5 números que mostram por que precisamos do Dia da Consciência Negra
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5 números que mostram por que precisamos do Dia da Consciência Negra

Kaluan Bernardo em 20 de novembro de 2016

Dia 20 de janeiro se comemora o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida porque nesse mesmo dia, em 1695, morreu Zumbi — líder do Quilombo dos Palmares e grande representante da luta do negro contra a escravidão.

De lá para cá, muita coisa mudou. Outras nem tanto. Se não existe mais escravidão legal no Brasil, há ainda muitos resquícios dessa história. O racismo e o preconceito continuam entre nós. E é por isso que, desde 2003, temos uma data para lembrar que a luta por uma sociedade igualitária continua.

Há quem acredite que o assunto está superado. Mas basta ver alguns indicadores sociais e econômicos para ver que há muito racismo para se combater. Vale lembrar que, segundo o IBGE, pretos e pardos são maioria da população brasileira: 52,9%.

Números que demonstram a necessidade do Dia da Consciência Negra

46,9% dos jovens negros (até 19 anos) concluem o ensino médio

Uma grande parte da desigualdade é exposta no ensino básico. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, organizados pela organização “Tudo Pela Educação“, a porcentagem de jovens negros e pardos que concluíam o ensino médio até os 19 anos é de 46,9% e 50,1%, respectivamente. Ambos os indicadores, de 2014, estão abaixo da média nacional, de 56,7% e dos brancos, de 66,6%.

Outros indicadores revelam o abismo social na educação. A taxa de analfabetismo entre negros é de 11,2%; entre pardos, é de 11,1%; enquanto entre brancos é de 5%.

Em entrevista à Agência Brasil, Priscila Cruz, presidente executiva do movimento Todos Pela Educação, defende que os indicadores são resultado de uma educação de baixa qualidade incapaz de fazer com que os estudantes superem as diferenças sociais.

“A chance de um filho de pais analfabetos continuar analfabeto é muito grande e isso é mais forte na população negra. Então, se a gente tem uma dívida histórica com a população negra, não basta só ter direitos iguais, não adianta a gente só dar direitos iguais a negros e pardos, a gente tem que ter políticas específicas na educação básica”, diz.

Negros ganham 59% a menos do que brancos

Em média, homens negros e pardos ganharam 60% a menos do que os brancos, segundo o Instituto de Pesquisa Aplicada, o Ipea. Os dados levam em conta o salário na totalidade dos empregos, não apontando se há diferença salarial quando os cargos ocupados são os mesmos.

A boa notícia, novamente, é que, apesar de ainda haverem desigualdades, elas estão diminuindo ano após ano. No índice de Gini, a diferença salarial entre brancos e negros caiu de 0,495 em 2013 para 0,490 em 2014. A mudança se dá tanto em aumento dos ganhos dos negros quanto em queda dos brancos.

Desemprego entre mulheres negras é de 12,5%

O acesso ao mercado de trabalho ainda é um fator essencial para entender a desigualdade no Brasil. A taxa de desocupação entre homens brancos é de 5,3%, enquanto a de negros é de 6,6%. Quando olhamos para mulheres, a discrepância é ainda maior: índice de 9,2% para brancas e de 12,5%. Os dados são organizados pelo Ipea.

A falta de inserção no mercado de trabalho, rendimentos menores e educação menor, torna negros mais vulneráveis e fazendo-os precisar mais de programas sociais. Em 2006, 70% dos lares que recebiam o Bolsa Família eram chefiados por homens e mulheres negros e pardos.

66,2% dos lares nas favelas são de famílias negras

Eis mais um índice que revela o abismo socioeconômico entre as populações. Dados também organizados pelo Ipea mostram que, em 2009, os lares em favelas eram majoritariamente negros: 39,4% deles eram chefiados por homens negros, 26,8% por mulheres negras, 21% por homens brancos e 12,8% por mulheres brancas.

Taxa de homicídios de negros é de 27,4 para 100 mil entre negro

O Brasil é o 11º país mais violento do mundo. Só em 2014 quase 60 mil pessoas foram assassinadas — a maioria delas era negra. Entre 2004 e 2014, o número de vítimas negras e pardas cresceu 14,5%, enquanto entre orientais, brancos e indígenas caiu 18,2%. Os números são do Atlas da Violência e organizados pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Público, FBSP.

Outro estudo, o Mapa da Violência, diz que 9.766 brancos foram assassinados em 2014 — com um índice de 10,6 homicídios a cada 100 mil habitantes. Entre os negros, o número é muito pior: no mesmo ano foram assassinados 29.813 negros — um índice de 27,4 para cada 100 mil pessoas.

Em entrevista ao jornal Nexo, Silvia Ramos, coordenadora do Cesec (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania) da Universidade Cândido Mendes, o jovem negro tem tendência maior a ser pobre, viver em áreas com índices altos de criminalidade e ter menos estudos — consequentemente reduzindo sua segurança. “Quando há um aumento nos homicídios dos jovens negros, sabemos que há um aumento nas áreas mais pobres, na periferia”, diz.

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