Olivia Laing, a solidão em grandes cidades e a beleza em estar sozinho
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Foto: Istock/Getty Images
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Olivia Laing, a solidão em grandes cidades e a beleza em estar sozinho

Camila Luz em 1 de agosto de 2016

O que significa viver em solidão? A escritora Olivia Laing foi obrigada a confrontar esse sentimento quando deixou a Inglaterra e se mudou para Nova York, nos Estados Unidos. Enquanto vivia a experiência, começou a se perguntar por que pessoas não falam sobre a solidão com mais frequência — principalmente as que vivem em grandes cidades.

capa do livro The Lonely City com ilustração de prédios

The Lonely City de Olivia Laing. Foto: Divulgação

Para entender melhor a solidão que vivia diariamente em Nova York, começou a procurar referências culturais e artísticas sobre o assunto. Sua investigação deu origem ao livro “The Lonely City — Adventures in the Art of Being Lonely”, no qual explora o que significa viver em uma metrópole, onde pessoas estão “sozinhas e expostas ao mesmo tempo”.

“O que significa estar solitário? Como viver, se não estamos intimamente engajados com outro ser humano? Como nos conectamos com outras pessoas? A tecnologia nos aproxima ou nos aprisiona por trás das telas? O sexo é uma cura? Se for, o que acontece se nosso corpo ou sexualidade é considerado depravado ou danificado, se somos doentes ou não fomos abençoados com a beleza?”.  Perguntas pertinentes como essas são discutidas na obra, que mistura memórias biográficas com filosofia e sociologia.

A autora cita figuras culturais como o cantor Klaus Nomi, o empresário Josh Harris e o artista Zoe Leonard, além de personagens solitários e pouco comunicativos criados por artistas como Edward Hopper e Andy Warhol.

A solidão em grandes cidades

A solidão é um sentimento que todo ser humano vivencia em certo momento. Alguns vivem na sua companhia por muito tempo, enquanto outros só o experimentam quando mudam de cidade ou vão morar sozinhos pela primeira vez.

Olivia Laing sentada em sofá com caneca na mão e sorrindo

Olivia Laing. Foto: Mike Sim

Para Olivia, a solidão é ainda mais forte e comum em metrópoles, pois não exige necessariamente solidão física. Ela se dá pela ausência ou escassez de conexão, proximidade e parentesco. Se resume na incapacidade de encontrar tanta intimidade quanto desejado.

A experiência de Olivia foi particularmente dolorosa. Um relacionamento amoroso acabou de forma abrupta. Por mais que tivesse amigos em Nova York, se sentia paralisada pela solidão. “Os sentimentos que eu tinha eram tão cruéis e esmagadores que muitas vezes desejei encontrar uma maneira de me perder completamente até que a intensidade diminuísse”, revela.

A experiência foi tão forte que, com o passar dos meses, Olivia começou a se tornar estranhamente fascinada por ela. “Solidão, Dennis Wilson cantou uma vez, é um lugar muito especial. E comecei a me perguntar se ele pode estar certo”, conta.

Sobre a solidão

Abaixo, reunimos algumas conclusões e sensações sobre a solidão escritas por Olivia em seu livro e compartilhadas pelo site Brainpicks. Inspire-se:

“Qual é a sensação de se estar solitário? É como se sentir faminto: como estar faminto enquanto todos à sua volta estão se preparando para festejar. Parece vergonhoso e preocupante e, ao longo do tempo, esses sentimentos se irradiam para fora, fazendo com que a pessoa solitária se sinta cada vez mais isolada, cada vez mais distante. Dói, da maneira que os sentimentos fazem, e também tem consequências físicas que ocorrem de forma invisível, no interior dos compartimentos fechados do copo. Ele avança, é o que estou tentando dizer, frio como o gelo e transparente como o vidro, envolvendo e engolindo”.

“Em certas circunstâncias, estar de fora, não se encaixar, pode ser uma fonte de satisfação, mesmo prazer. Existem vários tipos de solidão que fornecem um refúgio da solidão, um feriado, se não uma cura. Às vezes, enquanto eu caminhava, vagando sob os pilares da ponte de Williamsburg ou seguindo o East River até o casco prateado da ONU, eu podia me esquecer de mim mesma, tornando-me porosa e sem fronteiras como a névoa, prazerosamente à deriva”.

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“O que Hopper captura é bonito, bem como assustador. Eles não são sentimentais, seus quadros, mas há uma atenção extraordinária para eles… como se a solidão fosse algo que valesse a pena observar. Mais do que isso, olhar por si só era um antídoto, uma maneira de derrotar o estranho feitiço da solidão”.

“A solidão é difícil de confessar; difícil demais para categorizar. Assim como a depressão, um estado com o qual muitas vezes se cruza, ela pode ser executada no íntimo de uma pessoa. É como uma parte do nosso ser, como rir com facilidade ou ter o cabelo vermelho”.

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