Glossário do feminismo: conheça os principais termos
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Glossário do feminismo: conheça os principais termos

Camila Luz em 5 de abril de 2017

O feminismo ganha cada vez mais força. Após a terceira onda feminista, ocorrida na década de 1990, mulheres de todas as etnias e classes sociais passaram a defender seus interesses e a lutar pela igualdade de gênero com mais afinco. No debate atual, surgiram novos termos — vários deles em inglês — usados pelas militantes para se referir a determinadas situações.

Até a segunda onda feminista, o movimento era protagonizado sobretudo por mulheres brancas de classes mais altas. Elas lutavam pela liberdade sexual, valorização do seu trabalho e pela completa igualdade entre os sexos.

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Hoje, ainda é importante discutir essas questões, já que mulheres ainda ganham menos, ocupam menos cargos de liderança, são violentadas sexualmente e assim por diante. Mas nos últimos 30 anos, outros problemas passaram a ser abordados por diferentes correntes, como a solidão da mulher negra e o lugar da mulher transexual no debate feminista.

Preparamos um glossário que engloba termos usados por todas as correntes e que pode ser útil para quem deseja entender mais sobre o movimento.

Feminismo

Antes de dar início aos termos usados pelas militantes, é preciso explicar o que é feminismo para quem não tem intimidade com o assunto. O movimento social e político existe desde o século 18, no contexto da Revolução Francesa. Mas o começo da revolução ocorreu mesmo no século 20, quando as sufragistas conquistaram o direito ao voto feminino.

É importante pontuar que feminismo não é o contrário de machismo. O objetivo do movimento é construir igualdade entre os gêneros de várias formas, inclusive lutando por direitos iguais. Já o machismo coloca o homem em um patamar de superioridade diante da mulher — muitas vezes por meio da opressão e até da violência. Assim como o racismo, ele oprime.

Glossário ou o feminismo de A a Z

Body-shaming

O termo designa o ato de sentir vergonha do próprio corpo por não se encaixar nos padrões impostos. A gordofobia é uma forma de body-shaming, assim como o preconceito contra cabelos crespos, por exemplo.

Bropriating

O termo em inglês se refere à quando um homem rouba a ideia de uma mulher e faz parecer que é dele. Quando o sexo feminino dá uma opinião ou sugestão, pode não ser levado em conta. Mas quando o sexo masculino o faz, por vezes é aplaudido por isso.

Cultura do estupro

Praticamente toda mulher já sofreu algum tipo de assédio: recebeu cantadas na rua, foi chamada de “puta” ou “vagabunda” quando disse “não” a algum homem, teve suas partes íntimas apalpadas no transporte público ou foi vítima de estupro. Todas essas atitudes fazem parte da cultura do estupro.

Há uma crença de que o estupro só ocorre em becos escuros, com mulheres que andavam sozinhas pelas ruas durante a noite. Mas esse crime é mais comum do que parece e muitas vezes ocorre dentro de casa, cometido por namorados, familiares ou conhecidos. Mulheres negras são as principais vítimas.

Culpabilização

Consiste em colocar a culpa na vítima. A mulher que anda com shorts curtos na rua merece ser estuprada; a adolescente que ficou bêbada na balada merece ser assediada; a viajante que ousou sair do país sozinha merece ser violentada e a moça que está em um relacionamento abusivo escolheu essa vida. Todos esses pensamentos são de culpabilização da vítima e estão equivocados.

Cultura do estupro

Praticamente toda mulher já sofreu algum tipo de assédio: recebeu cantadas na rua, foi chamada de “puta” ou “vagabunda” quando disse “não” a algum homem, teve suas partes íntimas apalpadas no transporte público. Muito embora não configurem um estupro, o ato, todas são atitudes que fazem parte da cultura do estupro.

Há uma crença equivocada de que o estupro só ocorre em becos escuros, com mulheres que andavam sozinhas pelas ruas durante a noite. Mas esse crime é mais comum do que parece e muitas vezes ocorre dentro de casa, cometido por namorados, familiares ou conhecidos. Mulheres negras são as principais vítimas. E nunca, em hipótese alguma, uma mulher fez algo para ser estuprada. Estupro é um crime como é o ato de matar outra pessoa.

Desconstrução

O feminismo tem o objetivo de desconstruir construções sociais impostas que resultam em privilégios e preconceitos. Afirmar que nem toda mulher deve ser mãe ou saber cozinhar é uma forma de contestar papéis que são atribuídos ao feminino e de desconstruí-los.

Empatia

Empatia nada mais é do que o ato de se colocar no lugar do outro, para tentar compreender seu ponto de vista e o contexto no qual vive. A mulher branca não é hipersexualizada como a mulher negra e não sofre racismo por conta da cor da sua pele. Mas deve fazer o exercício de calçar seus sapatos e apoiar sua luta. O homem não teme ser estuprado ao andar por uma rua deserta, mas deve compreender qual seria a sensação caso fosse do sexo feminino.

Empoderamento

Empoderamento é um processo individual que dá ao indivíduo ferramentas para lutar contra opressões, ou seja, de se empoderar. No caso do empoderamento feminino, significa desconstruir papéis impostos aos gêneros e buscar a igualdade.

O empoderamento feminino ocorre, por exemplo, no momento em que uma mulher se sente confiante e luta pela igualdade de salários, pela divisão das tarefas domésticas e se posiciona diante do assédio sexual ou verbal tão naturalizado em nossa sociedade.

Feminicídio

É o nome que se dá ao assassinato de mulheres por questões de gênero. A violência doméstica e a violência sexual são problemas sérios que contribuem com o feminicídio.

Gaslighting

Gaslighting é o nome dado, em inglês, para uma forma de abuso psicológico no qual uma pessoa faz a outra acreditar que é psicologicamente instável. Esse tipo de situação é mais comum em relações amorosas, quando mulheres são consideradas culpadas por uma suposta instabilidade emocional.

“Você é louca”, “você está exagerando”, “você está de TPM” e “você é sensível demais” são algumas das expressões usadas para insinuar que a mulher é instável e está errada. Esse tipo de acusação pode fazê-la duvidar de sua sanidade mental e capacidade de percepção.

Identidade de gênero

Identidade de gênero é o gênero com o qual pessoa se identifica, que nem sempre coincide com o sexo biológico, de nascimento, e com os padrões sociais atribuídos a ele. Quem nasce com pênis é considerado menino e segue um conjunto de regras estabelecidas pela sociedade do que é ser homem, como não usar vestido e jogar bola. Já quem nasce com uma vagina é menina e deve seguir outro conjunto de normas, como usar maquiagem, brincar de boneca e cuidar da casa.

Quem se identifica com o gênero atribuído no nascimento é cisgênero, enquanto quem não se identifica é transgênero. O gênero é, portanto, uma construção social. Para certas feministas, como as radicais, essa construção prejudica a sociedade e é um dos motivos para a existência do machismo. O ideal, segundo essa corrente, seria acabar com os papéis de gênero.

Mansplaining

O termo em inglês foi criado para definir situações em que o homem tenta explicar sobre um assunto para a mulher quando ela provavelmente domina mais do que ele ou está visivelmente certa. Essa explicação acontece de forma didática, como se a mulher não fosse capaz de compreender.

Manspreading

Sabe quando você está sentada no ônibus ou metrô e tem um homem com as pernas bem abertas, tomando o espaço de outros assentos? Isso é “manspreading”.

Manterrupting

Você já foi interrompida por um homem quando estava em uma reunião de negócios ou em uma roda de bar com os amigos? A expressão manterrupting designa situações em que a mulher não consegue concluir seu pensamento pois é constantemente interrompida por alguém do sexo masculino. 

Matriarcado

Matriarcado é uma forma de organização social na qual a mulher assume o papel de liderança na família ou na comunidade. A transmissão de bens, o poder tribal ou os cargos religiosos seriam transferidos entre mulheres, e não entre homens.

Há algumas referências às sociedades de matriarcas na história. Na mitologia nórdica, por exemplo, os povos pré-históricos da Escandinávia teriam vivido em sociedades matriarcais. A comuna francesa de Elven, na Bretanha, seria outro exemplo.

O antropólogo suíço J.J. Banhofem foi um dos principais defensores da Teoria Matriarcal, que afirma que as sociedades humanas primitivas eram certamente matriarcais. As mães eram o centro das comunidades e deusas-mães eram idolatradas.

Misoginia

Misoginia é a repulsa, desprezo ou até mesmo ódio contra as mulheres. É o principal responsável por casos de agressões físicas e psicológicas contra o sexo feminino. É o oposto de misandria, que consiste na repulsa contra o sexo masculino. 

Patriarcado

Patriarcado é um sistema social que se manifesta nas esferas pública e privada. A liderança e autoridade é exercida pelo homem em cargos políticos, empresariais, religiosos e até mesmo morais. Dentro de casa, é o homem quem tem autoridade sobre as mulheres e as crianças. Em uma sociedade patriarcal, os privilégios são masculinos.

Problematização

Quem problematiza questiona e analisa a sociedade, seus valores e expressões utilizadas para falar sobre determinados assuntos. Por exemplo, por que mulheres são as principais responsáveis pelas tarefas domésticas? Por que homens ainda assumem cargos mais altos no mercado de trabalho? O que significa chamar uma mulher de “vadia” ou “vagabunda”? E a expressão “filho da puta”, o que ela significa?

Protagonismo

Dentro do movimento feminista, as mulheres são as protagonistas, já que são as principais vítimas da cultura e da sociedade machista. Quando alguém “rouba o protagonismo”, significa que está tirando o lugar de quem deveria ser ouvido.

“Protagonismo” também é chamado de “lugar de fala”. Dentro do feminismo negro, o lugar de falar é das mulheres negras, enquanto dentro do transfeminismo, as protagonistas são as transexuais.

O termo gera polêmica pois muitos acreditam que o “lugar de fala” exclui todas as outras pessoas do debate. No entanto, tudo depende de como a conversa é construída. O principal papel das mulheres brancas no feminismo negro é ouvir o que as integrantes têm a dizer, desenvolver empatia e dialogar de acordo com as impressões das principais vítimas.

Slutshaming

Consiste em julgar mulheres que tiveram um comportamento “de vadia”. Isso pode significar várias coisas, como ter relações sexuais com muitos homens ou usar roupas curtas, comportamentos que na nossa sociedade machista não são vistos como “decentes”.

Solidão da mulher negra

“Solidão da mulher negra” é um termo que representa como a mulher negra é preterida em relação a branca quando o homem busca um relacionamento amoroso estável. Seu corpo é hipersexualizado e visto apenas como fonte de prazer. Elas são criticadas quando usam turbantes, tranças nagô e dreads.

No Brasil, grande parte da população que vive na periferia é negra. Mulheres são responsáveis pelas tarefas domésticas, engravidam cedo e precisam criar os filhos sozinhas. Portanto, têm menos oportunidades no mercado de trabalho do que a mulher branca e precisam lutar constantemente para melhorar de vida.

Sororidade

Quantas vezes você já ouviu dizer que mulheres são invejosas e competem umas com as outras? O feminismo quer desconstruir essa ideia e firmar uma aliança entre o sexo feminino, que deve desenvolver empatia e companheirismo para alcançar objetivos em comum. Sororidade também significa não julgar as atitudes de outra mulher, sua aparência física, escolhas ou estilo de vida. 

Token

Quando uma pessoa é acusada de racismo, por exemplo, ela pode ficar na defensiva e responder: “mas tenho amigos negros” ou “meu avô era negro”. Tokenizar é o ato de dar respostas prontas para invalidar a crítica.

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