O surf também é das mulheres: conheça a Longarina
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Foto: Sunflowers
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O surf também é das mulheres: conheça a Longarina, seu conteúdo e suas trips

Camila Luz em 21 de junho de 2016

O mundo dos esportes é predominantemente masculino, infelizmente. No surf, assim como em outras modalidades de prancha, o sexo feminino tem menos espaço ainda. Com o sonho de mudar esse cenário, Vanessa Bertelli e Cris Brosso criaram o site Longarina, para incentivar mulheres a sair da areia e pegar ondas.

A Longarina reúne conteúdo online e experiências reais. Seu objetivo é “contribuir para uma melhora da qualidade de vida das mulheres através do incentivo à prática de esportes de prancha”, diz o site oficial. “Estamos muito focadas na questão do bem-estar”, revela Vanessa. A sócia conta que pretendem mostrar o que modalidades como o surf podem trazer de positivo, tanto em qualidade de vida, quanto em empoderamento feminino.

A plataforma leva informação para mulheres interessadas por esportes de prancha, como surf, skate e stand up paddle. “Falamos sobre todas as modalidades, mas a nossa paixão mesmo, o nosso grande foco, é o surf”, explica Vanessa. Além disso, a Longarina está comprometida com a divulgação das atletas profissionais e amadoras brasileiras. Por fim, incentiva a prática: as sócias armam viagens para que mulheres possam, de fato, cair no mar.

Um lugarzinho fora da areia

Vanessa conta que tinha um lugarzinho na areia da praia quando namorava um surfista. Ficava sentada observando o cara pegar ondas.  A paulistana sempre teve um interesse nato pelo esporte, mesmo vivendo longe do mar e sem pessoas próximas que a incentivassem. Chegou a ganhar uma prancha velha, que havia pertencido a um amigo de seu pai. Foi com ela que caiu na água e se aventurou no surf pela primeira vez.

Decidiu que esperar por horas na areia enquanto o namorado surfava não fazia muito o seu estilo. Seu lugar era dentro do mar, e esse espaço devia ser ocupado por mais mulheres. Vanessa queria compartilhar a experiência com outras meninas que também tivessem interesse. “Queria que se envolvessem, se identificassem e me fizessem companhia”, explica.

Na época, escrevia para um blog e lá contava os relatos de suas experiências. Foi onde conheceu Cris Brosso, sua futura sócia.

Acabamos criando a Longarina para produzir conteúdo, escrever, dividir esse universo com as meninas.

Ela explica que não encontravam na internet o que queriam ler sobre surf. Decidiram criar a plataforma para contar suas vivências e dividir dicas e novidades com as leitoras.

O segundo passo veio depois, quando perceberam que confraternizar com outras amantes dos esportes de prancha só pela internet não era suficiente. Queriam ser mais ativas. Passaram a promover encontros, reuniões e eventos. “Começamos a fazer reuniões de bate e volta. Depois, evoluímos para finais de semana e viagens de integração”, diz a sócia. Nesse caso, o foco principal é o surf.

Vanessa explica que a Longarina acabou formando uma rede de mulheres surfistas, que dividem novidades e se encontram para praticar. Todas são bem-vindas: atletas que pararam de praticar há algum tempo, iniciantes que sempre tiveram vontade de aderir ao esporte e meninas que já praticam, mas não têm companhia.

O modelo de negócios da Longarina

Por enquanto, a Longarina é mantida pelas sócias. “Hoje, não trabalhamos muito com produtos. Desenvolvemos uma linha de bonés, a pedido das meninas, e temos parceria com shapers. Eles desenvolvem as pranchas e nós anunciamos”, explica Vanessa.

O  dinheiro angariado em eventos é destinado a pagar algumas contas. Mas esse valor ainda não é suficiente para que o projeto se pague. As meninas que participam dos passeios para surfar, por exemplo, pagam um valor que corresponde à divisão dos custos da viagem, mais um acréscimo pequeno, para ajudar com os gastos feitos até então.

A Longarina tem tomado mais tempo livre das sócias e, por isso, estão trabalhando em um modelo de negócios que seja sustentável.

“A próxima revolução do esporte será o surf feminino”

O surf brasileiro está em seu melhor momento. Em 2014, Gabriel Medina foi o primeiro campeão mundial, seguido pelo paulista Adriano de Souza, o Mineirinho, no ano passado.

Em 2016, há dez brasileiros participando do principal campeonato da modalidade. Todos são homens. Mas Vanessa acredita que as mulheres tem papel importante nesse cenário.

O interesse das mulheres está se tornando muito mais forte. Tanto em conhecer novos atletas, quanto em praticar mesmo.

Ela conta que uma amiga sua ouviu da boca do próprio Carlos Burle, um dos surfistas brasileiros mais renomados da atualidade, que a próxima revolução do esporte será o surf feminino.

“Há três anos venho acompanhando esse movimento embrionário. O momento atual é muito propício para explorar o assunto”, opina Vanessa. “O surf pode mudar a vida de quem pratica. Pode melhorar a sua semana e trazer sensação de relaxamento e bem-estar”, explica.

Mas preconceitos ainda existem. A sócia conta que muitos surfistas apoiam atletas do sexo feminino fora da água. Mas dentro dela, a realidade é outra: não dão espaço para mulheres que esperam pelas ondas e chegam até a se irritar com a simples presença delas.

Recentemente, ouviu história de uma surfista que foi agredida por um homem dentro do mar. “Ela não tinha roubado a vez dele e nem feito nada parecido. Ele disse para ela sair. Quando não saiu, foi agredida”, conta.

Para a Longarina, o lugar da mulher é no surf, no skate e em qualquer outra posição que deseje ocupar.

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