Urban Nation é o primeiro museu de arte urbana
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Foto: Reprodução/Facebook
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Urban Nation será o primeiro museu de arte urbana do mundo

Camila Luz em 7 de junho de 2016

O primeiro museu dedicado à arte urbana contemporânea do mundo vai se tornar realidade em breve. O Urban Nation será inaugurado em 2017 em Berlim. Obras de artistas do mundo todo serão expostas e eternizadas em um edifício que vem sendo preparado desde 2013.

Existem galerias focadas em arte urbana e contemporânea mundo afora. Na própria cidade de São Paulo, há vários espaços pequenos, como o A7ma e o Choque Cultural. Marina Bortoluzzi, fundadora do Instagrafite, projeto que divulga e conecta artistas de rua, explica que esses locais são importantes, mas não suficientes. “Em galerias, a curadoria é feita por gosto pessoal. São focadas apenas em alguns artistas e no conceito que querem trabalhar”, diz. Já um museu é muito mais abrangente.

A importância do museu voltado para a arte de rua é trabalhar com uma visão mais ampla desse mercado. É mais democrático, tem mais conceitos, mais curadorias e abriga diferentes olhares e vertentes.

Por isso, o Urban Nation também será uma forma de oficializar o mercado de arte urbana e reconhecer os artistas, que costumam ser pouco valorizados. “Quem trabalha com arte de rua sabe que os artistas são super profissionais e têm anos de experiência”, afirma Marina. “Não gosto da expressão grafiteiro porque ela pode deturpar o artista e trazer a visão de que a arte de rua é barata, marginal. Isso não existe”, explica.

A efemeridade da arte urbana

A arte urbana dá personalidade à cidade e se transforma junto com ela. O Urban Nation pretende conservar essa característica. Desde 2013, quando o edifício em Berlim começou a ser transformado em museu, a fachada vem sendo atualizada constantemente.

Depois da inauguração, a fachada continuará a ser alterada com novos murais, para transformar a aparência da cidade de tempos em tempos. Diferente de museus tradicionais, a arquitetura e as superfícies exteriores do Urban Nation serão telas, transformando o próprio edifício em uma obra de arte.

O projeto de atualização da fachada se chama “Project M”. Marina conta que o Instagrafite vai participar dele no final de julho. Alguns artistas, como a carioca Panmela Castro, estão convidados para pintar tapumes que fazem parte do primeiro pavimento.

Além disso, o Urban Nation vai conservar a efemeridade da arte urbana dando apoio a artistas que queiram pintar os entornos do prédio. O bairro será constantemente transformado. “Vão rolar interações, como pintar o metrô próximo ou uma pilastra. O museu vai profissionalizar o mercado, mas sem deixar de fazer arte na rua. Ações públicas vão continuar a acontecer para fortalecer o projeto ainda mais”, explica Marina.

O interior do museu terá um acervo próprio e fixo, para preservar a arte urbana, e exposições esporádicas. Marina também vai participar da primeira mostra itinerante como curadora.

A fundação Urban Nation

A fundação por trás da construção do museu se chama Urban Nation e é uma iniciativa da construtora alemã Gewobag. “Essa empresa tem uma visão mais inovadora. Quando vai revitalizar um bairro, por exemplo, procura manter a realidade do local e tenta não aumentar o valor dos aluguéis”, conta Marina.

Desde 2013, a fundação Urban Nation vem apoiando e patrocinando inúmeros projetos relacionados a arte urbana ao redor do mundo. Para Marina, a importância da fundação é ainda maior do que a do museu.

A Urban Nation funciona como uma rede internacional que promove artistas e os conecta com o público. “Por mais que seja uma fundação nascida na Alemanha, consegue colaborar com projetos de todo o planeta, por meio de seu fundo financeiro e de patrocínios adquiridos”, explica.

O próprio O’bra, festival de arte urbana brasileiro promovido pelo Instagrafite, recebeu apoio da Urban Nation no ano passado. A fundação contribuiu trazendo uma dupla de artistas. “Ela ajuda a profissionalizar, oficializar e retratar o mercado de arte de rua. Dá aval para projetos em que acredita e suporte financeiro “, diz.

Berlim cultural

Conseguir investimento para projetos de arte urbana é complicado em países subdesenvolvidos, por mais que tenham centros culturais importantes, como São Paulo. Berlim, por outro lado, faz isso muito bem.

“Berlim é uma capital de arte urbana muito importante, assim como Londres, Nova York e São Paulo. Respira inovação, modernidade e contemporaneidade, apesar de seu histórico” (…) Berlim entende que é preciso investir financeiramente em cultura.

Marina acredita que Berlim é um bom berço para o Urban Nation, que poderá servir como ponto de partida para inspirar mais projetos de arte urbana no resto do mundo.

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  • Katia Tibau Albuquerque

    Uma reportagem encantadora! Amei!

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