Ter gato de estimação pode ser tão bom ou melhor do que ter um cão
gatos de estimação
Foto: Istock/Getty Images
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Ter gato de estimação pode ser tão bom quanto ter um cão — ou até melhor

Camila Luz em 25 de outubro de 2016

Se você não considera ter um gato de estimação porque acha que ele não será tão carinhoso ou leal quanto o seu cachorrinho, acredite: você pode estar equivocado. O livro “Cat Sense”, do britânico John Bradshaw, analisa os processos evolutivos dos dois animais e considera que o felino pode ser o animal de estimação ideal no século 21.

A veterinária Priscilla Barros Moraes concorda com o pesquisador. “De maneira geral, pessoas estão vivendo cada vez mais em casas menores e em apartamentos. Cachorros precisam tomar banho toda semana, precisam sair para fazer xixi, comem mais, demandam mais atenção”, explica. “Já os gatos não precisam ir ao pet shop, utilizam a caixinha de areia, dormem cerca de 18 horas por dia e se adaptam  melhor a ambientes menores”, completa.

Olhando por essa ótica, o gato de estimação funciona bem para pessoas que vivem sozinhas, viajam muito, trabalham o dia inteiro fora e não têm tempo sobrando para dar tanta atenção a um animal. Diferente dos cachorros, gatos ficam bem sozinhos por até dois dias, desde que tenham água e ração suficiente. “Não é o ideal, pois todo bicho precisa de assistência. Mas ele sobrevive. Olhando dessa forma, sua independência soma a favor”, diz Priscila.

Independência, no caso, não é sinônimo de desapego ou falta de amor. A veterinária afirma que gatos podem ser tão carinhosos e leais quanto os cachorros. Tudo depende da criação dada pelo dono.

O gato de estimação pode ser tão carinhoso quanto o cachorro

"Priscilla e Valentim, companheiros há 11 anos"

“Priscilla e Valentim, companheiros há 11 anos”

“Fico até triste quando falam que o gato é traiçoeiro e não se afeiçoa. Quem tem um dificilmente compartilha dessa ideia”, afirma Priscila. “Quem tem preconceito com felinos seguramente nunca teve um gato. É fácil você ir na casa de um felino e reclamar que ele não te deu bola. Afinal, ele não te conhece. Esses animais são muito fiéis ao que eles sentem”, conta.

Para a veterinária, cachorros são criados para serem mais leais do que gatos, já que o felino se vira na ausência do dono. Se ele ficar sem comida, dá um jeito, caça algum animal. Já o cão precisa que o dono o alimente.

Se o felino for criado com afeição e carinho, ele certamente agirá dessa forma com o dono. “O gato é bastante inteligente para administrar isso. Se você criá-lo para ser parceiro e companheiro, se ele for inserido na rotina da casa, ele vai incorporar bem e participar”, diz. “Se você criá-lo como se fosse um vaso de flor, ele irá interagir o mínimo possível, mas não vai sofrer tanto. O cachorro precisa de atenção, carinho e movimento”, completa. Essa independência felina se dá por dois motivos: domesticação tardia e processos evolutivos.

Gatos podem ser mais evoluídos do que cachorros

A domesticação do gato é mais recente do que a do cachorro. Os cães foram domesticados há cerca de 11 mil anos na Europa e foram sendo moldados pelo homem. Já os gatos só começaram a viver dentro de casa há cerca de quatro mil anos no Egito, embora convivam com o homem há a aproximadamente 10 mil.

Isso poderia explicar por que gatos ainda são mais selvagens e independentes. Além disso, estudo feito em parceria entre a Universidade de São Paulo (Brasil), a Universidade de Lausanne (Suíça) e a Universidade de Gothenburg (Suécia) descobriu que do ponto de vista evolutivo, eles estão na frente.

Com o passar do séculos, os gatos eliminaram cerca de 40 espécies de cachorros selvagens. O contrário não aconteceu em nenhum momento. As habilidades dos felinos foram essenciais para a sobrevivência e, segundo os pesquisadores, a superioridade deles também.

Segundo o estudo, enquanto os cães costumam ser mais fortes, os gatos, além de terem garras, são melhores estrategistas e conseguem atacar outros animais com facilidade.

Cuidados para ter um cachorro ou gato de estimação

O cachorro e o gato de estimação podem ser carinhosos e leais desde que sejam tratados da forma correta. Priscila explica que cães de médio ou grande porte precisam de muito espaço e devem gastar energia. Por isso, o ideal é que vivam em casas espaçosas ou com jardim. Mantê-los no apartamento só é possível se o dono levá-los para passear pelo menos três vezes por dia ou investir em creches e em atividades como a natação canina.

Os gatos também têm suas necessidades. Eles são caçadores naturais e essencialmente carnívoros, apesar de dormirem muito e ficarem mais tranquilos dentro de pequenos espaços. “Tem gato que é mais caseiro, independente da castração. Às vezes eles têm medo de sair na rua ou são mais bonachões. Mas de maneira geral, são carnívoros estritos e caçadores. Precisam sair para caçar”, explica.

Para que o gato de estimação não sinta essa necessidade de caçar, é preciso alimentá-lo da forma correta, com ração para felinos de boa qualidade. Ele também precisa beber muita água, então vale a pena deixar mais de um potinho espalhado pela casa.

Outra forma de fazê-lo se sentir bem em seu ambiente é investir no enriquecimento ambiental. “Eles precisam arranhar, afiar as unhas, gostam de ficar no alto, de se esconder. Gostam de coisas desafiadoras”, diz Priscila. Ela recomenda esconder uma bolinha, colocar as coisas no alto, montar esconderijos e dar brinquedos de arranhar.

Curiosidades sobre os gatos

Gatos já foram usados para caçar ratos, já foram adorados e até relacionados ao demônio.

Há 10.000 anos, com o desenvolvimento da agricultura, espécies selvagens se aproximaram dos campos para se alimentar dos ratos que ameaçavam as plantações humanas. Na época, a relação entre o felino e o homem já era estreita, mas o animal só foi domesticado pelos egípcios 6.000 anos depois, quando foi considerado um ser divino.

Múmias de gatos mostram que os nobres egípcios tinham apreço pelos seus bichanos e ainda acreditavam em deuses-gatos. A divindade Bastet, por exemplo, tem a cabeça de um felino e é associada à fertilidade e à sexualidade feminina.

A relação entre mulheres e gatos também já foi mais estreita do que os laços entre homens e esses bichinhos. Durante os séculos 18 e 19, gatos começaram a aparecer em pinturas sempre ao lado de mulheres. Antes disso, eles já haviam sido associados ao demônio por causa de suas donas, que foram queimadas na fogueira por bruxaria.

Há ainda quem diga que gatos são sensitivos e absorvem a energia negativa. Por esse motivo seriam tão próximos das bruxas: eles as protegiam de entidades malignas.

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