Apesar dos serviços de streaming, o álbum está mais vivo do que nunca
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O álbum de música está mais vivo do que nunca

Camila Luz em 19 de outubro de 2016

Serviços de streaming como Spotify e Deezer estão ganhando força e parecem ameaçar a existência do bom e velho álbum  de música. A internet é parte integrante de nossas vidas e nos tornou impacientes, sempre na espera da próxima novidade. Nesse contexto, gastar cerca de uma hora ouvindo canções do mesmo artista pode parecer impensável.

menina ouvindo música no celular sentada na grama

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É fácil imaginar um futuro no qual álbuns sejam considerados arcaicos. Eles começaram a perder força quando os downloads se popularizaram. De repente, o conjunto da obra perdeu sentido e canções se tornaram arquivos mp3 que podem ser reunidos em playlists e não apenas em álbuns.

Hoje, dedicamos menos atenção a tudo que fazemos e ficou mais difícil arrumar tempo para realmente apreciar o álbum do começo ao fim. Parece valer mais a pena manter uma playlist com diversos artistas e gêneros no Spotify ou escolher aquela que cabe melhor no mood de cada momento.

É claro que certas pessoas sempre estarão dispostas a investir uma grana no álbum do artista favorito para ter o CD físico em mãos. No entanto, são minoria. “Como uma geração que olha para duas ou três telas de uma só vez, não vamos ficar entediados após a 11ª faixa seguida da Sia?”, questiona o jornalista Matthew Reyes em artigo no site The Earlier Stuff.

Para o autor, a resposta é não. Matthew reconhece que o álbum está perdendo força e até cita estudo que diz que pessoas só procuram por essas obras para ouvir música em 22% das vezes. Para ele, no entanto, o atestado de óbito do álbum seria muito mais do que uma mudança na indústria musical. Seria a ruína da música como conhecemos hoje.

O álbum não vai morrer

O álbum é reconhecido como o ápice da criatividade artística, no qual artistas podem criar grandes obras coesas que vão além de simples coleções de canções. Amantes de todos os gêneros reverenciam de forma quase religiosa certas produções que marcaram época, como “Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd, “Nevermind”, do Nirvana, “Me Against the World”, do 2PAC, e o recente “To Pimp a Butterfly”, do Kendrick Lamar.

Na opinião do jornalista, artistas que fazem sua fama em cima de singles ainda não estão consagrados. A grandeza no mundo da música só chega com o lançamento de álbum clássico.

“Todos que estão pirando sobre a morte do álbum estão superestimando como foi importante no passado e subestimando o quão importante é agora”, afirma. “Os estudos recentes que mostram que ouvimos álbuns em apenas um quinto do tempo não trazem nada de novo, eles estão apenas nos dando estatísticas que refletem como nós sempre interagimos com a música”, completa.

Velhos hábitos, novas tecnologias

Matthew defende que fãs sempre consumiram de diferentes fontes e buscaram por novas formas de ouvir música.  Novos jeitos de fazer as coisas são na verdade velhos comportamentos utilizando novas tecnologias. Ele explica:

As playlists prontas que ouvimos hoje nos serviços de streaming estão apenas preenchendo o espaço que costumava ser ocupado pela rádio e pela MTV, responsáveis por formar os gostos musicais de muitos de nós.

Essas playlists funcionam como a curadoria dos jornalistas musicais do passado, que indicavam o que estava bombando e o que era tendência. A opção de escolher o que vamos ouvir sempre existiu, mas há uma mágica por trás de estar por dentro das paradas.

“Não é como se estivéssemos simplesmente com preguiça de procurar a música para nós mesmos — nós a experimentamos de uma maneira nova e excitante quando concedemos aos curadores esse tipo de autoridade”, argumenta. “Aquela sensação de que algo novo está sendo mostrado por outra pessoa que você confia nunca fica velha e sempre haverá uma demanda por essa experiência”, afirma.

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Às vezes, não queremos ouvir uma playlist pronta, e sim escolher por nós mesmos. Ainda assim, serviços de streaming não são novidade. Fãs têm feito suas próprias escolhas desde sempre montando mixtapes ou gravando CDs com as canções favoritas.

Adicionar as melhores músicas em uma playlist pessoal no Spotify é obviamente muito mais fácil. Mas da mesma forma que mixtapes e CDs graváveis não acabaram com álbuns, serviços de streaming também não irão. “Nós continuamos botando muita fé em DJs e em curadores de playlists, mas nos importamos da mesma forma, ou até mais, em como artistas pretendem que seu trabalho soe”, defende. “Isso está ligado a algo muito mais profundo do que a música — nos sentimos dessa forma em relação a todos os tipos de arte”, conclui.

Matthew finaliza seu texto com uma última consideração. Todos nós compramos CDs longos, como “Blood Sugar Sex Magic”, do Red Hot Chili Peppers, e ouvimos apenas as famosas “Under the Bridge e Give it Away”. Na época, álbuns eram bastante celebrados e, mesmo assim, tinham menos importância do que nos lembramos.

Além disso, 2016 mostrou que, de certa forma, álbuns estão fazendo mais sucesso do que nunca. A internet permite que fãs discutam a obra como um todo nas redes sociais, como foi o caso de “Anti”, da Rihanna, e “Post Pop Depression”, do Iggy Pop. Eles provavelmente escolheram suas canções favoritas e as adicionaram a uma playlist. Ainda assim, o lançamento desses discos provavelmente chegou aos Trending Topics do Twitter.

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