Esportes radicais: a origem, quais são e onde praticar no Brasil
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Foto: Istock/Getty Images
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Esportes radicais: a origem, quais são e onde praticar no Brasil

Pedro Katchborian em 5 de abril de 2017

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Escalar montanhas com metros de altitude, pular de prédios ou enfrentar rios e suas correntezas… Os esportes radicais desafiam a natureza e reúnem milhares de fãs e praticantes ao redor do mundo. Pensando nisso, criamos um guia sobre como essas atividades surgiram, além de uma explicação científica de porque são tão viciantes e quais as melhores cidades para praticá-los no Brasil.

O que são os esportes radicais e como surgiram?

Esportes radicais — também chamados de esporte de aventura — são atividades que desafiam o limite humano, sendo praticado em condições extremas de altura e velocidade. Por causa desses fatores, são considerados de alto risco físico.

Os esportes radicais são recentes se comparados aos convencionais. O Dangerous Sports Club (Clube dos Esportes Perigosos), fundado na Universidade de Oxford, na Inglaterra, foi um dos pioneiros no assunto. Fundado por David Kirke, Chris Baker, Ed Hulton e Alan Weston, o clube inventou o bungee jump moderno, fazendo os primeiros saltos no dia 1º de abril de 1979, em uma ponte em Briston, na Inglaterra. Logo depois, o clube ousou e fez um salto na famosa Golden Gate, em San Francisco (EUA), para depois fazer um salto televisionado em uma ponte no Colorado, também nos Estados Unidos. O ato foi transmitido ao vivo pelo programa americano That’s Incredible.


Entre outras atividades do clube foram a asa-delta e base jumping. Apesar do conceito dos esportes radicais ter surgido durante as décadas de 70 e 80, boa parte dos esportes já existiam individualmente, como o snowboard, que teve sua primeira versão do esporte em 1965.

A popularização dos esportes radicais alcançou o seu ápice com os XGames, competição desenvolvida pela ESPN e que teve sua primeira edição em 1995. O lançamento dos Extreme Sports Channel, em 1999, também fez os esportes radicais serem mais conhecidos pelo o público.

O que define um esporte como radical?

Não há um padrão para definir se um esporte é radical ou não, mas há algumas características em comum entre essas atividades. Além da velocidade ou altura, normalmente esses esportes são individuais, com raras exceções. Boa parte dessas atividades também se utilizam (e por vezes dependem) da natureza para a sua prática — vento, mar, montanha e neve.

Outro ponto importante da maioria dos esportes radicais é a avaliação. Enquanto boa parte dos esportes competitivos têm seus vencedores definidos por algo objetivo — como pontos, tempo, distância percorrida e etc –, os esportes de aventura costumam ser avaliados com critérios mais estéticos e mais subjetivos.

Quais são os esportes radicais?

Normalmente, os esportes radicais são divididos de acordo com os elementos: há os terrestres, os de água, os aéreos e os de neve (também chamados de inverno).

São dezenas de esportes radicais, e entre eles estão vários com nomes ainda em inglês, mesmo para os brasileiros: bungee jumping, windsurfe, snowboard, parkour, kitesurf, skate, sandboard, voo livre, asa-delta, escalada, parapente, rafting, wakeboard, rapel, mergulho, skysurfing, surfe, motocross, base jumping, mountain bike, paintball, wingsuit e outros. Veja uma lista mais ampla clicando aqui.

Quais são as polêmicas envolvendo esportes radicais?

O alto risco físico dos esportes radicais fizeram as atividades serem postas em dúvida. Segundo um estudo do Centro de Documentação e Informação de Seguros da França, dos oito esportes mais perigosos do mundo, pelo menos metade são esportes radicais. O voo livre é, de longe, o líder do trágico ranking de mortes por número de praticantes: 1 a cada 93. O alpinismo vem logo em seguida, com uma morte a cada 590 praticantes.

Nem os ídolos estão imunes a quedas, lesões séries e mortes. Grandes astros como Bob Burnquist, do skate, e Maya Gabeira, do surfe, tiveram experiências que poderiam ter tido um final pior ainda.

O BASE jump, um dos esportes mais perigosos de todos, sofreu com a morte de Dean Potter, em 2015. BASE jump é o salto de uma estrutura fixa, como um prédio, ponte ou penhasco. Potter era uma celebridade dos esportes radicais e foi o criador do Free Base, que combina habilidades de escalada com o BASE jump.

Em outro estudo, o especialista em estatística David Spielgelhalger, calculou os riscos de vários esportes radicais. Com dados da Associação do Paraquedismo dos Estados Unidos, o britânico comprovou que houve 279 mortes entre 2000 e 2010, de um total de 2,6 milhões de saltos. Esses números comprovam um risco de 10 “micromorts” (unidade que mede o risco de morte de 1 em 1 milhão) por salto.

O BASE jump é pior que isso: considerando apenas a montanha de Kjerag, na Noruega, local popular por ser bom (e seguro) para a prática, foram 20.850 saltos em 11 anos, com um total de 9 mortes e 82 acidentes. Isso totaliza 430 micromorts por salto.

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Base Jump Foto: Istock/Getty Images

Há números piores: a escalada de montanhas de mais de 8 mil metros tem números assustadores: 238 mortes em 20 mil montanhistas — 12 mil micromorts por escalada.

A velocidade e a altura tornam qualquer esporte radical uma prática com um alto risco de mortalidade e de lesões graves. Segundo um estudo da Universidade de Western Michigan, em 11 anos foram mais de 4 milhões de lesões atribuídas à práticas de esportes radicais.

Por que eles são tão empolgantes?

Se há tantos riscos em alguns esportes radicais, porque existem tantos praticantes? O motivo é explicado pela ciência: segundo um estudo de 2009 com os pesquisadores Erik Brymer e Lindsay Oades, os praticantes desses esportes percebem os riscos de uma maneira diferente. “Entre as nossas descobertas está que os esportes radicais estão relacionados diretamente com transformações pessoais que refletem de maneira positiva em outras áreas da vida”, diz.

Já para Michael Bane, autor do livro “Over the edge: a regular guys odyssy in extreme sports”, os esportes radicais têm a capacidade de mudar os seus praticantes:

Um praticante de bungee jump pode ter uma sensação de imortalidade, o que pode levar a efeitos psicológicos que têm consequências positivas na vida como um todo.

Segundo Joachim Vogt Isaksen, o medo — que é uma reação humana natural e um mecanismo para a sobrevivência — é encarado como algo positivo pelos praticantes dos esportes radicais. “É importante ir contra os instintos naturais. A exposição repetida a situações de medo como pontes altas pode levar a uma familiaridade com o perigo e, gradualmente, criar uma resposta emocional mais positiva. Depois de várias experiências, o medo é reduzido, o que leva pessoas a procurarem novos e maiores desafios”, afirma.

Há também uma explicação para o vício que esses esportes podem trazer: a dopamina liberada na prática dessas atividades tem um papel importante para recompensar o cérebro, dando uma sensação de bem-estar. Isso pode causar as transformações pessoais já citadas e até um aumento da apreciação da vida.

Onde praticar esportes radicais no Brasil?

A diversidade do Brasil torna o país um ótimo local para a prática de diferentes esportes radicais — principalmente os de verão, é claro.

Foto: Istock/Getty Images

Algumas cidades espalhadas pelo Brasil se tornaram referência em esportes de aventura. Brotas, em São Paulo, é destaque pelo rafting, arvorismo, rapel e escaladas. Boituva, também em São Paulo, tornou-se a capital do paraquedismo. Jericoacara, no Ceará, é ideal para os praticantes de esportes que dependem de vento, como kitesurf e windsurf.

Bonito, no Mato Grosso do Sul, chama a atenção pelo mergulho e rafting. Na fronteira entre Brasil e Argentina, em Foz do Iguaçu, há o Rio Iguaçu, local que reúne a prática de arvorismo, rafting e escaladas.

E que tal arriscar em esportes mais diferentes ainda? A Chapada Diamantina, na Bahia, tem uma Gruta do Lapão, único lugar do Brasil em que é possível saltar de uma caverna. Blumenau, em Santa Catarina, é referência quando o assunto é mountain bike.

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