Estudantes revelam os benefícios de tirar um ano sabático
Amanda Saviano em Nova York
Amanda Saviano em Nova York. Foto: Arquivo Pessoal
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Estudantes revelam os benefícios de tirar um ano sabático

Camila Luz em 16 de maio de 2016

Tirar um ano sabático entre colégio a faculdade, ou mesmo durante o ensino superior, pode ajudar estudantes a decidirem o futuro. Reservar um período da vida para sair da rotina e conhecer outras culturas traz experiência, maturidade e, de quebra, a possibilidade de aprender uma nova língua.

Christina Schoefer, em um artigo na Spring Magazine, da Univerisidade de Berkley (EUA), conta que deixar a educação formal por um ano é comum na Europa e na Austrália. Estudantes usam o tempo para viajar, estagiar, trabalhar ou se voluntariar em projetos de serviço comunitário.

O próprio príncipe Harry, da Família Real Inglesa, tirou um ano sabático em 2004 para fazer trabalho voluntário na África. Sua atitude ajudou a popularizar a prática nos Estados Unidos, onde estudantes vivem sob muita pressão durante a High School (Ensino Médio) e a universidade.

No Brasil, o conceito ainda não é amplamente difundido. Assim como nos Estados Unidos, estudantes devem seguir a mesma linha: concluir o ensino médio e já prestar vestibular para entrar em uma boa faculdade. Mas há jovens que vão na contramão e preferem tirar um tempo para refletir.

Ano sabático antes de entrar na faculdade

Izabela Fini sempre quis prestar medicina. No entanto, não gostava de estudar biologia. Teve a oportunidade de trabalhar por dois dias na área de oncologia do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, quando estava no terceiro colegial. “Depois disso, percebei que precisava pensar um pouco no que queria fazer da minha vida”, conta.

Resolveu tirar um ano sabático em 2012, logo após a formatura. “Estava cansada de tanto estudar e resolvi fazer um intercâmbio no Canadá para esfriar a cabeça, aprender melhor inglês e pensar um pouco na carreira que queria seguir”, diz. Ficou em Vancouver por cerca de cinco meses e, depois, gastou um mês nos Estados Unidos. Em junho do mesmo ano, voltou ao Brasil e começou a se consultar com uma psicóloga especializada em orientação profissional.

Izabela Fini em seu ano sabático no Canadá

Izabela Fini em seu período sabático no Canadá
Foto: Arquivo Pessoal

Passou o resto do ano fazendo pesquisas e procurando saber mais sobre novas áreas. Decidiu, então, prestar Relações Públicas. Hoje, está no terceiro ano da Faculdade Cásper Líbero e estagia em uma empresa na área. “No final do ensino médio, estava em dúvida sobre o que prestar e não queria decidir meu futuro pressionada. Não estava madura”, revela. “No Canadá, fiquei hospedada com japoneses, depois alemães e, por fim, canadenses”, conta Izabela.

A estudante de relações públicas explica que sua experiência durante o intercâmbio ajudou a entender que queria trabalhar com comunicação. “Interagir com as pessoas, escrever, cuidar de um blog… tudo isso me deixava feliz”, diz.

Izabela Fini com colegas no Canadá

Izabela Fini com colegas em escola de inglês no Canadá Foto: Arquivo Pessoal

Para Izabela, o intercâmbio é válido no período que antecede a faculdade pois ajuda o adolescente a abrir sua cabeça para outras oportunidades. No novo país, experiências diferentes podem chamar a atenção para cursos que nunca tinham sido cogitados.

De acordo com um artigo publicado pelo The New York Times, a geração atual é bastante pressionada para se formar com honras no colégio, entrar para uma faculdade renomada em seguida e logo conseguir um bom emprego. Cobranças excessivas podem ter o efeito inverso e acabar levando estudantes a desistirem desse caminho. Outro risco é o adolescente escolher um curso e se arrepender logo em seguida.

A Universidade de Harvard foi a primeira entre as escolas da Ivy League a incentivar seus alunos a tirarem um ano sabático. No artigo do The New York Times, o centro de admissões da instituição acadêmica revelou que estudantes foram beneficiados pelo tempo de folga. Todos os anos, cerca de 100 universitários matriculados adotam a prática.

Olivia Pereira, 20 anos, é outra estudante de relações públicas que se beneficiou do ano sabático antes da faculdade.

“Nunca entendi a pressa que o brasileiro tem em acabar o ensino médio e já ir direto para a faculdade. Sentia que precisava me tornar mais independente e me conhecer melhor.”

Em 2014, passou três meses estudando inglês na Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Tirou o resto do ano para pensar na escolha da faculdade. “Meu ano sabático foi totalmente positivo. Me tornei mais independente, me conheci melhor, conheci novas culturas e tive a chance de crescer profissionalmente, pois estudei inglês no período em que viajei”, conta.

Olivia Pereira em seu ano sabático na Inglaterra

Olivia Pereira na Inglaterra com três amigas: Raquel (brasileira), Mariel (mexicana) e Jana (alemã).

“Mesmo se meu ano sabático tivesse sido diferente, o impacto seria positivo. Você aprende muito sobre o mundo fora da ‘bolha’ particular em que está acostumado a viver. A realidade é colocada sob uma nova perspectiva”, conclui.

Ano sabático durante a faculdade

Tirar um ano sabático pode ser positivo para estudantes que precisam entender melhor seus planos de vida antes de ingressarem de vez no mercado de trabalho. Jovens que já estão na faculdade são um pouco mais experientes e maduros. Podem se aventurar por caminhos mais arriscados no período de folga.

Amanda Saviano é estudante de jornalismo e tem 22 anos. Ela conta que começou a planejar seu ano sabático quando tinha 16. “Guardei dinheiro, pesquisei e me programei para isso. Assim, em 2015, com 21 anos e quando deveria ter iniciado o terceiro ano na Cásper Líbero, parti”, explica.

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O ano sabático de Amanda foi bem diversificado. Misturou viagens e cursos: primeiro, foi para Santiago, no Chile, estudar espanhol por cinco semanas. Depois, mochilou até o Peru por dois meses. Seguiu viagem para Nova York, onde estudou roteiro de cinema por três meses. “Morei na Espanha por dois meses, onde também estudei espanhol, e passei mais um mês mochilando pelo continente. Ufa”, brinca.

Amanda Saviano durante seu período sabático no Peru

Amanda Saviano no Peru
Foto: Arquivo Pessoal

Amanda conta que a volta para São Paulo foi difícil. Demorou para se readptar à realidade da cidade e do país. “Até hoje, não me acostumei. Estou sempre planejando uma viagem, claro”, revela. Para a estudante de jornalismo, o ano sabático foi, sem dúvida, a melhor experiência de sua vida.

“Digo que existe uma Amanda antes da viagem e outra depois. Mudei perspectivas, opiniões, conheci tanta gente e tantas realidades… fica difícil se manter a mesma depois de meses e meses na estrada”.

Amanda criou até um blog contando como foi a experiência. “Ele cresceu muito e hoje relembro os momentos com posts antigos”, conta.

Amanda acredita que todos deveriam tirar um tempo para viajar, em qualquer fase da vida. Sem medo, rumo ao desconhecido. “Não é possível que as pessoas achem que a cidade onde moram é a única realidade que existe. É preciso explorar, correr atrás, descobrir (e se descobrir, desculpe o clichê) o diferente para ter confiança no que você quer fazer com sua vida”, conclui.

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