CCXP 2016 além dos grande paineis: dois olhares sobre o evento
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Foto: Flavio Battaiola
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CCXP 2016 além dos grande paineis: dois olhares sobre o evento

Redação em 5 de dezembro de 2016

É inegável a dimensão da Comic Con Experience, também conhecida como CCXP. Ao adentrar no enorme pavilhão, pessoas se sentiam perdidas. Cada estande no setor térreo do São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes, brigava pela atenção das milhares pessoas, esforçando-se ao máximo para dar sentido ao slogan do evento em 2016: “vai ser épico”. As proporções, de fato, foram épicas: estima-se que 180 mil pessoas passaram pelo evento em seus quatro dias em um espaço de mais de 115 mil metros quadrados.

Os repórteres Kaluan Bernardo e Pedro Katchborian estiveram presentes no evento e relatam um pouco de como foi a experiência do que conseguiram acompanhar. Ambos foram na Comic Con Experience pela primeira vez.

CCXP 2016: a primeira a gente nunca esquece

No primeiro dia de evento, já foi possível ter noção da adesão da feira: muito antes das 12h, momento em que os portões se abriram, já havia uma enorme fila para retirar credenciais. Aliás, foi uma das principais reclamações dos visitantes. Na quinta-feira, pessoas chegaram a esperar três horas somente para entrar na CCXP. Também foi no primeiro dia que aconteceu uma homenagem a Renato Aragão pelo seu trabalho na TV. O comediante aproveitou o evento para anunciar a volta dos “Trapalhões” na Rede Globo.

Assim que entravam, já davam de cara com enormes estandes da HBO, que dava atenção à “Game of Thrones” e ao recente sucesso “Westworld”. Outras, como Fox, Paramount, Netflix, Nickelodeon angariavam centenas de pessoas — seja para sentar por alguns segundos no Trono de Ferro, seja para tirar uma simples foto em um cenário do novo filme do Homem-Aranha. Outros, mais ousados, como a Paramount, ofereciam uma pequena oficina de Parkour para promover o filme “Assassin’s Creed”, que chega aos cinemas em 2017.

“Passados 30 minutos somente para se situar no evento e entender onde estava cada atração, busquei o que havia de mais interessante. Enquanto as atrações do Auditório Cinemark tinham apelo popular — o que há de mais pop do que um painel com Vin Diesel? — os outros mostravam uma programação mais nichada”, conta Pedro.

A grandeza e abrangência do evento possibilitava isso: cada um construía sua própria experiência. É fã de youtubers? Gosta de Bob Esponja? Fã de games? Ama super-heróis? Curte quadrinhos? Faz cosplay? Todo o espectro da cultura pop estava coberto de alguma forma, o que tornou a Comic Con Experience 2016 um evento para todos: pais, filhos, amigos, casais…

A experiência com os painéis —ao menos o Auditório Ultra, que tinha mesas mais direcionadas —na quinta-feira, foi tranquila. Raramente existia uma fila para o auditório, que não esteve lotado em nenhum momento do dia.

“Um dos painéis que acompanhei trouxe Cao Hamburguer, criador do Castelo Rá-Tim-Bum, para uma interessante conversa com Paulo Silvestrini, diretor de novelas. Os dois discutiram a programação da TV brasileira e as produções infanto-juvenis, debatendo o sucesso do Castelo Rá-Tim-Bum e o que esperar da temporada de Malhação em 2017, que terá o roteiro de Cao Hamburger”, conta Pedro.

O enorme pavilhão comportava, até com certa tranquilidade, as milhares de pessoas. As grandes praças de alimentação apresentavam a variedade da tapioca ao hambúrguer e davam conta do público. Ao contrário de muitos eventos, não se aguardava muito para comer e quase sempre existiam mesas para sentar e relaxar as pernas.

Segundo Pedro, foi ainda em um vazio auditório Ultra que os youtubers Rodrigo Fernandes (Jacaré Banguela), Pyong Lee, Luba (Luba TV) e Lully (Lully de Verdade) contaram histórias de como se tornaram creators e faziam para seus canais crescerem. A mesa foi seguida por uma apresentação da Chiaroscuro Studios, uma das maiores agências de quadrinistas do mundo. Artistas falaram sobre suas obras, a relação com editoras e o que esperar do mundo dos quadrinhos para os próximos anos.

CCXP Foto: Carolina Vianna

Foto: Carolina Vianna

O apelo consumista da CCXP era claro: lojas e mais lojas vendiam de tudo um pouco — bonecos colecionáveis, camisetas, jogos de tabuleiro, chaveiros, tudo com um apelo nerd e geek. Enquanto algumas lojas davam um preço promocional, algumas aproveitavam o alto número de visitantes para aumentar o valor das mercadorias. A fila também chegava às lojas: na de Star Wars, por exemplo, era necessário aguardar pelo menos 20 minutos ou mais para entrar. O mesmo na de Harry Potter, que vendia até uma réplica da vassoura de Harry Potter por R$ 3 mil.

Para Kaluan, chegar na CCXP foi relativamente fácil. Do metrô Jabaquara saíam ônibus que levavam os visitantes direto da estação ao evento. Na sexta-feira, praticamente não haviam filas para pegar os ônibus, que passavam a cada cinco minutos. E para quem quisesse ir embora de Uber ou táxi, também havia um espaço destinado ao embarque e desembarque.

CCXP Foto: Flavio Battaiola

Foto: Flavio Battaiola

Entrar na CCXP também foi surpreendentemente simples nos dias seguintes ao da abertura. “Esperava filas gigantescas, mas tudo o que encontrei foi um longo e organizado caminho feito com grades. Isso não significa que a feira estava vazia. Estava cheia”, conta Kaluan. As maiores concentrações de pessoas eram nas filas dos estandes — principalmente os da HBO — e no auditório Cinemark, onde algumas das estrelas da TV e do cinema participavam de conversas e entrevistas.

No mezanino estavam os auditórios Ultra e Prime, menores que o Cinemark, mas onde haviam diversas discussões sobre conteúdo, com nomes conhecidos como PC Siqueira (Mas Poxa Vida), Maurício Cid (Cid Cidoso), Tavião (Rolê Gourmet), Marco Castro (Castro Brothers), e Nathalia Arcuri (Me Poupe).

“Essa conversa foi deveras interessante e mostrou o quanto a produção de conteúdo amadureceu desde os imemoriais tempos de Orkut. Se um dia ser youtuber significou gravar qualquer coisa com uma câmara amadora, falar bobagens para adolescentes ou ficar famoso sem precisar de conteúdo, hoje as coisas não são assim”, afirma Kaluan.

Na verdade, alguns dos participantes rechaçavam o título de youtuber e preferiam se ver simplesmente como empreendedores ou produtores de conteúdo.  Eles veem seu trabalho muito além da plataforma. Na verdade, sabem que, tal como um investimento financeiro, o conteúdo é feito para se diversificar. Sinal do amadurecimento do ecossistema de criadores era o fato de Cid já ter entrevistado candidatos à presidência, enquanto Nathália entrevistou os que disputavam  a prefeitura de São Paulo.

Brian Azzarello Foto: Andre Conti

Brian Azzarello Foto: Andre Conti

Outra mesa interessante: o peculiar Brian Azzarello, um dos grandes roteiristas da DC Comics, responsável por grandes histórias de “Super Homem”, “Mulher Maravilha” e “Batman” deu uma “master class“.

Em um papo com um tom bastante informal, o roteirista conversou com fãs e compartilhou algumas de suas principais inspirações e deu lições sobre a independência do artista. Para Brian, seu trabalho é bom quando metade das pessoas odeia o que fez e outra metade ama. Já que você nunca conseguirá agradar a todos, o importante é que seus personagens sejam humanos, com motivações reais.

CCXP é casa dos cosplays

Em todos os dias de evento haviam diversas crianças acompanhadas pelos seus pais. Mas também haviam pais que pareciam acompanhados por seus filhos. Em um momento, uma moça ficou implorando para sua pequena tirar foto com uma personagem que ela era fã, mas a menina não estava nem aí.

Falando em famílias e personagens, os cosplays realmente eram o ponto alto da festa nerd. Haviam várias fantasias muito bacanas e criativas.  Os preferidos entre o público era o casal de vilões Coringa e Arlequina. Também vale o destaque para algumas Elevens, de Stranger Things, além de várias Reys, do novo Star Wars. Até o Japonês da Federal esteve presente e parava para tirar fotos. Destaque para esse casal da foto imitando personagens do desenho “Coragem: o cão covarde”.

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Foto: Reprodução

Em uma segunda rodada de painéis no mezanino — todos eles falariam, em algum grau, sobre quadrinhos. No primeiro, Maíra Testa, produtora do game “Turma do Chico Bento”; Edh Müller, desenhista do jogo “Tormenta”; Saulo Camarotti, diretor da Behold, responsável por “Chroma Squad”; e Caio Chagas, de “Soul Gambler”, discutiram as intersecções entre os quadrinhos e videogames.

Dentro desse campo transmídia as possibilidades infinitas, acredita Kaluan. Maíra escreveu histórias para o jogo de Chico Bento e depois viu seus roteiros serem publicados como quadrinhos; Saulo e sua equipe criaram uma HQ para Chroma Squad que foi essencial para criar expectativa com o jogo e fazer dele o mais bem sucedido game no crowdfunding brasileiro; Caio desenvolveu um jogo que é um quadrinho, ou um quadrinho que é um jogo, mostrando uma forma completamente nova de se criar e contar histórias. 

Por fim, em outra mesa,  sobre quadrinhos brasileiros, contou com Andre Diniz, Marcelo Quintanilha, José Aguiar e Marcelo D’Salete — todos reconhecidos quadrinistas nacionais. Eles mostravam que, apesar das diferenças entre artistas, os quadrinhos nacionais já conquistaram sua identidade e estética.

Mas no final da mesa, José fez um apelo: o quadrinho brasileiro não está de vento em popa, ele continua precisando do apoio de seus leitores. Não por acaso, bem no coração da feira, a Artist’s Alley reunia quadrinistas e ilustradores brasileiros — dos menores e independentes aos maiores e conhecidos. Com preços que variavam entre R$ 15 e R$ 90, os quadrinhos vinham todos com um toque pessoal: a conversa e o autógrafo com o autor. Os estandes estavam relativamente movimentados, mas alguns autores chamavam muito mais gente que outros. Naturalmente, a maior parte do público procurava na feira os grandes autores estrangeiros, mas era muito bacana ver um espaço bom para os artistas nacionais.

Mesmo com sua lotação máxima durante quase toda CCXP, o pavilhão ainda comportava todos, mesmo que um pouco mais apertado. As grandes atrações, como as armaduras do Cavaleiros do Zodíaco e a escola de atores da Netflix, atraíam centenas de maneira simultânea.

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CCXP 2016 Foto: Pedro Katchborian

Os principais painéis de sábado traziam sucessos da Disney, Netflix e outras grandes produtoras. Final de semana é sempre mais pop. Tudo no Auditório Cinemark, que recebeu grande público. O principal destaque do dia ficou por conta da presença de Evanna Lynch, a Luna, da saga Harry Potter. Mas se na quinta-feira os outros auditórios pareciam vazios, no sábado já era diferente. O Ultra recebeu grandes atrações como o ator de Arrow, o produtor de Supernatural e o mestre dos quadrinhos, Frank Miller. 

Foi no sábado também que as pessoas levaram o maior susto da feira: devido aos fortes ventos na região, parte do teto da área destinada às fotos e autógrafos desabou, mas ninguém ficou ferido.

Voltando aos painéis: o Auditório Ultra recebeu também convidados interessantes durante uma apresentação da produtora o2 filmes: Dedé Santana foi muito aplaudido ao falar sobre o filme “Repartição do Tempo” e o mesmo aconteceu com Andreas Kisser e o Sepultura, que estiveram no debate para falar sobre o documentário da banda, que chega aos cinemas em breve.

Paulo Morelli e Paulo Barcellos Foto: Flavio Battaiola

Paulo Morelli e Paulo Barcellos Foto: Flavio Battaiola

CCXP: além de quadrinhos, muitos games

No sábado, foi possível dar mais atenção para a parte de games da feira. O Twitch montou uma enorme arena em que era possível assistir à disputa de eSports como CS:GO. Os painéis sobre games também chamaram a atenção: Marcos Mion esteve em um para discutir como a tecnologia e os games auxiliam os autistas (seu filho sofre da condição). Ele teve a companhia de Keith Stuart, editor de games do The Guardian e autor do livro “O Menino Feito de Blocos”, que expõe a relação com seu filho autista e como eles se comunicam através de “Minecraft”.

Outro interessante painel sobre games também ocupou o Auditório Ultra: Navid Khonsari, que já trabalhou na Rockstar com títulos como GTA, falou sobre a sua missão com seus verité games: jogos que se baseiam em acontecimentos reais e buscam educar as pessoas. Navid mostrou um pouco sobre o “1979”, que fala sobre a revolução iraniana.

Em quatro dias, o evento recebeu milhares de pessoas, dominou as redes sociais, teve anúncios de grandes estúdios e conseguiu trazer grandes celebridades, tornando-se um dos maiores eventos de cultura geek e pop de todo o mundo. É esperar ansiosamente para 2017.

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