Uma das primeiras bibliotecas do mundo finalmente será aberta ao público
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Universidade de Al Qarawiyyin. Foto: Istock/Getty Images
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Uma das primeiras bibliotecas do mundo será aberta ao público

Kaluan Bernardo em 19 de agosto de 2016

Considerada uma das primeiras faculdades do mundo, a Universidade de Al Qarawiyyin, em Fez, Marrocos, também tem uma das primeiras bibliotecas do planeta.

Criada por Fatima Al-Fihri, uma muçulmana, em 859, a biblioteca está sendo restaurada há três anos por outra mulher, a arquiteta canadense e marroquina Aziza Chaouni. E pela primeira vez ficará aberta ao público. Até hoje apenas acadêmicos com permissão formal podiam conhecer a biblioteca.

Agora, a população poderá conhecer os belos detalhes arquitetônicos da biblioteca, que tem uma coleção de mais de 4 mil livros raros, incluindo manuscritos árabes antigos escritos por renomados acadêmicos da região. Há inclusive os manuscritos de uma versão do século nove do Alcorão e um manuscrito de jurisprudência islâmica escrito pelo filósofo Averroes.

Quem foi Fatima Al Fihri, a fundadora da biblioteca

No documentário “A era de ouro do Islã” Fatima Al-Fihri é descrita como uma jovem mulher fascinada por conhecimento e curiosa. No século nove, ela se mudou com sua família para a região de Al Qairawan, onde hoje fica a Tunísia.

Após se mudar para a região com sua família e se estabelecer em uma sociedade muçulmana, Fatima perdeu seu pai, seu marido e seu irmão. Como era filha de um mercador rico, ela e sua irmão ficaram com bastante dinheiro. Fatima resolveu utilizá-lo para construir a mesquita, que se tornou também universidade e biblioteca

Segundo o site TRT World, Fatima Al-Fihri ajudou a construir a mesquita com suas próprias mãos e fez votos para ajudar na obra até seu último dia.

Por lá passaram importantes acadêmicos do mundo oriental como o poeta e filósofo Ibn Al-Arabi (no século 12), o historiador e economista norte-africano Ibn Khaldun (no século 14) e o renomado autor e viajante Leo Africanus (no século 16).

A construção é considerada uma das mais importantes instituições religiosas e educacionais do mundo muçulmano. Em 1963, a Universidade de Al Qarawiyyin passou a ser administrada pelo ministério da Educação do Marrocos moderno e se mudou para outro lugar também na cidade de Fez. No complexo antigo continuaram apenas a mesquita e a biblioteca que caíram no esquecimento.

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Os desafios de restaurar a biblioteca

Em entrevista à agência AP, a arquiteta Aziza Chaouni diz que, embora morasse na cidade de Fez, nunca havia ouvido falar na biblioteca de mais de 1.100 anos. “Conhecia a mesquita, mas nunca soube que havia uma biblioteca ali”, comentou. A situação mudou em 2012 quando ela foi convocada pelo Ministério da Cultura marroquino para restaurá-la.

Ela conta ao site do Ted que embora a biblioteca tenha passado por várias reformas, todo aquele precioso acervo corria o risco de se perder porque a temperatura e a umidade do local não eram mais controlados. Há diversos problemas estruturais como rachaduras nas paredes e problemas de iluminação que podiam pôr tudo a perder.

Agora as autoridades se preocupam com os possíveis custos de continuar a manter todos esses manuscritos seguros e acessíveis. Também começam a digitalizar o acervo para não correr o risco de perder, mas apenas 20% já foi digitalizado.

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