Exodus: documentário acompanha as dificuldades dos refugiados
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Foto: Divulgação
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“Exodus”: documentário acompanha as dificuldades de refugiados

Pedro Katchborian em 20 de outubro de 2016

“A gente tende a pensar que o mais difícil é a fuga, mas é só o começo”. A frase é do produtor Fernando Sapelli, um dos responsáveis pelo documentário “Exodus – De Onde Eu Vim Não Existe Mais”, que estreia mundialmente na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A vida dos refugiados após a fuga de casa é o tema do filme, que também tem produção de Fernando Meirelles, além de direção de Hank Lvine (Lixo Extraordinário) e narração de Wagner Moura.

O longa conta a história de seis refugiados: Napuli, Tarcha, Bruno, Dana, Nizar e Lahtow. Cada personagem traz desafios diferentes, mas um problema em comum: o prosseguimento da vida após deixar a terra natal.

refugiadas em sua terra natal

Foto: Divulgação

Sapelli explica que a ideia do filme existia desde 2008, depois de uma experiência que o diretor Hank Levine passou em Senegal. Em 2011, o diretor começou a reunir uma equipe para o longa. Foram anos de pesquisas, com viagens ao Quênia para conhecer o maior campo de refugiados do mundo, com 500 mil pessoas.

“Fizemos um panorama global da situação dos refugiados no mundo. Começamos a mapear regiões e áreas que tinham números expressivos, além de outras com poucas pessoas”, explica. A ideia inicial era filmar em 12 lugares, mas o longa acabou ficando com seis.

Nesse tempo, também foram contatadas diversas ONGs na tentativa de achar personagens que se encaixariam no filme. “Conversamos com algumas pessoas à distância, mas só as conhecemos na primeira viagem e lá vimos de quem fazia sentido contar a história”, explica Sapelli.

Os locais de filmagem foram Alemanha, Brasil, Congo, Cuba, Argélia e Sudão do Sul, tudo na tentativa de fazer um recorte global da situação dos refugiados, que totalizam mais de 60 milhões de pessoas ao redor do mundo.

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Com tantos locais e personagens diferentes, a produção de “Exodus” dependia muito da rede de apoio. Em alguns países, por exemplo, governos não querem que as pessoas documentem os refugiados, enquanto outros eram zonas de conflito. Até por isso, um ar de tensão pairava na equipe do documentário. “O perigo sempre existiu, sempre esteve ali. Era confiar nas pessoas que queriam ajudar a gente e abrir portas”, diz F

O objetivo de “Exodus”

Esse retrato da situação dos refugiados feito em “Exodus” busca mostrar a diferença de alguns cenários ao redor do mundo. No Brasil, Dana, refugiada vinda da Síria, estava plenamente adaptada, podendo trabalhar, enquanto refugiados na Alemanha não podiam trabalhar e estavam no mesmo local há 14 anos.

O Brasil, aliás, é um exemplo de uma política mais aberta em relação aos refugiados, na opinião de Sapelli. “Pode ser que essa política se dê por não termos tantas fronteiras. É difícil para refugiados de outros continentes chegarem aqui”, explica. “Mesmo assim, temos uma política bem interessante, principalmente com os sírios”, diz. Em 2013, o Brasil começou a abrir portas para os sírios — qualquer sírio que chega ao Brasil já tem o estado de refugiado garantido, podendo trabalhar no país. “Isso já ajuda muito“, diz.

Sapelli explica que é essencial entender que a fuga é só o começo da jornada do refugiado.

É um processo de anos até a pessoa realmente conseguir assimilar e começar a construir o que ela considera uma casa.

Ao falar sobre um panorama global da situação dos refugiados ao redor do mundo, Sapelli acha que estamos no começo de uma crise. “Ainda não achamos uma solução para lidar com ela. Esse limbo que as pessoas se encontram após a fuga é uma falta de saber lidar com a situação”, completa.

Para ele, houve um recente retrocesso em relação aos últimos anos. “Começamos a tomar uns passos para atrás e fechar fronteiras”, diz, referindo-se a imposição de alguns países de não acolher os refugiados. Recentemente, países como Finlândia, Rússia e Polônia fecharam as fronteiras para imigrantes.

O documentário “Exodus” deve chegar aos cinemas brasileiros em dezembro de 2016. A ideia dos produtores é que ele tenha uma boa repercussão e seja lançado em outros países. Assista ao trailer:

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