Skate pode ser meio de transporte rápido, barato e divertido
skate como meio de transporte (1)
Foto: Istock/Getty Images
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Skate pode ser meio de transporte rápido, barato e divertido

Camila Luz em 7 de junho de 2016

Ciclovias nas grandes cidades incentivam moradores a utilizar a bicicleta para se locomover. Mas esse não é o único meio de transporte barato e que não polui o meio ambiente. O skate também pode ser usado fora das pistas de manobra para percorrer as ruas e chegar a um destino final.

Na cidade de São Paulo, há quem enfrente o movimento intenso de veículos e pedestres em cima das quatro rodinhas. “Atualmente uso o skate quase exclusivamente como meio de transporte”, conta a estudante de Rádio, TV e Internet Laís Souza Lima. “Acho que uso o skate como lazer só em 25% das vezes. Depois da implantação da ciclofaixa, ficou ainda melhor”, explica.

Laís usa o skate para de ir sua casa, no bairro Higienópolis, até a Faculdade Cásper Líbero, na Avenida Paulista, onde trabalha e estuda. A realidade da estudante é a mesma de outras pessoas que se apaixonaram pelo esporte quando eram mais jovens e viram nele uma opção barata e rápida para percorrer a cidade. “Comecei a andar de skate com uns 12 anos, por influência da pop/rock skater girl Avril Lavigne”, conta.

Laís Souza Lima skate

Laís Souza Lima anda de skate no Minhocão, em São Paulo
Foto: Arquivo Pessoal

Já o publicitário Nicholas Stoppel era fascinado por vídeos de skatistas praticando quando estava no início da adolescência. Com 12 anos, começou a fazer street, modalidade que consiste em praticar skate em obstáculos encontrados nas ruas da cidade, por pura diversão. “Por volta dos 15 abandonei e só retomei aos 18 anos, mas dessa vez usando um longboard”. Desde então, não parou mais. Foi mais longe e decidiu utilizá-lo para locomoção.

Por que usar o skate como meio de transporte

Nicholas Stoppel é publicitário, mas vai abandonar a profissão em breve para trabalhar com gastronomia em Barcelona. Está se organizando para voltar à Espanha e se associar ao restaurante de sua tia, onde já trabalhou por um tempo. Por enquanto, ainda mora em São Paulo e usa o skate como complemento ao transporte público.  “Costumo ir de skate da minha casa, na Vila Cruzeiro, até a estação de trem Granja Julieta. De lá, desço em alguma outra estação e complemento o percurso, seja pela Paulista, Faria Lima, Barra Funda ou outro lugar”, explica.

Nicholas Stoppel Skate

Rodinha do skate de Nicholas em Barcelona
Foto: Arquivo pessoal

Ele conta que usa o skate para ir trabalhar ou para sair com amigos. Faz essa opção pela economia de tempo e, também, pela segurança. “Economizo vários minutos e me sinto mais seguro, por estar mais rápido do que os outros. Não há um único lugar específico para onde costumo ir de skate, sempre posso levá-lo comigo”, revela.

Lucca Ribeiro da Silva cursa publicidade e propaganda e também usa o skate como complemento ao transporte público em algumas situações. “É fácil de carregar e, nos momentos em que não estou no metrô ou ônibus, ele me ajuda a ganhar tempo”, explica.

 

O estudante afirma que o skate é boa opção para se locomover rápido em locais onde há descidas no caminho. “Já o utilizei para ir do centro até Pinheiros e da Paulista até o Ibirapuera. Na maioria das vezes ando pelo centro mesmo, onde moro”, conta.

Qual tipo skate utilizar para percorrer a cidade

Laís, Nicholas e Lucca usam um mini cruiser, skate de shape pequeno e formato old school. Ele é bastante indicado para o uso como meio de transporte. As rodinhas são maiores do que a do skate comum, medindo aproximadamente 60mm, o que dá um melhor deslizamento e mais velocidade.

Além de ser mais veloz, o mini cruiser é bastante prático. “Comecei a andar com o skate tradicional, o famoso street, que usa shape de madeira e rodas menores. Mas depois que conheci o mini cruiser (ou pennyboard), me apaixonei e hoje só uso ele”, conta Laís. “Além de ser bem mais leve e menor, ele corre mais, as rodas costumam ser maiores e mais macias e não enroscam tanto em pedregulhos”, diz.

Nicholas também começou a andar usando  um street. “Depois, passei para um cruiser e em seguida para um tubarão. Pela praticidade, hoje uso um mini cruiser”, diz.

Afinal, é de boa andar de skate em São Paulo?

Para se locomover por São Paulo usando skate é preciso estar atento à questão da segurança. “São Paulo não é nem um pouco segura para andar de skate. Os motoristas não veem o skatista como uma pessoa que também precisa se locomover, e sim como alguém que está atrapalhando o trânsito”, opina Lucca.

lucca andando de skate na avenida paulista

Lucca na Avenida Paulista Foto: Arquivo Pessoal

Para ele, é perigoso andar tanto na rua, quanto na ciclofaixa. “Em vias onde não existe ciclofaixa, o perigo de andar de skate em meio ao trânsito é enorme. Onde ela existe, também é perigoso, pois sua superfície é feita para bicicletas. O piso pode ser irregular e faz o skate tremer e perder velocidade”, explica. “Os obstáculos são muitos. Na Faria Lima, já caí em um vão onde o pneu da bike passa sem problemas, mas a rodinha do skate trava”, diz.

Nicholas conta que, quando morou em Barcelona, percebeu que as vias não eram compartilhadas só entre carros e bicicletas. Skates, patinetes, patins e outros meios de transporte elétricos também tinham vez. “Por essa experiência pude perceber que São Paulo é uma cidade onde você precisa brigar para ocupar seu espaço, seja qual for o meio de transporte escolhido”, opina. “Aqui, ando de skate. Os carros não dão chance nem em vias residenciais. Por isso, de segura, essa cidade não tem nada”, diz.

Nicholas também aponta para a situação das calçadas e vias:

“Para praticar skate com segurança, seria preciso asfaltar novamente as ruas de toda a cidade de forma digna. No momento atual, acredito que isso seja um pouco utópico. Mas as ciclovias já ajudam bastante”.

Já Laís acredita que São Paulo ainda está longe do ideal, mas é melhor do que as cidades do interior de Minas Gerais, onde começou a praticar. “Os motoristas respeitam mais aqui. Como há muita sinalização, as pessoas são obrigadas a seguir as regras de trânsito e fica ‘mais ok’”, afirma. “Mas ainda tem muita coisa para melhorar. Não tenho medo, mas já caí algumas vezes e fiquei pensando que se um carro estivesse passando poderia ter sido pior” conta.

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Laís sugere que novas ciclofaixas sejam implantadas. “Das boas, não só pintar o chão de vermelho”, reforça. Para ela, essa é a melhor forma de despertar o interesse de mais cidadãos para a prática do skate. “Acho bacana a ideia de ter seu próprio transporte ecológico, funcional, que pode ser carregado para qualquer lugar e que emagrece também, né?”, brinca. “A gente curte”, finaliza.

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