Com homenagem a Ana C., Flip 2016 tem mais mulheres
flip 2016
Foto: Istock/Getty Images
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Com homenagem a Ana Cristina Cesar, Flip 2016 tem mais mulheres

Kaluan Bernardo em 29 de junho de 2016

Chega-se a mais uma edição da Festa Literária de Paraty (Flip), um dos eventos mais importantes do mercado editorial brasileiro. E antes mesmo de a feira que vai de 29 de junho e 3 de julho começar, já há um número para comemorar: esse ano 44% dos participantes na Tenda dos Autores, o palco principal, são mulheres.

Apesar de ainda serem minoria, é a primeira vez em 14 edições que há tantas autoras na Flip. Em 2014 elas eram apenas 15% dos participantes, enquanto em 2015 eram 23%. Ao todo, serão 22 homens e 17 mulheres na Tenda dos Autores.

Além disso, a homenageada do ano é Ana Cristina Cesar (1952-1983), representante da poesia marginal da década de 1970 e segunda a ser destaca na Flip. Antes dela, a única homenageada foi Clarice Lispector, em 2005.

A principal autora da programação da Flip é a jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015 e autora de “Vozes de Chernobyl”. Ao lado dela estarão outras grandes autoras, como a poetisa Annita Costa Malufe, a ensaísta Heloisa Buarque de Hollanda, a neurocientista Suzana Herculano-Houzzel, a cronista peruana Gabriela Winer, a romancista mexicana Valeria Luiselli e a historiadora britânica Helen Macdonald.

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O debate por mais mulheres na Flip não vem de hoje

Há anos a feira é criticada pelo pouco espaço que dava às mulheres. Seu curador pelo terceiro ano consecutivo, o editor e jornalista Paulo Wernerck, reconheceu ao jornal El País: “Não é de hoje que prestamos atenção a esse debate. Queremos entender essa realidade que vem desde o mercado, e contribuir para modificá-la”.

Em 2014, quando haviam apenas nove mulheres para 38 homens no evento, coletivos como o “KDMulheres?”, que cobram mais visibilidade feminina no campo da literatura, passaram a questionar a organização e o mercado. Diz Laura Folgueira, cofundadora da organização, em entrevista ao jornal Nexo: “Nunca causou nenhum espanto nos festivais que as mesas fossem exclusivamente masculinas. A gente entendeu que a Flip é um sintoma, o problema é: as mulheres não estão sendo publicadas, não estão sendo resenhadas, não estão recebendo prêmios”.

Apesar de hoje ter mais mulheres, o evento ainda é criticado por ter poucos autores negros — sejam homens ou mulheres. Paulo Werneck justificou dizendo que fez vários convites nacionais e internacionais, mas não obteve respostas positivas. Ele diz ainda que, embora as discussões ajudem a curadoria abrir os olhos para inclusão e diversidade, o esforço precisaria ser compartilhado com outros atores do setor, como editores, jornalistas, livreiros e membros de prêmios e festivais.

“Temos enorme compromisso com a diversidade. A primeira vez que a Chimamanda [Ngozi Adichie] veio ao Brasil, foi na Flip. Ano passado, trouxemos escritor queniano Ngugi wa Thing’o. É, sim, uma preocupação para nós, mas a curadoria é reflexo dos convites que foram aceitos”, comentou Werneck em entrevista à Agência Brasil.

Quem foi Ana Cristina Cesar

foto de ana cristina cesar de óculos

Foto: Reprodução

Carioca, Ana Cristina Cesar, mais conhecida como Ana C., morreu há 33 anos após cometer suicídio. Sua obra e legado, no entanto, continuam vivos. Para ela, literatura e vida eram indissociáveis. Destacou-se na década de 1970, não só pela poesia, mas por sua crítica e tradução literária. Revelou seu estilo informal em diários, poemas, cartas e desenhos.

Encantada pelo “caráter monossilábico da língua inglesa”, traduziu autores como Emily Dickinson, Sylvia Plath e Katherine Mansfield. Entre suas traduções mais notáveis, inclusive, está “The Annotated Bliss” (“O conto Bliss anotado”), famoso texto de Katherine Mansfield que fizera parte de sua dissertação de mestrado na Universidade de Essex, na Inglaterra. Ela também se formou em Letras pela PUC-Rio e fez mestrado na Escola de Comunicação da UFRJ.

Em 1982, Ana Cristina Cesar publicou “A teus pés”, reunião de seus três primeiros livros: “Cenas de abril” (1979), “Correspondência completa” (1979), uma carta endereçada a My Dear, e “Luvas de pelica” (1980). Hoje seu acervo está sob responsabilidade do Instituto Moreira Sales. Parte de sua obra foi publicada no “Inéditos e dispersos” (prosa e poesia), de 1985, dois anos após sua morte.

Veja no vídeo abaixo um pequeno documentário produzido pelo Sesc TV sobre Ana Cristina Cesar:

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