Dear White People: série da Netflix critica o racismo e o blackface
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Foto: Divulgação
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Dear White People: nova série da Netflix critica o racismo e o blackface

Kaluan Bernardo em 10 de fevereiro de 2017

A Netflix divulgou um teaser de sua nova série, “Dear White People“, que estreia no próximo dia 28 de abril. A série é inspirada em um filme de 2014 com o mesmo nome, que no Brasil foi batizada de “Cara Gente Branca”.

O filme se passa na Winchester University onde a protagonista, Samantha, combate o racismo. Dirigido por Justin Simien, um afro-americano, o longa foca em um grupo de estudantes que enfrenta diversos preconceitos de raça. É uma sátira, venceu o Sundance Film Festval e tem 91% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes.

A série ainda tem poucas informações divulgadas, mas já está dando o que falar nas redes sociais. Os diretores da série ainda não foram revelados e ela deverá ter 10 episódios na primeira temporada, com produção da Lionsgate.

O contexto do blackface e as críticas feitas ao trailer de “Dear White People”

No teaser da série da Netflix uma locutora negra sugere uma série de fantasias de Halloween aceitáveis para pessoas brancas, como pirata, enfermeira, qualquer um dos primeiros 43 presidentes americanos e diz que uma está no topo de lista das inaceitáveis: “eu”.

A cena é uma crítica ao uso do blackface — quando um branco pinta o rosto de preto para representar, normalmente de forma estereotipada e exagerada, alguém que é negro. O termo faz referência a uma prática considerada racista e remete às décadas de 1830 a 1890 quando era usada em apresentações de menestréis — uma espécie de contador de histórias — nos Estados Unidos.

Os atores passavam carvão na pele, tinta vermelha na boca e usavam roupas espalhafatosas. Falavam de forma incompreensível, diferente dos personagens brancos que falavam o idioma formal. Nessas apresentações, o público, de maioria branca e escravocrata, aplaudia.

Embora as apresentações de menestréis e a conotação tenham mudado na história, a prática do blackface continua e ainda é considerada ofensiva. Apesar disso, é perpetuada em desenhos animados, filmes e fantasias de festas. O blackface é tópico comum de discussões sobre o racismo tanto nos Estados Unidos quanto em outros lugares como o Brasil.

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Há um canal no YouTube que compila diversos vídeos antigos de blackface.

No Brasil, a prática levantou críticas em diversas situações, como quando, em 2015, o cantor sertanejo Michel Teló, que pretendia fazer uma campanha contra o racismo, pintou o rosto de preto e foi acusado de fazer blackface. Ele pediu desculpas.

Em maio do mesmo ano uma companhia de teatro cancelou uma apresentação na qual os atores também pintavam o rosto. Ainda em agosto de 2015, o programa “Pânico”, da TV Bandeirantes, apresentou um personagem chamado “Africano”, que também pintava o rosto, era estereotipado e falava um dialeto próprio. Acusada de racismo, a produção do programa retirou o quadro do ar.

Mesmo com o contexto histórico, os vários casos de racismo e o a intensa discussão, o trailer da Netflix, que critica o blackface, está sofrendo represália. No YouTube, no dia 10 de fevereiro, havia 26 mil votos positivos contra 272 mil negativos. Nos comentários, internautas ignoram o contexto e afirmam que há suposto “racismo reverso” na cena em que negros entram na festa para repreender as fantasias. Talvez, quando chegar, a série encerre as polêmicas. Ou coloque mais lenha na fogueira. Vamos acompanhar.

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