Fundação africana treina atletas refugiados para competições mundiais
atletas refugiados
Foto: Reprodução/Tegla Loroupe Peace Foundation
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Fundação africana treina atletas refugiados para competições mundiais

Camila Luz em 25 de agosto de 2016

No Quênia, na África, uma fundação criada em 2003 pela corredora Tegla Loroupe tem auxiliado atletas refugiados que fugiram de confrontos políticos. Ela investe em suas habilidades e dá a eles a chance de competir em grandes eventos mundiais.

A Tegla Loroupe Peace Foundation tem a missão de “melhorar a construção da paz, meios de subsistência e resiliência das pessoas pobres vulneráveis afetadas por conflitos e lutas civis no mundo”. Ela traz iniciativas que promovem a resolução de conflitos, redução da pobreza e a violação dos direitos humanos.

Sua ferramenta é o esporte. A fundação o enxerga como forma de unir pessoas, gerar renda e empoderar principalmente o sexo feminino.

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Oportunidades para atletas refugiados

A Tegla Loroupe Foundation promove processos seletivos para selecionar atletas refugiados que têm potencial para competir em grandes eventos internacionais. “Acredito que tenho força para provar que mesmo pessoas pequenas podem fazer grandes coisas”, disse Tegla, em entrevista ao New York Times.

Este ano, cinco corredores treinados em um campo em Nairobi, capital do Quênia, participaram dos jogos realizados no Rio de Janeiro: Yiech Pur Biel, Anjalina Nadai Lohalith, James Nyang Chiengjiek, Rose Nathike Lokonyen e Paulo Amotun Lokoro. Todos são refugiados do Sudão do Sul, país que enfrentou mais de duas décadas de guerra civil entre 1983 e 2005.

O sucesso desses atletas é prova de que o trabalho da fundação está dando resultados e também a oportunidade que os refugiados merecem. Quando chegam a um novos país, essas pessoas precisam recomeçar a vida. Geralmente têm poucas condições financeiras e enfrentam o preconceito dos nativos. “Pessoas tratam esses refugiados como criminosos. Nós precisamos tratá-los com respeito”, defendeu Tegla.

atletas refugiados se abraçando

Atletas refugiados que participaram das olimpíadas de 2016. Foto: Reprodução/Tegla Loroupe Peace Foundation

O sucesso duplo de Tegla

Tegla Loroupe cresceu no Quênia, onde trabalhava no campo, tratava do gado e cuidava dos irmãos mais novos. Com sete anos de idade, começou a ir à escola. Para chegar lá, precisava correr 10 km descalça.

Percebeu que tinha talento e começou a participar de corridas escolares — mesmo com os olhares ameaçadores dos meninos, que não costumavam contar com uma presença feminina em suas disputas. Em entrevista ao site Inside the Games, revelou o que dizia a si mesma na época: “Tenho algo especial em mim e vou praticar esportes com os homens da outra comunidade. Você não pode demonstrar medo aos olhos do inimigo, então você tem que lutar. Eu não sou uma desistente. Tenho um corpo pequeno, mas posso lutar”.

Sua luta deu frutos. Tegla participou de competições mundiais e se tornou a primeira mulher africana a vencer a New York City Marathon, nos Estados Unidos. Seu sucesso como atleta é notável, mas hoje compete com o trabalho admirável que realiza em sua fundação.

Além dos processos seletivos para profissionalizar atletas refugiados, a Tegla Loroupe Peace Foundation promove corridas anuais pela paz, negociações e a educação de crianças refugiadas.

Tegla já mediou disputas tribais por pastagens, água e gado, deu início a uma campanha contra a mutilação genital feminina e fundou uma escola para cerca de 400 crianças. Com essa última iniciativa, pretende impedir que jovens se tornem soldados e dar um futuro decente para órfãos de pais contaminados pela Aids.

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