Doula, Janie Paula fez da acolhida às mães uma nova carreira
Unplug > Interventores

Doula, Janie Paula fez da acolhida às mães uma nova carreira

Kaluan Bernardo em 6 de julho de 2017

Janie Paula, 33 anos, é mineira, mora em São Paulo e é mãe de dois filhos: um de 17 anos e uma de quatro. Trabalhava com produção de cinema até que, após o nascimento de sua segunda filha, percebeu que não poderia continuar com a mesma rotina: oferecendo suasmadrugadas e finais de semana às agências de publicidade enquanto perdia a chance de acompanhar o filho. Mudou de profissão e redescobriu sua essência como doula – algo que, antes de ter sua pequena, jamais havia ouvido falar.

Doula é uma profissional que acompanha uma gestante do pré-natal ao pós-parto dando suporte físico e emocional, mas não médico. Ela ampara as mulheres para que elas sejam bem atendidas, se sintam seguras e para que o parto saia o mais próximo do planejado. Sua função é assegurar que a mãe tenha alguém com quem contar o tempo todo.

Janie

É uma rotina um tanto diferente de trabalhar em uma agência. Solitário, desafiador e livre são algumas das palavras que Janie utiliza para descrever seu novo estilo de vida. “[A mudança de profissão] foi um processo de autoconhecimento que ainda é muito intenso para mim. Ser dona do meu horário, da minha rotina, das coisas que conquisto, demanda muito esforço. Às vezes penso que seria muito mais fácil ter meu emprego fixo, minhas férias pagas e 30 dias do ano para descansar e não levar trabalho para casa. Mas tenho a liberdade que tenho de fazer o que quiser na hora que quiser”, comenta.

Mais do que liberdade, a nova profissão lhe trouxe muito aprendizado. “O que mudou no dia a dia é que em vez de ter de respeitar o tempo de uma empresa que me diz o que tenho de fazer, respeito a minha necessidade. A única coisa que é a exceção e – faço até virada do avesso – é o parto. O resto organizo minha energia para atender meu marido, meus filhos, minha casa. Ter a liberdade de montar a própria rotina, descobrir o ritmo de cada um e não ter que impor como as coisas funcionam é muito libertador”, relata.

Um passo de coragem

O primeiro filho foi criado quase que remotamente. “Somos muito próximos, mas não fui presente fisicamente. Ligava para a padaria para pedir comida, para o porteiro para saber se chegou da escola. Era tudo por telefone”, lembra. Quando a segunda filha nasceu, Janie sabia que não era o caso de repetir o mesmo.

LEIA MAIS
Cuidando de gerações: o afago emocional e físico das doulas
LEIA MAIS
Maternidade real: 5 canais que mostram uma nova visão do que é ser mãe

Janie negociou com seu marido e família a possibilidade de ficar um ano focando na maternidade enquanto procurava se reencontrar. Fez um coaching de dez sessões para buscar as perguntas que deveria fazer e foi quando surgiu a ideia de doula. Após acompanhar um parto, as dúvidas sumiram. “Entendi que não ia fazer outra coisa da vida. Só tinha que descobrir como faria isso, mas não faria outra coisa”, lembra.

Fez então um curso, combinou com a família como seria a transição e passou a atuar como doula. “Aprendi sobre ritmo, sobre respeito, sobre autonomia, sobre liberdade, sobre espontaneidade, sobre desejo, sobre permissão, sobre felicidade, sobre desrespeito, sobre sociedade. Aprendi tanta coisa, sobre natureza, sobre potência, sobre morte, sobre luto. Toda a vida de um jeito diferente. E acho que fiz a coisa certa quando vejo que escolhi uma profissão que me ensina algo novo o tempo todo e não me faz querer ficar fugindo dela”, defende.

A mudança foi gratificante, porém exigiu sacrifícios e esforços como qualquer mudança. Janie reconhece que é necessário coragem e estratégia – principalmente o primeiro item. “Nossa, como é difícil mudar. Precisa de muita coragem. É difícil pra caramba, não é fácil”, defende.

Janie

Janie acredita que, mais do que fazer um coaching ou juntar dinheiro, você precisa estar aberto às mudanças. Informações estão disponíveis em livros, vídeos ou textos na internet. E se você não conseguir uma grande mudança, comece pequeno – talvez pelo café da manhã ou algo do tipo. “Depois que você muda alguma coisinha, o resto vem. Mas, às vezes, a pessoa não quer mudar mesmo e tem dificuldade de ver se a vida é boa”, provoca.

Além de difícil, Janie acredita que a mudança acaba sendo repensada todos os dias. “Já quis desistir. Já fui para parto chorando, cansada. Mas não me arrependi. Uma vez que mudei, acho que posso mudar quantas vezes quiser. O que precisar fazer para pagar minhas contas, vou fazer da melhor forma. Vou dar um jeito”, garante.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
ESCOLHA DO EDITOR
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 205 [1] => 76 [2] => 12 [3] => 237 [4] => 97 [5] => 249 [6] => 222 [7] => 62 [8] => 157 [9] => 276 [10] => 259 [11] => 86 [12] => 267 [13] => 94 [14] => 68 [15] => 16 [16] => 167 [17] => 115 [18] => 186 [19] => 17 [20] => 102 [21] => 173 [22] => 238 [23] => 175 [24] => 92 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence