USP), trouxe uma canoa para a raia olímpica e convidou Matero para assumir a canoagem no local. “A partir de então, não parei mais e fiz a canoagem acontecer em São Paulo”, conta.

É uma situação engraçada, pois é um esporte oceânico. Mas ele pode ser praticado em qualquer superfície aquática. É possível remar em águas paradas ou em um mar do avesso, com ondas altas, de dez metros, e ventos fortes, de 64 km/h.

 

SUP e canoagem no Clube de Canoagem Matero

Foto: Clube de Canoagem Matero/Divulgação

O SUP veio depois. As pranchas foram trazidas para o Brasil em 2007 por um amigo, Pipo, dono da empresa GZero Tech.

Matero havia conhecido o SUP no Havaí, quando fez a travessia entre as ilhas Molokai e Oahu de canoa. Por isso, foi a primeira pessoa em quem Pipo pensou. Ele seria o profissional mais indicado para impulsionar o esporte em São Paulo.

Leia mais: Conheça o SUPilates, exercícios de pilates praticados em cima de uma prancha

 

Desde 2007, Matero se reveza entre o escritório no Brasil e o Havaí, onde participa das provas de SUP e canoagem. É um dos brasileiros que participou mais vezes da travessia Molokai-Oahu, a mais importante do país.

“Caiçara paulistano”

Matero nasceu e cresceu na capital paulista, mas sempre esteve dentro d’água. Seu avô e sua mãe foram nadadores oceânicos e seu avô foi um dos primeiros canoístas do Brasil.

Passou a infância em Santos (SP), onde o avô materno o estimulou a praticar esportes aquáticos, dando pranchas, caiaques e barcos. “Desenvolvi habilidades aquáticas e tive muito contato com o mar. Isso sempre me fez bem”, conta Matero. Envolvido no mundo dos esportes desde criança, cresceu e se tornou um atleta ligado a diversas modalidades. A lista é longa, mas já praticou atletismo, triathlon, canoagem, mountain bike, skate e surf.

Em 1996, era triatleta. Como todo jovem que pratica esportes de ação, queria ir para a Califónia. Em San Diego, terminou o curso de administração que havia começado no Brasil. Depois, rumou para a Educação Física e se especializou em performance esportiva.

Por quase 12 anos, morou nos EUA. Matero conta que esse período na Califórnia fez com que se afastasse de vez dos trabalhos tradicionais. “Isso mudou a minha vida em todos os sentidos. Em estilo e em direcionamento profissional”, diz.

Conseguiu respeitar suas vontades e chega aos 42 anos do jeito que gostaria: ganhando dinheiro em São Paulo em cima de uma prancha aquática, na beira da Marginal. “Me sinto uma pessoa privilegiada por viver do que gosto, que é ensinar as pessoas a remar. Quero mostrar a elas que a vida pode ser boa, independente de onde você mora”, conta.

Linha de pranchas Matero

Oswaldo Matero é pai do Alessandro e foi serralheiro a vida inteira. Quando o filho voltou dos EUA e começou a trabalhar com canoagem, Oswaldo passou a usar suas habilidades manuais para outra coisa: fabricar remos.

Pai e filho são donos da marca Matero. Oswaldo faz os remos e Alessandro as pranchas. “A vida do meu pai também mudou por causa da canoagem. Antigamente ele era só o pai do Amendoim, hoje ele é o Seu Matero, que fabrica os remos”, brinca.

O empreendedor conta que seu negócio mudou a vida da família inteira. “Hoje, meu pai acredita numa vida melhor, com mais saúde e qualidade. Ele até tatuou um remo no braço. Antes, era totalmente contra piercings e tatuagens”, revela.

A pergunta que não quer calar, no entanto, é a seguinte: por quê Amendoim? Matero conta que, quando pequeno, era bronzeado e tinha o cabelo bem claro, por causa do excesso de sol. Daí veio o tal apelido.

Você já pensou em praticar Stand Up Paddle, Canoagem ou outros esportes aquáticos em São Paulo? Conte para a gente.

 

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