Como é viajar o mundo trocando trabalho por hospedagem
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Foto: Istock/Getty Images
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Como é viajar o mundo trocando trabalho por hospedagem

Kaluan Bernardo em 10 de dezembro de 2016

Um bom jeito de viajar sem gastar dinheiro é trocando seu trabalho por hospedagem. Hostels, organizações sociais, fazendas orgânicas, escolas de idiomas e diversos outros estabelecimentos permitem esse tipo de troca. Muitas delas são intermediadas por plataformas como Workaway e a brasileira Worldpackers.

Esses sites conectam pessoas dispostas a trocar trabalho por moradia a lugares com estrutura para essa troca. É um jeito de, além de economizar grana, entrar em contato com diversas culturas, conhecer pessoas variadas e garantir, com mais facilidade, um ano sabático para conhecer o mundo, entre outras viagens.

E não pense que você não tem nada de útil a oferecer a tais lugares. É possível trocar os mais diferentes tipos de trabalho, como gerenciar redes sociais, ajudar a cozinhar, a plantar, a atender pessoas, a ensinar crianças e muito mais. Basta se inscrever na plataforma, escolher seu destino, ver os lugares que estão precisando de ajuda, negociar com eles e partir.

Como é a experiência de viajar o mundo trocando seu trabalho por hospedagem em três relatos

Conversamos com três brasileiras que já usaram esse tipo de plataformas para viajar o mundo e nos contaram como é. Maria Zelada, por exemplo, guardou dinheiro do estágio por um ano e conseguiu passar quase um ano na Inglaterra e fazer uma pequena viagem pela Itália.

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Maria Zelada Foto: Arquivo Pessoal

Seu primeiro destino foi Londres, em 2015. “Cheguei lá sem emprego, com uma indicação de uma amiga de uma amiga de minha mãe, que me ofereceu um flat para usar por 15 dias”, conta. Maria tinha juntado R$ 10 mil para comprar as passagens e viver na Inglaterra. Em três semanas, mesmo sem emprego, resolveu arriscar e alugar um quarto para si.

“Pensei: ‘se eu ficar mais desesperada porque tenho que pagar o quarto, vou achar trabalho'”, e assim conseguiu trabalhar na cozinha de uma lanchonete. Seu objetivo inicial era começar a conquistar mais estabilidade e construir uma vida em Londres. Mas, um amigo apareceu com outra oportunidade: mudar-se para Birmingham e trabalhar fotografando objetos indígenas para uma loja e galeria. Em troca, ganharia hospedagem e uma pequena contribuição financeira que seria suficiente para sobreviver. Ela aceitou.

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Três meses depois resolveu utilizar a plataforma Workaway e conheceu o dono de uma caravana. Lá viveu com três meninos e três meninas e passava os dias lixando a caravana, limpando garagens, cortando mato e até construindo parede de pedra. Em troca, ganhava refeições e hospedagem nas caravanas. “Foi um estado de calma não ter que me preocupar em pagar aluguel misturado a um certo desconforto: se eu precisasse de um sapato, como compraria?”, comenta.

Ficou nessa por mais três meses até que voltou a Londres para trabalhar em um hostel. Nesse período todo, contava apenas com apoio emocional dos pais. Sentiu frio na barriga, na verdade ansiedade, mas, segundo ela, nada diferente do que sente em São Paulo. “Essa segurança que tenho aqui no Brasil muitas vezes permite que eu exija menos de mim. Não sei o quanto isso é positivo. Lá, não achar emprego significava não ter como pagar quarto, comida e voltar pra cá. É mais solitário, mas é mais dinâmico”, diz.

Por fim, um conselho: “A viagem só acontece de fato se você for. Parece óbvio, mas não adianta tentar avaliar como vai ser pelos relatos alheios. Pra ir só tem um jeito: ir”, diz.

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Tatielle Jorge Foto: Arquivo Pessoal

Outro caso interessante é o de Tatielle Jorge, que está há uma semana trabalhando em um barco em Amsterdã. Sua experiência acaba de começar, mas suas opiniões são um tanto parecidas.

Ela se inscreveu pelo Worldpackers e faz as redes sociais para o estabelecimento. Em troca, ganha moradia. De resto, gasta o dinheiro apenas para alimentação — o que segundo ela não chega a 5 euros por dia cozinhando no barco.

“Ainda estou aprendendo muito, principalmente sobre mim e sobre diferentes modos de vida. Muita gente já não compra mais os discursos que nossos pais compraram — de escolha uma profissão, trabalhe para conquistar, tenha uma família aparentemente feliz etc. As pessoas quererem viver agora, não acumulando. Pude descobrir outras habilidades minhas e está sendo incrível”, comenta. Ela também ficará nesse barco por três semanas. Em seguida irá para Berlim. Mas não sabe muito mais que isso: irá descobrir a viagem na própria jornada.

Há quem goste tanto desse estilo de vida que, mesmo após vivê-lo, continua a ganhar a vida incentivando outros a fazerem. É o caso de Andira Medeiros, que passou dois anos usando as plataformas Worldpackers e Workaway e já viveu em 21 países como Portugal, Indonésia, Reino Unido, Croácia, Bulgária e Tailândia.

Andira Medeiros

Andira Medeiros Foto: Arquivo Pessoal

Saiu em 2014 porque queria viajar o mundo. Conheceu os fundadores da Worldpackers — que na época estava apenas começando e resolveu usar a plataforma. “Fui bastante impulsiva. Em menos de um mês já havia terminado um relacionamento de quatro anos, vendido tudo o que tinha e me mudado de volta para São Paulo. Não tracei nenhum plano, fui seguindo minhas vontades”, comenta.

Foi primeiro a Londres, onde sentiu certo desconforto cultural. “Era a primeira vez que eu pisava fora do Brasil e, apesar de ser fluente em inglês, estar rodeada constantemente por pessoas que não falam meu idioma nativo foi desafiador. Aos poucos, fui me adaptando e entendendo que os ingleses não são tão calorosos como os brasileiros”, diz.

Na viagem ela também abasteceu seu blog “Sexo, viagens e rock’n roll” onde conta suas experiências. Diz que algumas vezes trocou trabalho estritamente por hospedagem; em outras usou couchsurfing para conseguir acomodação gratuita; e em outras conseguiu mais do que apenas acomodação. “Se você fizer um bom trabalho na sua área, poderá até ser contratado como freelancer. Já trabalhei assim como escritora de conteúdo para redes sociais ou para montar departamentos de marketing digital. Tudo depende da sua bagagem profissional e da sua negociação”, diz.

Hoje, de volta ao Brasil, ela está trabalhando para a a Worldpackers. O conselho dela é semelhante ao das outras meninas: “Viajar o mundo não vai ser fácil. Exige muita força de vontade, jogo de cintura e dedicação para não ficar saudosa demais, ou sozinha demais. Mas a partir do momento em que você se permite experimentar novos sabores, explorar diversas ruas e ficar atenta a tudo o que acontece ao seu redor, tudo se torna instigante. Eu diria para você se planejar, poupar dinheiro e comprar uma passagem só de ida. Sua barriga vai doer, sua cabeça vai ficar pensando em mil e uma situações, mas o mundo é tentador demais. Tem muita coisa fora da nossa zona de conforto para ser explorada e cabe a você criar coragem para realizar esse sonho”, finaliza.

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