Jessica Vicente, de Heliópolis para a Academia da Osesp e a YOA
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Foto: Arquivo Pessoal
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Jessica Vicente, a musicista de Heliópolis que entrou na Academia da Osesp e na YOA

Aretha Yarak em 22 de novembro de 2017

Quando tinha 12 anos de idade, a paulistana Jessica Vicente começou a estudar música a pedido da mãe. Nascida na favela de Heliópolis, na zona Sul de São Paulo, precisava encontrar uma atividade que ocupasse suas tardes depois da escola. E a música era a melhor opção. “Entrei no Instituto Baccarelli mais pela preocupação da minha mãe em não me deixar na rua durante o dia”, relembra.

Jessica, que já cantava no coral da igreja com a tia desde os 8 anos, acabou se apaixonando pelas aulas e dedicando seus dias aos ensaios com a trompa. Hoje, aos 22 anos, a jovem já reúne frutos importantes do seu empenho e desempenho: um diploma de licenciatura em música e participações na Academia da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), na Orquestra de Bolsistas do Theatro São Pedro e na edição deste ano da YOA Orchestra of the Americas.

Minha carreira na música só foi possível graças ao Instituto Baccarelli, eles me deram tudo sem me cobrar nada

O Bacca, como é chamado pelos alunos, foi fundado há mais de duas décadas pelo maestro Silvio Baccarelli, com  objetivo de levar educação e inclusão aos jovens de Heliópolis por meio da música.

O projeto é o responsável pela Orquestra de Heliópolis, que tem como patrono o maestro indicado Zubin Mehta e já se apresentou na Sala São Paulo, nos Theatros Municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro,  e em Gasteig (Alemanha) e em Muziekgebouw (Holanda). Atualmente, a orquestra tem direção artística do maestro titular Isaac Karabtchevsky.

A música na vida de Jessica Vicente

Durante o primeiro ano de aulas no Instituto, Jessica participou apenas do coral, período em que desenvolveu sua percepção musical, disciplina e treinou a afinação. Ao fim dos doze meses de treino, os alunos podiam escolher um instrumento para se dedicar.

Foto: Arquivo Pessoal

“Eu queria mesmo era o violino, mas só havia vaga para a trompa e acabei topando, porque queria aprender um instrumento”, relembra. Os primeiros contatos com o instrumento de sopro foram muito complicados. “Mas a verdade é que eu sofro até hoje, o instrumento é muito difícil. Sou pequena, então precisei trabalhar muito meu corpo para conseguir tocar mais tempo sem respirar”, comenta.

A disciplina atrelada a uma rotina diária de ensaios, aulas práticas e teóricas fez com que Jessica ingressasse na orquestra jovem em pouco tempo. Com 16 anos, já fazia trabalhos como musicista freelancer para casamentos e em outras orquestras. Aluna dedicada, conseguiu uma bolsa de estudos parcial para cursar licenciatura em música na Faculdade Cantareira. No curso, além de aprimorar sua técnica e o conhecimento teórico, aprendeu a tocar piano e flauta doce.

Jessica na Academia da Osesp e no YOA

No segundo ano da faculdade, resolveu dar um passo importante na carreira: fazer a prova para ingresso na Academia de Música da Osesp. “Decidi por experiência mesmo, para conhecer, porque eu era muito nova”, conta. A ideia original era entender como funcionava o processo seletivo, mas ela foi aprovada e duas semanas mais tarde começava uma jornada de dois anos na instituição. “A Osesp sempre foi algo que considerei muito longe de mim, jamais imaginaria que eu pudesse mesmo passar”, conta.

O fim do período na Academia coincidiu com a fase final da graduação. Para pagar as mensalidades e conseguir seu diploma, Jessica integrou a orquestra de dois musicais que estavam em cartaz na capital. Primeiro, foram seis meses em My Fair Lady, com regência de Luis Gustavo Petro,  e, depois, mais um semestre em O Homem de La Mancha, sob regência do Flávio Lago.

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Do teatro, Jessica embarcou em turnê com um grupo de 80 musicistas para quatro semanas de apresentações com a YOA Orchestra of the Americas. Ela foi uma dos cinco brasileiros selecionados pela conceituada orquestra sinfônica, composta por jovens de 18 a 30 anos de mais de 25 países.

“Fiquei muito emocionada. Quando vi a orquestra tocar pela primeira me assustei, porque tinha muita gente boa e eu fazia parte daquele grupo”, comenta.

A turnê internacional da YOA passou pelo Brasil em julho. Na época, Jessica e mais quatro trompetistas foram ao Instituto Baccarelli passar o dia dando aulas para os alunos. “Nossa, foi muito importante para mim. Já na nossa chegada, tinha um um coral esperando com uma linda apresentação e o pianista e a regente haviam sido meus professores no Bacca”, relembra. “Eu fiquei muito emocionada”.

Atualmente, a musicista segue na Orquestra de Bolsistas do Theatro São Pedro, enquanto aguarda o resultado de pedidos de bolsa para fazer pós-graduação nos Estados Unidos. Para o futuro, um sonho: voltar à Heliópolis e poder retribuir todas as oportunidades que lhe foram oferecidas no Instituto Baccarelli. “Ainda me vejo como aluna, preciso aprender muito antes de poder voltar e dar aulas para as crianças”, comenta.

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