3%, primeira série brasileira da Netflix, traz futuro distópico e meritocrático
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Foto: Divulgação
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3%, primeira série brasileira da Netflix, traz futuro distópico e meritocrático

Camila Luz em 23 de novembro de 2016

Em um futuro distópico, a população é dividida em duas regiões opostas: o Continente, devastado e escasso, e o Maralto, evoluído e abundante. A série “3%”, da Netflix, poderá estar entre produções sugeridas para quem gostou de “Black Mirror” ou “Jogos Vorazes”. Apesar de transitar por universos semelhantes ao dessas obras, tem uma diferença marcante: é ambientada no Brasil.

Em um primeiro momento, chega a ser estranho ouvir os personagens falando nossa língua latina. Para Viviane Porto, intérprete da personagem Aline, “3%” é uma obra de ficção científica que coloca signos universais em português. Ao lado do resto do elenco, a atriz participou de uma coletiva de imprensa sobre a nova série, que estreia em 25 de novembro, quando todos os episódios da primeira temporada serão disponibilizados no Netflix.

No futuro distópico da série, jovens do Continente participam de um processo seletivo que consagra apenas 3% dos competidores. Os vencedores ganham o direito de morar no Maralto, onde os habitantes são privilegiados. A história se passa daqui a cerca de 100 anos, após crises e conflitos que devastaram o Brasil.

“3%”, além de ser a primeira produção 100% brasileira da Netflix, poderá ser um marco na história do audiovisual do nosso país. A série de ficção científica trata de assuntos como meritocracia e inclusão e discute como a tecnologia poderá afetar nossa construção de mundo em um futuro que não está assim tão distante.

“3%” leva a meritocracia ao extremo

Falar sobre meritocracia em um dos países mais desiguais do mundo não parece novidade, mas “3%” usa o audiovisual para discutir o tema em uma linguagem acessível e sedutora. Além disso, o plot leva a meritocracia ao extremo para questioná-la. O objetivo, segundo o elenco e o criador da série, Pedro Aguilera, é provocar o maior número de pessoas possível.

No Continente, os habitantes vivem em habitações com baixa infraestrutura e enfrentam falta de comida, água e alta criminalidade. O local é uma espécie de releitura da favela brasileira.

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Para morar no Maralto,  é preciso passar por um processo que envolve entrevistas, jogos e desafios. Os participantes não sabem exatamente quais são os critérios de avaliação, mas todos têm a aprovação como meta de vida. Durante os testes, são julgados por sua personalidade, perfil, carisma, história de vida, habilidades e criatividade. A ideia é trazer talentos para o Maralto, que possam contribuir de forma produtiva com a “sociedade ideal”.

O processo enfrentado pelos candidatos não é muito diferente do que todos nós enfrentamos na vida real. Vestibulares, entrevistas de emprego e seleções para entrar em faculdades internacionais são alguns dos momentos nos quais a sociedade nos avalia e mede nossas capacidades. Em certas escolas infantis e clubes, já é preciso ser aceito por uma comissão avaliadora para fazer a matrícula ou entrar para a sociedade.

Para além disso, há outras formas de julgar e ser julgado: o que você compartilha nas redes sociais, os locais que você frequenta, seu gosto musical… tudo isso conta. Escolhas definem oportunidades – tanto na série, quanto na vida real.

Mas a sociedade de “3%” está mais evoluída do que a nossa quando o assunto é preconceito. Segundo Pedro, o Maralto, assim como a instituição de poder que ele representa, já superou problemas relacionados ao machismo e racismo, e também terá avançado na inclusão de deficientes. Portanto, a seleção não é pautada nesse tipo de diferença. Já está liberado comemorar um elenco diverso e personagens que serão exemplo de superação para muita gente.

Brasilidade

A ambientação é ponto importante da série, que pode diferenciá-la de outras produções que tratam de ficção científica e distopias. O episódio piloto de “3%”, disponível no Youtube, trazia cores mais frias e impessoais. Já a nova versão ganhou pluralidades de cores e retrata a sociedade brasileira, calorosa e diversa.

Deixar claro que a história se passa no Brasil foi preocupação constante do diretor, o uruguaio César Charlone. Ele foi responsável pela fotografia de filmes como “Cidade de Deus”, “O Jardineiro Fiel” e “Ensaio Sobre a Cegueira”. Em “3%”, os habitantes do Continente usam figurinos super coloridos e as paredes das ruas são grafitadas.

Segundo o elenco, os personagens chegaram a ser confundidos com os próprios moradores enquanto gravavam cenas no centro de São Paulo. O Maralto tem visual mais clean, mas ainda se parece bastante com o Brasil.

“3%” foi dirigida por Cesar Charlone, Jotagá Crema, Dani Libardi e Daina Gianecchini, escrita por Pedro Aguilera e produzida por Tiago Mello com a Boutique Filmes. O elenco conta com João Miguel, Bianca Comparato, Michel Gomes, Rodolfo Valente, Rafael Lozano, Vaneza Oliveira, Viviane Porto e Mel Fronckowiak.

Da esquerda para a direita: Viviane Porto (Aline), Michel Gomes (Fernando), João Miguel (Ezequiel), Pedro Aguilera/ Roteirista, Bianca Comparato (Michele), Rodolfo Valente (Rafael), Vaneza Oliveira (Joana). Foto: Pedro Saad/Netflix

Da esquerda para a direita: Viviane Porto (Aline), Michel Gomes (Fernando), João Miguel (Ezequiel), Pedro Aguilera/ Roteirista, Bianca Comparato (Michele), Rodolfo Valente (Rafael), Vaneza Oliveira (Joana). Foto: Pedro Saad/Netflix

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