Sete das melhores frases do TEDxSãoPaulo Mulheres que Inspiram
TEDxSãoPaulo_Carol Valis
Foto: Carol Valis
Unplug > Inspire-se

Sete frases e ideias do TEDxSãoPaulo Mulheres que Inspiram

Redação em 27 de julho de 2016

Por Camila Luz, Diana Assennato e Livia Deodato

Mulheres que inspiram foram as protagonistas da última edição do TEDxSãoPaulo. Durante o dia 23 de julho mulheres negras compartilharam com a plateia ideias, sentimentos, músicas, poemas, empatia e muita força. As apresentadoras da TV Cultura Roberta Estrela D’alva e Adriana Couto foram as mestres de cerimônia do evento, que teve o auxílio de Alexandra Loras, consulesa da França em São Paulo. Na plateia, mulheres, principalmente negras, também eram maioria.

Leia mais:
As melhores frases e ideias do TEDxSãoPaulo Mulheres que Inspiram (Parte II)
As melhores palestras do TEDxSãoPaulo

A equipe do Free the Essence registrou frases marcantes ditas pelas convidadas e palestrantes:

O que rolou no TEDxSãoPaulo Mulheres que Inspiram:

“Representatividade é importante para a sociedade e bom para os negócios”

Kênia Maria

Kenia Maria na frente de telão com foto de bonecas

Kênia Maria. Foto: Carol Valis

Pessoas negras são mais de 50% da população brasileira. Caso deixassem de consumir, causariam um rombo enorme no mercado. No entanto, você já viu algum comercial de margarina estrelado por negros? Ou um comercial de pasta de dente?

No Tá bom pra você?, canal do Youtube criado por Kênia Maria, ela e sua família estrelam comerciais para mostrar como a representatividade é deficiente na sociedade brasileira.

“A gente tem que ter coragem de dizer ‘eu quero!’”

Eliane Dias

Eliane Dias de vestido rosa sorrindo

Eliane Dias. Foto: Anderson Silva

Eliane Dias morou na rua com sua mãe e teve de enfrentar inúmeros desafios por causa de sua condição social. Quando adulta, já casada e com filhos, foi impedida pelo marido de ir até a Alemanha em uma viagem gratuita. Nesse momento, decidiu que queria ser advogada.

Eliane estudou por seis anos, sem tirar tempo para se divertir ou cuidar do próprio corpo. Hoje, é formada em direito e é dona da produtora Boogie Naipe ao lado do marido Mano Brown. Ela diz que é preciso ter coragem para assumir o tamanho de nossas escolhas e fazer sonhos virarem realidade.

“O racismo escarra na minha boca enquanto me beija”

Nátaly Nery

nataly nery e de fundo slide do TEDx

Nátaly Nery. Foto: Anderson Jesus

Nátaly era considerada uma criança feia por todas as pessoas, menos por alguns homens adultos que diziam que quando crescesse, se tornaria uma mulher muito bonita. Afinal, seria uma bela “mulata curvilínea”.

No entanto, a tal mulata nunca chegou para Nátaly, que sempre foi uma menina magra. Na adolescência, chegou a odiar o próprio corpo, que se encaixa no padrão de beleza que valoriza o magro. A estudante de ciências sociais e dona do canal do Youtube Afros e Afins explicou que tinha dificuldade em se aceitar por causa do racismo que está enraizado na sociedade a níveis que muitos podem não enxergar.

“Eu não sou a culpada pelo estupro, a pedrada, pelo meu sangue que vaza, pela minha pele que racha, por estar sexualizada, por ser comercializada”

 Nina Oliveira

nina oliveira batendo palma com violão no colo

Nina Oliveir. Foto: Anderson Jesus

A frase faz parte da música “Disk Denúncia”, da cantora guarulhense de 19 anos Nina Oliveira. Com uma voz suave e ainda de menina, ela canta sobre violência sexual, racismo, preconceito, escravidão, pobreza e sobre o lugar da mulher negra na sociedade

“Nunca compare o seu início com o meio de ninguém”

Monique Evelle

Monique Evelle em sua apresentação do TEDxSão Paulo

Monique Evelle em sua apresentação do TEDxSão Paulo. Foto: Carol Valis

A baiana Monique Evelle tem apenas 21 anos e uma trajetória de luta, principalmente por meio das redes sociais. Ela é estudante de Humanidades da UFBA. Quando tinha apenas 16 anos, fundou o Desabafo Social, projeto que quer transformar a realidade de crianças, adolescentes e jovens por meio de práticas alternativas de educação e comunicação.

A garota palestrou no TEDxSãoPaulo sobre o que significa ser empreendedor(a) na periferia. “O que a gente chama de empreendedorismo é sobrevivência na periferia”, disse. Monique lembra que os maiores empreendedores são aqueles vendedores de balas, doces e salgadinhos, que enfrentam chuva e sol pelas ruas de diversas cidades brasileiras e “ainda tiram um sorriso do seu rosto enquanto você espera o ônibus”.

Segundo ela, na periferia aprende-se rápido a empreender, afinal tudo depende de quantas bocas você tem para alimentar em casa. Sem dúvida, os principais instrumentos dos empreendedores da periferia são o jogo de cintura aliado à criatividade. Ao final de sua palestra, a baiana reiterou sobre a importância de não se comparar com os demais durante sua trajetória, pois cada um carrega talentos e dificuldades distintas, portanto os caminhos serão necessariamente diferentes.

“O racismo prega peças em todos nós”

Lia Vainer Schucman

Lia Vainer Schucman na frente de telão

Lia Vainer Schucman. Foto: Anderson Jesus

Lia Vainer Schucman foi uma das poucas pessoas brancas convidadas a palestrar no TEDxSãoPaulo dedicado às mulheres negras. Houve um bom motivo para isso: a doutora em psicologia social pela USP estuda o sistema de opressão e dominação branca denominado “branquitude”.

Ela começou sua palestra contando sobre um casal interracial que, ao caminhar pela praia, foi abordado por um casal branco. Vendo que a mulher branca estava grávida de seu marido negro eles fizeram dezenas de perguntas sobre o bebê e seu nascimento. Ao final, um deles exclamou: “tomara que tenha olhos verdes como os seus!”, ao que a grávida concordou. Essa grávida, Lia revelou ao final da palestra, era ela e fez com que se questionasse por que é que ela tinha concordado com o desejo daquela mulher. “Aquela observação se limitava a um fenótipo. Quando foi que os olhos verdes passaram a ser mais bonitos do que os demais? De onde é que isso vinha?.”

Esse seu questionamento vem, desde então, norteando suas pesquisas (atualmente, ela se dedica ao pós-doutorado em torno de famílias interfaciais). “A branquitude é uma forma de ver o mundo. A humanidade é considerada branca e os negros, índios e outros tipos de raças são considerados partes de uma humanidade particular”, disse. “O racismo prega peças em todos nós.”

“O som atravessa imensidões cósmicas. A voz é uma força da natureza”

Xênia França

mulher com microfone na mão

Xenia, vocalista da banda Aláfia. Foto: Carol Valis

A única mulher do grupo Aláfia, Xênia França, de 28 anos, foi a primeira cantora a se apresentar no TEDx que celebrou as mulheres negras. A baiana nascida em Candeias impressionou com sua voz potente e sexy no Hotel Unique, onde foi realizado o evento. Cantou letras que celebrou a origem de pelo menos 90% dos presentes. “O som atravessa imensidões cósmicas. A voz é uma força da natureza”, disse Xênia, emocionada com aquele encontro de tantas mulheres negras que estão fazendo a diferença no Brasil.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 157 [12] => 25 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 172 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence