Mindfulness e a atenção plena em tempos de ansiedade
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Mindfulness e a importância da atenção plena

Camila Luz em 21 de abril de 2016

Mindfulness é um estado mental conquistado quando nossa atenção está focada no presente. Esse ponto é alcançado por meio de práticas contemplativas com foco em aumentar a qualidade de vida e o autoconhecimento.

Hoje, o fluxo de informações e o volume de tarefas que carregamos nos ombros é tão intenso que acabamos vivendo no piloto automático. Realizamos as obrigações do dia, mas a nossa mente não está totalmente conectada àquele exato momento, ao tempo presente.

Mindfulness é um conhecimento milenar, com raízes na cultura budista. Ghandi praticava todos os dias. A técnica foi trazida ao ocidente pelo biólogo Jon Kabat-Zinn, em 1979, quando começou a fazer pesquisas sobre o tema na Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos. A partir de então, difundiu-se e encontrou várias aplicações, como a redução de dores crônicas e dos níveis de stress.

 

Mindfulness em tempos de ansiedade

Na era digital, concentrar-se em uma única tarefa é um desafio. Normalmente, enquanto realizamos alguma atividade somos interrompidos pelo celular, pelo novo e-mail na caixa de entrada ou simplesmente pela necessidade de assumir uma nova obrigação. O resultado é o constante estado de desatenção, que gera queda na produtividade.

Isso pode ser revertido pela prática de mindfulness. Sonia Beira Antonio, Instrutora em Mindfulness pelo Instituto Mente Aberta, que segue o programa de Kabat-Zinn, conta que os pacientes percebem, primeiro, a melhora na concentração e na memória. “Depois, sentem a redução da ansiedade e do estresse também. Isso é comprovado através de pesquisas e testes”, explica.

Shirlene Lopes é fisioterapeuta e instrutora em mindfulness também pelo Instituto. Ela explica que, apesar de usar práticas comuns à meditação, aquele que pratica mindfulness não está necessariamente meditando:

Diferente da meditação, que trabalha com visualizações, o mindfulness é voltado a coisas práticas, como a respiração e o ‘escaneamento corporal’ (reconhecer e sentir cada membro).

“Ensinamos a mente a reconhecer o que está presente, sem julgamentos e interferências”, conclui.

“O mindfulness, apesar de ter raízes budistas, não está conectado à religiosidade”, diz. Meditação é um termo mais abrangente, que pode incluir orações, recitação de mantras e visualizações. Está mais ligado à espiritualidade.

 

A importância do praticar

O programa de Kabat-Zinn dura oito semanas. Nesse período, o aluno é ensinado a lidar com os fluxos de pensamento que o levam para o passado e o futuro. Há, também, encontros entre os praticantes, usados para o compartilhamento de experiências sobre o andamento das práticas.

Para Sonia, um dos trunfos do mindfulness é fazer a pessoa seguir um treino semanal. “Há uma regularidade na prática. Essa é a grande força do mindfulness, é a sua metodologia”, defende.

Shirlene afirma, ainda, que o mindfulness empodera. O aluno é incentivado a praticar informalmente em casa, em tarefas como escovar o dente com atenção plena e sentir a água percorrer o corpo durante o banho. Isso é o que muitos especialistas chamam de “presentificação”, ou seja, o ato de tomar consciência sobre a presença corporal e mental da sua vida naquele exato segundo.

 

mulher olha pela janela enquanto segura uma xícara de café

Foto: iStock/Getty Images

Para a instrutora, praticar é o mais importante. “É como ir à academia. Se você não tiver disciplina, não treinar, não irá alcançar o resultado desejado. A mesma coisa serve para o mindfulness”.

(leia também: Meditação guiada por aplicativos alivia estresse)

Mindfulness e Saúde

 

Além da saúde mental, a saúde física também pode ser aprimorada. Atualmente, Shirlene desenvolve pesquisas no Departamento de Educação e Saúde da Faculdade de Medicina da USP, relacionando o mindfulness ao tratamento de dores crônicas.

A profissional explica que a prática não atua diretamente na dor, mas sim na sua carga emocional. A dor não necessariamente passará, mas, com mindfulness, a pessoa toma consciência de seu corpo, e consegue lidar com o problema. “Podemos, por exemplo, trabalhar a respiração, pensando no local que está doendo, como se fosse uma massagem relaxante”, afirma.

Além disso, aquele que sofre com doenças crônicas pode se tornar depressivo ou ansioso. O mindfulness atua na consequência desse sofrimento para que o paciente tenha meios de lidar tranquilamente com os pequenos obstáculos do dia a dia.

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