7 temas da Casa TPM para homens e mulheres ficarem de olho
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Foto: Divulgação
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7 temas da Casa TPM para mulheres e homens ficarem ligados

Redação em 8 de agosto de 2016

Por Camila Luz, Diana Assennato e Emily Canto Nunes

Sortuda são as mulheres de terem uma casa só para elas. Uma dentre tantas casas que surgiram desde que o debate em torno do feminino ganhou corpo e alma. A Casa TPM é um desses eventos que coloca a mulher e todas as questões que envolvem ser mulher não apenas no centro do debate, mas em todas as direções. Realizada pela Trip há cinco anos, a Casa TPM aconteceu nos dias 30 e 31 de julho, em São Paulo, e reuniu centenas de mulheres (e alguns homens) para falar da condição feminina contemporânea.

Alinhada com o tema “Poder da escolha”, que faz parte da essência do produto, Drinkfinity distribuiu boas energias com um ambiente de welcome drinks para dar boas-vindas a quem chegava. As quatro linhas dos Pods também foram apresentadas às visitantes em paralelos traçados com situações do universo feminino que elas vivenciam no dia a dia. Na saída do evento, como parte da ação “Plante um coração”, a marca ainda entregou Pods que continham sementinhas de calêndula, cravo, margarida e outras flores envoltas em um coração de crochê feito de linha ecológica. Cultivar esse presente é apenas uma das diversas maneiras pensadas pela Drinkfinity de incentivar os clientes a reutilizarem os seus Pods.

 

Abaixo, a equipe do Free the Essence reuniu alguns dos temas que foram discutidos na Casa TPM  e que mulheres e homens precisam ficar de olho daqui para frente.

Veja as lojas Drinkfinity

Sete temas da Casa TPM para ficar de olho

Sentir-se confortável no próprio corpo

Xênia França, vocalista da banda Aláfia, falou sobre o impacto que mulheres negras causam quando frequentam certos espaços na sociedade. Para Xênia, dona de um cabelão volumoso cheio de cachos e tranças, a sociedade ainda não consegue lidar com o óbvio: “elas também são gente e têm o direito de estar em qualquer lugar assim como todo mundo”.

Já a militante feminista Jéssica Ipolito diz que passa por processos contínuos para aceitar seu corpo, negro e gordo. “A sociedade não quer que a gente fique bem, quer lucrar em cima da nossa depressão”, afirmou. Para ela, o primeiro passo é olhar para si mesma e tomar consciência de quem é: “comecei a me amar na medida em que me sentia anulada”.

mulheres sentadas em cadeiras na sala da casa tpm

Foto: Reprodução/Facebook Casa TPM

Tiê começou a ter vitiligo quando tinha 13 anos. Quando teve um tumor infeccioso no fígado que quase a matou após um histórico de outras doenças relacionadas ao emocional, resolveu chamar o vitiligo de “não te ligo” e a ser mais sincera com quem é. Hoje, sua personalidade está refletida também nas suas músicas.

Em outra parte da Casa TPM, Zica Assis contou sua história e como passou de empregada doméstica a uma das 10 mulheres mais influentes do país por acreditar na beleza da mulher negra. Zica é dona do Instituto Beleza Natural, uma rede voltada para o tratamento de cabelos crespos e ondulados. Além de salões espalhados pelo país, lidera uma fábrica de produtos capilares que cuidam da saúde dos fios. Investiu naquilo que acreditava e tinha paixão, com o objetivo de fazer mulheres negras se aceitarem e terem força para assumir quem são.

A mulher na política

Contra a PEC que assegura a cada gênero percentual mínimo de representação nas três próximas legislaturas: 10% das cadeiras na primeira legislatura, 12% na segunda legislatura e 16% na terceira, a deputada Mara Gabrilli quis saber a opinião da plateia da Casa TPM. Munido de placas de Sim e Não, o público voto maciçamente no Sim. Mara vê as cotas como uma forma de dizer que a mulher não tem competência para entrar na política, quando na verdade existe, na opinião dela, “uma vocação feminina de pensar no coletivo”. 

Do lado aposto, a cineasta Tata Amaral falou das cotas como uma forma de melhorar a representatividade. “A maioria da população brasileira é mulher, somos 51%, e a maioria da população brasileira é negros… Mas quantos de nós estamos representados? Não é nem 50%, e isso sem falar em LGBT e nos índios que sumiram. A cultura não nos representa, nem o Congresso. As cotas é uma forma de fazer reparação histórica com as mulheres e os negros”, afirmou.

mulheres sentadas em cadeiras brancas conversando

Foto: Reprodução/Facebook Casa Tpm

Já a cientista política Ilona Szabo levantou o debate em torno do encarceramento feminino, que aumenta a cada ano, e o quanto o Brasil precisa de uma nova política sobre drogas. Segundo ela, 70% das mulheres presas são por tráfico e 90% estão no Nordeste, mas elas estão “na raia pequena”, enquanto os homens que são “peixe grande” seguem livres. “O crime está prendendo mais as mulheres, por isso precisamos de uma  política de drogas que não seja perversa. Esse é um negócio na mão de pessoas erradas, na mão de quem não se preocupa com saúde, que não está sob regulação de pessoas que privilegiam a saúde, a informação, os direitos humanos”, explicou ela.

A deputada Mara Gabrilli também trouxe o assunto do aborto e de que o procedimento mais comum no SUS hoje é a curetagem para resolver procedimentos mal feitos em clínicas clandestinas. “Nossas mulheres estão morrendo por conta disso. Ser a favor da discriminalização não é ser a favor do aborto. Eu concordo com o que o Mujica [ex-presidente do Uruguai] disse: quando a gente discriminaliza a gente passa informação e os abortos diminuem pois se cria uma conduta humana frente ao aborto. Hoje, a criminalização cria um tabu no pedido de ajuda”, disse. 

Tata também chamou a atenção para o fato de que hoje existe um movimento que deseja impedir as mulheres de interromperem a gravidez e de punir as pessoas que ajudam a mulher que sofrem estupro. “Até 2002, um homem que assumisse a mulher que estuprou não era criminalizado, pois ele honrava a mulher. Vivemos em uma cultura que reverencia o estupro”, afirmou.

A beleza construída

Para a maquiadora Vanessa Rozan somos todas escravas de um padrão mas, por outro lado, tem quem é escrava e ama isso. “Eu acho que temos que estar atentas ao que vira produto. Aquilo que não te faz entrar na lógica de consumo é o que te liberta de fato. Se libertar é um processo individual que vai das dores e das histórias de cada mulher. Você pode se maquiar para se sentir gata, mas quando isso vira escravidão é que é um problema”, afirmou Vanessa.

4 mulheres sentadas em cadeiras brancas no palco

Foto: Mariana Pekin/Reprodução Facebook Casa TPM

Já a dermatologista Cristina Abdalla chamou atenção para as questões de saúde: “é um fenômeno que todas nós temos que cuidar para não entrar. Muitas pessoas estão colocando a saúde de lado em detrimento da beleza. Estamos pagando um preço alto por sermos escravas da beleza”.

Michele Provensi compartilhou uma história em que ela mesmo aprendeu com o sofrimento. Na época em que era modelo a jovem fez uma cirurgia para diminuir suas bochechas e hoje tem que fazer fonoaudiologia para não ter sua fala prejudicada pela ausência de um pedaço do músculo que retirou. “O mercado está fazendo a gente ficar parecida com o Photoshop, todas iguais. Temos que descentralizar os padrões externos, centralizar nos padrões internos”, disse.

Mulher adora sexo

Mulher adora sexo, sim! Se não adorar, tudo bem também. Em mais de 30 anos de carreira, a atriz Nicole Puzzi conta que já conheceu pessoas que simplesmente não curtiam sexo, assim como prostitutas e atrizes pornô que entraram para a profissão apenas para sentir prazer. Segundo ela, hoje a mulher é livre para decidir o que quer na teoria. Na prática, as coisas não rolam da mesma maneira: “as mulheres fingem uma liberdade que não têm”.

mulheres sentadas em cadeira branca uma do lado da outra

Foto: Reprodução/Facebook Casa Tpm

Para a escritora Carol Teixeira, o maior tabu em relação ao sexo hoje é o prazer feminino. Falar sobre isso não é costume nem entre homens e nem entre mulheres e faz com que as mulheres se sabotem e experimentem menos do que deveriam. Além disso, Carol sugeriu que as mulheres parem de fingir orgasmos para educar melhor seus parceiros e parceiras. “Quando a gente finge que gozou a gente prejudica a próxima que vai pegar o cara que não dá prazer”, provocou. Por outro lado, afirmou também que é preciso ter empatia pelos homens, pois eles estão perdidos.

Para Lia Bock, editora da TPM,  todo o processo do sexo tem que ser mais natural. As três convidadas da mesa discutiram a educação pelo pornô, que acaba atrapalhando a vida sexual dos jovens. Da parte de Lia, elogios rolaram soltos para o “Make Love Not Porn”,  de Cindy Gallop, uma plataforma de vídeos que valoriza o sexo real sobre a qual já falamos aqui.

Violência contra a mulher

Foi Fafá de Belém quem abriu a conversa contando sobre as meninas balseiras, crianças e adolescentes que vivem próximo ao rio Amazonas e que tem seus corpos e almas trocadas por mantimentos pelos próprios pais e mães. Em um mesma noite, uma menina chega a ser estuprada por mais de 20 balseiros segundo Fafá e, aos 14 anos, já estão, nas palavras dos balseiros, “muito largas para o negócio”.

A história que chocou a plateia será contada em um documentário que terá o roteiro feito por Antonia Pellegrino, que também é escritora e uma das autoras do blog na Folha de S. Paulo “Agora é Que São Elas”. “Temos que jogar um holofote sobre a história das meninas balseiras”, disse. 

A filósofa Márcia Tiburi foi quem convocou a plateia a não apenas se sensibilizar com a história das meninas balseiras, mas a fazer algo por elas. “O sistema da violência contra a mulher é tão forte que até a estética é violenta. A beleza é branca, patriarcal, europeia. Eu não quero ser usada como carne e não quero saber do olhar do fabricante de caixão. A beleza e a sensualidade estão conectadas à violência dos nossos corpos”, afirmou.

Márcia disse ainda que somos todos vítimas da máquina misógina: “As próprias mulheres agem de forma misógina. Ódio ao cabelo e ódio ao corpo. É um ódio introjetado, um ódio que vem de fora. Tudo que é feminino faz parte de uma negação. Pense na ilegalidade do aborto: todo mundo faz, mas é como se não existisse, e aí temos as mulheres que são vítimas da religião, da família e do estado”. Por isso, segundo Márcia, é preciso fazer de cada caso de violência uma bandeira, um símbolo de luta e de justiça social. “Temos que ser solidárias”, afirmou.

Maternidade

Além de provocar algumas gargalhadas com o seu flash speech sobre maternidade desconstruída, a jornalista e youtuber Helen Ramos, também conhecida como Hell Mother, provocou muita reflexão nas mulheres da platéia.

Helen parte do princípio que quanto mais conseguirmos desromantizar a maternidade, mais saudáveis e felizes serão as relações entre as mães, o mundo e seus filhos. Em uma fala divertida e leve, ela tratou de questões importantes como “ser mãe solo”, a vontade de sumir e o famigerado mother shaming, expressão utilizada para se referir a atitudes de mães que costumam recriminar o comportamento das outras.

Ser negra hoje

Uma das conversas mais inflamadas e potentes foi a mesa “Ser mulher negra em 2016. Mudou alguma coisa?”. Com falas aplaudidas de pé e gritinhos empolgados, a jornalista Adriana Couto comandou um papo entre a feminista renomada e Doutora em Educação Sueli Carneiro, a atriz Juliana Alves e Alexandra Loras, jornalista e consulesa da França em São Paulo.

Sueli foi otimista e disse que enxerga um sangue novo em meninas e mulheres cada vez melhor informadas e conectadas, com força e vontade para fazer a mudança. Ao mesmo tempo, não nega que a evolução ainda seja muito lenta e que o feminismo negro não deveria ser tratado apenas como uma questão de gênero.

Alexandra fez um convite à reflexão: e se editássemos todos os livros de história e fizéssemos dos negros os heróis e dos brancos os oprimidos? Como seria essa realidade?

Juliana, que também é madrinha de bateria da escola de samba Unidos da Tijuca,  falou sobre as dificuldades de usar o seu corpo tanto como uma ferramenta de apropriação cultural (através do carnaval) como de empoderamento feminino.

montagem de fotos com as mulheres da mesa sobre ser mulher negra hoje

Foto: Reprodução/Site

Tema também da mesa que abriu a Casa TPM, com a presença da pesquisadora de filosofia política Djamila Ribeiro, a atriz Taís Araújo e a filósofa Viviane Mosé, ser mulher hoje não é fácil, mas já foi pior. Para Taís Araújo, durante muitos anos a mulher negra foi a última da fila, hoje, infelizmente, a última da fila é a mulher negra e trans.

Djamila, que também é militante do movimento negro e não tem problemas em se dizer feminista, concordou com Taís e foi além. “Eu sou feminista para que as mulheres possam ser consideradas humanas, sobretudo as mulheres negras, pois os homens brancos estão no topo do barco e as mulheres negras limpando no convés”, afirmou.

Já Viviane, que prefere não se rotular, disse que do seu jeito de ser sempre foi feminista porque a Filosofia também nunca foi “coisa de mulher”. “Minha grande questão no mundo é o ser humano. Perdermos a noção do afeto”. Segundo ela, a luta da mulher é a mesma do homem. “Estamos no mesmo lugar, vai todo mundo para o mesmo buraco quando a água sobe. Me incomodam as caixas, pois elas oprimem ao mesmo tempo em que libertam”, disse.

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